‘Estamos trabalhando para novos alicerces da Saraiva’, disse CEO da empresa no Sabatina PublishNews
PublishNews, Leonardo Neto, 25/11/2021
Marcos Guedes foi o quinto convidado do Sabatina PublishNews. O executivo foi entrevistado por Marcos da Veiga Pereira, Judith de Almeida, Leonardo Neto e Talita Facchini.

Nos últimos anos, o mercado editorial brasileiro acompanhou apreensivo o encolhimento da rede de livrarias Saraiva. Até 2018, a varejista era responsável por grande parte das vendas de livros no país. No entanto, começou a atrasar pagamentos, fechar lojas, demitir funcionários e, há exatamente três anos e dois dias, entrou na Justiça com pedido de recuperação judicial.

Neste período, houve trocas no comando da empresa. A última delas aconteceu em janeiro de 2020, quando foi anunciado que Marcos Guedes assumiria como CEO da empresa. O executivo foi o quinto entrevistado do Sabatina PublishNews. Guedes foi sabatinado por Marcos da Veiga Pereira, sócio da Sextante e presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros; Judith de Almeida, gerente comercial da Autêntica; Leonardo Neto, editor-chefe do PublishNews, e Talita Facchini, âncora do programa.

Marcos declarou que a sua principal missão tem sido o reestabelecimento da comunicação com o mercado editorial, a estabilização da companhia e fazer a empresa voltar a crescer. “Estamos trabalhando para novos alicerces da Saraiva”, disse durante a entrevista.

“A Saraiva não está num momento fácil. Se estivesse fácil, ela não estaria em recuperação judicial. Se fosse fácil, teria conseguido implementar o primeiro plano e a vida teria seguido facilmente”, declarou.

Guedes seguiu reconhecendo o momento de dificuldade da empresa: “A gente tem dívidas grandes com editores na recuperação judicial, mesmo pós-recuperação judicial. Essa condição é de mostrar como é que vai fazer esse pagamento e como a gente está buscando a capitalização da companhia para que isso ocorra”, disse. “A gente está trabalhando o ano de 2021 bastante para que a companhia tenha condições de voltar a pagar as suas obrigações a partir do ano que vem. Vai começar a pagar de forma módica e, conforme for melhorando a sua condição de pagamento, ela vai resolver o plano de recuperação judicial”, completou.

No entanto, a informação foi rebatida por Marcos Pereira, que apontou que a empresa acumulou dívidas pós-concursais, sem que procurasse seus fornecedores para a quitação desse novo montante. “A Saraiva ainda não gera caixa”, disse o presidente do SNEL. “Enquanto ela não gerar caixa, ela não vai conseguir pagar nem o que ela vai passar a dever”, completou.

“Você tem razão”, respondeu Guedes. “Ainda existe uma dívida pós-concursal. Foi definida, em plano, uma tentativa de pagamento, que não deu certo. E agora, isso está sendo remodelado”, seguiu. “Hoje, estamos muito próximos da geração de caixa. Quando você olha trimestre a trimestre, mesmo com a pandemia, existe um aumento da venda, uma melhoria do resultado e diminuição do custo operacional da companhia. Existem melhorias significativas. Elas só não são tão rápidas e tão eficientes quanto a gente gostaria que fosse e isso faz parte do processo de reestruturação. Ele nem sempre tem a velocidade que a gente gostaria. A gente precisa de um pouco de paciência”, finalizou.

Crescimento do faturamento e das Lojas físicas

Em setembro passado, a Saraiva divulgou aos seus investidores um laudo de viabilidade econômica que projeta crescimento de 80% já em 2022 e aumento do número de lojas de 37 para 83 até 2026. “O crescimento se dá não por que alguém é mágico. Muda porque não aconteceu uma crise, então, a gente vai ter uma venda melhor. Muda por que a gente vai ter um escolar melhor do que a gente teve nesse ano. Muda porque a capacidade de vendas das lojas vai ser maior do que se ocorreu durante esse ano”, disse.

Guedes reforçou que a aposta da Saraiva é nas lojas físicas: loja menores, com custos operacionais e de instalação mais baixos, com necessidade de capital menor. “Tem espaço no mercado para aumentar o número de lojas físicas. Eu vejo muito tranquilo esse aumento de lojas para os próximos anos”, disse. “Tem espaço para o mercado crescer”, completou.

Novamente, Guedes foi interpelado por Marcos Pereira: “Eu acho a sua ambição de 86 lojas irrealista. E qualquer plano irrealista me incomoda. O que eu quero é que essa marca que já foi uma máquina de vender livros volte a acontecer, mas de uma maneira saudável e orgânica. Não tem dinheiro para abrir loja. Imaginar que a Saraiva vai conseguir gerar caixa para pagar o pós-concursal e ainda abrir 50 lojas parece completamente fora da realidade”, disse o presidente do SNEL.

Guedes respondeu que só abrirá novas loja se tiver dinheiro e repetiu: “O mercado está carente de ter pontos físicos de venda de livros. O mercado está carente. O mercado tem falta de livrarias”. E reforçou que as novas lojas serão menores e mais baratas. “Podemos fazer isso no futuro. Não significa que vamos abrir loja para ter prejuízo”, completou.

Judith de Almeida questionou Marcos sobre o novo comportamento do leitor brasileiro que migrou grande parte de suas compras de livros para o ambiente virtual. “Se o consumidor quer isso, por mais que se abram lojas, como é que a gente vai lidar com essa preferência do consumidor pela compra on-line?”, questionou a gerente comercial da Autêntica.

Guedes reforçou que vê oportunidades para o crescimento da rede em lojas físicas, apesar dessa mudança de comportamento. Sobre o e-commerce da empresa, ele reconheceu que no último ano, a companhia não fez investimentos na sua loja virtual, mas prometeu melhorias num futuro próximo. Revelou ainda que há planos da companhia em voltar a vender, no seu e-commerce, categorias descontinuadas como eletrônicos. “Vamos voltar a ter um site como foi no passado”, disse.

O programa tem apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Metabooks e já recebeu, em edições anteriores, Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza; Marcus Teles, diretor da Livraria Leitura; a deputada Fernanda Melchionna (PSOL/RS), presidente da Frente Parlamentar Mista de Defesa do Livro, Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL.

[25/11/2021 11:00:00]