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‘Temos que ser grandes, atuando como pequenos’, diz Luiz Schwarcz no Sabatina PublishNews
PublishNews, Redação, 15/12/2021
Fundador e CEO da Companhia das Letras falou da cena de editoras independentes, lei do preço comum, consignação e da sua relação com as livrarias

Luiz Schwarcz, fundador e CEO da Companhia das Letras, foi o sexto entrevistado do Sabatina PublishNews, que foi ao ar na tarde desta terça-feira (14).

O editor foi entrevistado por Lizandra Magon de Almeida, Alexandre Martins Fontes, Marcelo Duarte e Talita Facchini, quem conduz o Sabatina.

Nesta matéria, você encontra o resumo de cinco tópicos defendidos pelo editor na entrevista.

1- Cena Independente

Schwarcz começou fazendo um panorama da indústria do livro no país. “O mercado editorial vive um momento muito bom”, avaliou. Destacou a diversidade editorial e ressaltou o trabalho das editoras independentes. “Essas editoras pequenas apresentam uma qualidade editorial fantástica. Como representante de uma editora grande, a mensagem que eu passo hoje para os meus colegas na Companhia é que nós precisamos tentar ser pequenos. Nós precisamos tentar trabalhar cada selo como se fosse uma editora; não trabalhar como um grande grupo e tentar nos inspirarmos no trabalho das editoras pequenas”, disse já no início do programa. “Temos que ser grandes, atuando como pequenos”, repetiu mais adiante na entrevista.

O Grupo Companhia das Letras – formado em 2015, quando a Penguin Random House, sócia de Schwarcz desde 2011, adquiriu os selos de interesse geral da Santillana e incorporou o selo Objetiva – é hoje um dos maiores grupos editoriais do país e aparece no segundo lugar do Ranking Geral Parcial das Editoras do PublishNews em 2021.

Luiz relembra que, quando fundou a Companhia em 1986, não esperava que fosse chegar tão longe. “O sucesso foi uma inesperada para a Companhia das Letras desde o primeiro livro”, disse. “Tem editores que perseguem o sucesso. É legítimo, mas eu juro pra vocês que não fiz isso. Eu persegui publicar o que eu achava que eu gostava e o que tinha público. Até dei uma declaração no início que só publicaria livros que eu gostaria de ler. Hoje não posso mais dar essa declaração e me orgulho de não dar mais essa declaração”, completou.

2- Lei do Preço Fixo

Provocado por Martins Fontes, Schwarcz emitiu a sua opinião a respeito da Lei Cortez, que quer regulamentar o comércio de livros no país. “Eu tenho simpatia pela lei do preço comum. Uma simpatia complicada de se declarar porque efetivamente muita gente fala que é um absurdo, que vai prejudicar os leitores e que os livros vão ficar mais caros. Só que eu acho que se o mercado livreiro caminhar para um oligopólio, esse prejuízo será muito maior”, declarou.

Neste trecho da entrevista, Luiz destacou o papel das livrarias de rua. “Não quero demonizar completamente a venda on-line ou as grandes livrarias on-line – elas prestam um serviço e isso deve ser respeitado – no entanto, se a gente deixar de ter as livrarias de rua, uma relação do leitor com a compra de livros vai se perder. A gente sabe que o browser gera um número muito menor de vendas do que um cliente que vai a uma livraria”, disse.

3- Consignação

Outro assunto abordado na entrevista foi a consignação, prática corrente ainda hoje e criada dentro da Companhia das Letras. “Com toda honestidade, eu sou um pouco culpado por isso. A Companhia foi a primeira a propor a consignação e por muito tempo tive bastante orgulho da consignação como um mecanismo de ajuda às livrarias”, disse.

Na sequência, no entanto, disse ser favorável a uma saída do modelo de consignação ou ida para um modelo misto. “Esse modelo de consignação 100% não se sustenta mais”, disse.

4- “As livrarias físicas têm todo o meu amor, mas elas precisam mudar mais”

Em recente entrevista à revista piauí, Luiz declarou: “Tenho que admirar o idealismo, mas as livrarias não se atualizaram. As livrarias físicas têm todo o meu amor, mas elas precisam mudar mais”. Martins Fontes pediu que Luiz explicasse a sua declaração.

“Quando li, pensei: saiu justo essa frase?”, disse Luiz na sua resposta. E ele completou dizendo que o mesmo cuidado que uma livraria dá às suas prateleiras, vitrines e eventos, ela precisa dar à “nuvem”. O editor disse ser inaceitável que uma livraria de grandes cidades como Rio e São Paulo não tenha a preocupação em ter um e-commerce eficiente. “[O livreiro] tem que fidelizar seus leitores com uma comunicação que não seja necessariamente pessoal [na loja física]”, disse Schwarcz.

No início da pandemia do novo coronavírus, a Companhia elaborou um manual para criação de um site e lançou um programa de apoio financeiro a livrarias independentes. “Maior amor ao livreiro eu não sei como poderia demonstrar”, encerrou o assunto.

5- Redes sociais e os livros

Luiz reconheceu que há, no senso comum, um certo “pessimismo histórico” com a perda de leitores no Brasil e que muito desse fenômeno se dê pelo crescimento das redes sociais. No entanto, o editor vê por outro viés. “Eu tenho a impressão de que nós podemos ser otimistas. O que o livro oferece não é igual”, disse.

O editor lembrou de livros publicados pelo selo Seguinte, que pertence ao Grupo, que teve 30 mil, 50 mil exemplares vendidos num mês depois que foram citados no TikTok. “Mesmo que algumas pessoas optem por outras coisas e isso diminua o número de leitores, outras acabam sendo levadas ao livro por esses supostos concorrentes”, disse.

Luiz Schwarcz foi o sexto entrevistado do Sabatina PublishNews, que tem apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Metabooks. Antes, o programa recebeu Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza; Marcus Teles, diretor da Livraria Leitura; Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL, e Marcos Guedes, CEO da Saraiva.

Confira abaixo o Sabatina PublishNews com Luiz Schwarcz:


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