Publicidade
Publicidade
Domínio público e público dominado
PublishNews, Marcio Coelho, 09/01/2019
A partir de Monteiro Lobato que, além de escritor, era um empreendedor do livro, Marcio Coelho faz, em sua coluna, uma reflexão sobre a gestão dos pontos de vendas de livros no país

Em 2018 completaram-se 70 anos da morte de Monteiro Lobato. Além de escritor, o cara era empreendedor, editor, tradutor etc., um homem de negócios. Sabia que seus livros precisavam ser vendidos, mas quando imprimiu mil exemplares do Urupês percebeu que só havia trinta e poucos lugares em todo o Brasil que pudessem vender seus livros. Trinta e poucos lugares no Brasil, é bom reforçar.

Ele vai, então, aos Correios e descobre que havia mais de mil agências postais espalhadas pelo país. Por intermédio dessas agências, faz contato com os estabelecimentos por elas atendidos e escreve carta aos proprietários perguntando se lhes interessa vender um produto chamado “livro”. É como vender “batata, querosene ou bacalhau”, dizia Lobato na carta.

A partir desse momento, e com o aceite dos comerciantes, o criador da Emília passou de pouco mais de 30 para mais de mil lugares que começaram a vender seu livro. Deu certo? O que você acha? Eram lojas de ferragens, bazares, farmácias, bancas de jornal e papelarias. Com a notícia do último dia 7 do PublishNews, sobre o plano de recuperação judicial da Livraria Cultura, fiquei pensando no Lobato, na sua veia comercial e num dos lugares em que o Lobato vendia seus livros: farmácias.

Há no Brasil (podemos confirmar aqui), com dados de 2017, 84.256 farmácias, que juntas faturam mais de R$ 98 bilhões. Em compensação, existem pouco mais de 50 mil livrarias no país, inseridas num mercado que fatura por volta de R$ 5 bilhões.

Quando o Monteiro Lobato começou a vender seus livros nas farmácias, houve quem torcesse o nariz, mas o fato é que funcionou. Por mais que ainda haja, ou houve, uma tentativa de vender os livros em estabelecimentos diferentes do que livrarias, o esforço foi pouco, o atendimento lento e sem experiência. Ainda há tempo de as editoras fazerem parcerias de sucesso. Os presentes de final de ano que entreguei foram livros. Só livros, inclusive pras crianças. A satisfação da pessoa que ganha um livro não tem preço.

O crescimento das farmácias e a diminuição do número de livrarias – segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, em dez anos foram fechados 21.083 pontos de vendas de livros – pode ser um sinal de que estamos nos deprimindo mais e lendo menos. Estamos sendo dominados pelo mercado farmacêutico há muitos anos, por que então não estabelecemos algo realmente atrativo aos clientes dessas lojas?

Outro exemplo é o aumento de 390%, de 2016 para 2018, da aplicação de botox. Mas isso é tema para outra página ou outra farmácia.

Marcio Coelho começou a sua carreira como revisor na antiga editora Siciliano e alcançou o cargo de gerente editorial da Saraiva até abrir a hoo, editora especializada na publicação de livros de temática LGBT vendida recentemente à Universo dos Livros. Marcio também passou pela TAG – Experiências Literárias onde exerceu até agosto o cargo de gestor de produtos.

Publicidade

BR75

A BR75 desenvolve soluções personalizadas de criação e edição de texto, design gráfico para publicações impressas e em outras mídias e coordena sua produção editorial. Cuidamos de todas as etapas, conforme as necessidades e características de seu projeto, e sua empresa ganha em eficiência e qualidade. Quer saber mais? Fale com a gente ou agende uma visita!

Leia também
Nosso colunista Marcio Coelho foi ao Jabuti depois de algumas edições ausente. Ele gostou e conta como foi.
Em sua coluna, Marcio Coelho fala sobre algumas incoerências do mercado editorial
Em sua coluna, Marcio Coelho escreve uma fábula sobre o mercado livreiro onde ficção e realidade parecem se misturar
Em sua coluna, Marcio Coelho fala sobre as diferenças e semelhanças entre o livro e a barata e questiona: onde encontrar refúgio os problemas atuais? no primeiro ou no segundo?
Em sua coluna, Marcio explica o porquê da sua ausência nas páginas do PN
Publicidade

Mais de 13 mil pessoas recebem todos os dias a newsletter do PublishNews em suas caixas postais. Desta forma, elas estão sempre atualizadas com as últimas notícias do mercado editorial. Disparamos o informativo sempre antes do meio-dia e, graças ao nosso trabalho de edição e curadoria, você não precisa mais do que 10 minutos para ficar por dentro das novidades. E o melhor: É gratuito! Não perca tempo, clique aqui e assine agora mesmo a newsletter do PublishNews.

Outras colunas
Toda semana você confere uma nova tira dos passarinhos Hector e Afonso
Em nova crônica, Luciana Pinsky conta a história de uma mulher que vivia atrasada até que esbarrou num ciclista em pleno trânsito de SP
Toda semana você confere uma nova tira dos passarinhos Hector e Afonso
A partir de Monteiro Lobato que, além de escritor, era um empreendedor do livro, Marcio Coelho faz, em sua coluna, uma reflexão sobre a gestão dos pontos de vendas de livros no país
Toda semana você confere uma tira dos passarinhos Hector e Afonso
A literatura é minha forma de compreender e espiar o mundo.
Raimundo Carrero
Escritor brasileiro
Publicidade
Publicidade

Você está buscando um emprego no mercado editorial? O PublishNews oferece um banco de vagas abertas em diversas empresas da cadeia do livro. E se você quiser anunciar uma vaga em sua empresa, entre em contato.

Procurar

Precisando de um capista, de um diagramador ou de uma gráfica? Ou de um conversor de e-books? Seja o que for, você poderá encontrar no nosso Guia de Fornecedores. E para anunciar sua empresa, entre em contato.

Procurar

O PublishNews nasceu como uma newsletter. E esta continua sendo nossa principal ferramenta de comunicação. Quer receber diariamente todas as notícias do mundo do livro resumidas em um parágrafo?

Assinar