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Eduardo Giannetti defende o livro físico no Sabatina PublishNews
PublishNews, Thales de Menezes, 23/02/2022
Economista e sociólogo, o autor de 17 obras publicadas desde 1981 faz relatos de seu cotidiano em livrarias e, a partir deles, discute o momento do mercado editorial

Em mais uma edição do Sabatina PublishNews, por onde passaram editores, livreiros, executivos, CEOs, políticos e uma agente literária, quem apareceu para uma hora de conversa, muito descontraída e envolvente, foi o economista, professor, palestrante e autor de 17 livros, Eduardo Giannetti.

Mineiro de Belo Horizonte, com 64 anos completados hoje (23 de fevereiro), Giannetti se formou em Economia e Ciências Sociais na Universidade de São Paulo e obteve o Ph.D. na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

É também assessor do partido Rede Sustentabilidade e ajudou a formular os planos de governo da candidata Marina Silva nas campanhas eleitorais de 2010, 2014 e 2018.

Em dezembro passado, Giannetti foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, onde ocupa a Cadeira de número dois. Tem em casa dois Prêmios Jabuti, concedidos às obras Vícios privados, benefícios públicos? e As partes & o todo. Seu último livro é O anel de Giges, que discute ética a partir de um relato de fábula sobre o que as pessoas fariam se tivessem o poder da invisibilidade.

Na sabatina, transmitida no YouTube na tarde dessa terça (22), ele declarou amor ao livro físico, revelando verdadeiro ódio ao digital. Fez considerações sobre o momento das livrarias no país, conversou sobre seus hábitos de leitura e métodos de trabalho, e disse acreditar que livros de filosofia com citações nominais de autores clássicos podem afastar um público ainda entrando em contato com o tema.

Para sabatinar Eduardo Giannetti, estavam no programa Beto Ribeiro, da Livraria Simples; o jornalista Sandro Macedo, colunista da Folha; Milena Vargas, editora da Intrínseca; e Talita Facchini, repórter do PublishNews.

A seguir, algumas declarações de Giannetti.

Sobre como melhorar as livrarias:

"Eu ficava muito surpreso em livrarias de São Paulo, isso há anos passados, de perceber que eu sabia mais sobre o que tinha na loja do que o vendedor. Ele dizia que não tinha determinado livro, eu ia lá e mostrava: "está aqui". Se não trabalhar o vendedor, se não tiver curadoria, é vacilo. Muita gente entra na livraria sem saber o que quer comprar. O vendedor precisa orientar, tem que ser uma coisa muito afinada. O segredo é curadoria, tem que ter alguém apaixonado pelo livro que treine os vendedores", contou.

Sobre as grandes redes de lojas:

"Cultura e Saraiva deram um passo em falso monumental, que foi a megaloja em shopping center. Fizeram estoques enormes num momento em que a tecnologia estava revolucionando a comercialização de livros. Não lembro os nomes das cidades, mas eu fui lançar livros em capitais pelo Brasil, no Nordeste e no Sul, e me deparei com lojas enormes, imensas, verdadeiros elefantes brancos obviamente superdimensionadas para o mercado local."

"Eu sonho em voltar a ter livrarias perto de casa que eu possa frequentar, com prazer. Possa tomar um cafezinho, conversar, encontrar pessoas, descobrir coisas."

“Estou encantado com uma livraria que tem esse perfil de nicho, que eu acho uma simpatia e abriu aqui perto da minha casa, que é a Livraria da Travessa de Pinheiros. É um lugar muito simpático. É muito legal passar lá, dar uma olhada, eles cuidam bem dos livros.”

Sobre livros usados:

"A gente podia valorizar mais no Brasil o livro usado de qualidade. Por que uma livraria não pode ter, além dos livros novos, uma boa seção de livros de segunda mão? Isso é muito frequente em Cambridge."

Sobre seu primeiro livro, 'Órbitas pedestres', de 1981:

"Eu tinha um sonho juvenil de me tornar um poeta, mas foi rapidamente abandonado. Esse livro foi uma precipitação juvenil da qual eu muito me arrependo, porque não tinha qualquer condição. Foi uma inocência. Eu tinha amigos poetas marginais, de mimeógrafo, que me empurraram para isso. Quando vi o equívoco que era aquilo, fiquei muito envergonhado. Hoje eu não estou tão envergonhado, a idade nos dá uma certa tranquilidade."

Sobre literatura em formato digital:

"Eu detesto livro digital. Eu realmente não me conformo. Estou muito animado com a volta do vinil. Se até o vinil voltou, tudo é possível. As pessoas acabam se dando conta que a experiência é outra. Quem vai ler Os irmãos Karamazov numa tela eletrônica? Eu nunca encontrei em digital. Acho que nem existe. Acho que para ler um verbete de enciclopédia, para achar um dado, o digital funciona. A Enciclopédia Britânica não tem mais razão de existir no papel, se presta bem à digitalização. Mas, em um trabalho que exija alguma concentração, alguma generosidade na leitura, o papel é outro mundo."

Sobre ser eleito para a ABL:

"Eu não me imaginava na Academia Brasileira de Letras, mas uma coisa pesou. Minha mãe era poeta e sonhava em ser da Academia. Um sonho inalcançável. Tinha uma amiga quem entrou para a Academia e minha mãe ficou morrendo de inveja. Fico imaginando a alegria dela se visse que um filho se tornou membro da Academia Brasileira de Letras. Eu cresci numa casa em que a ABL tinha uma aura, significava um grande reconhecimento. E eu acho que a Academia está num momento de renovação."


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