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Oito destaques do ‘Sabatina PublishNews’ com Lucia Riff
PublishNews, Redação, 02/02/2022
Agente literária foi a primeira sabatinada de 2022 e falou sobre o papel do agente, do câmbio, da internacionalização da literatura brasileira e dos programas de apoio à tradução

O que nomes como Adélia Prado, Adriana Carranca, Ariano Suassuna, Aline Bei, Caio Fernando Abreu, Eliane Brum, Lygia Fagundes Telles, Ricardo Lísias, Erico Verissimo e Jacques Fux têm em comum? Além de serem todos escritores brasileiros, eles são representados pela Agência Riff, fundada por Lucia Riff há 30 anos.

Antes de criar a agência – em sociedade com a lendária agente espanhola Carmen Balcells –, Lucia chegou a cursar medicina, se formou em psicologia e trabalhou no editorial da Nova Fronteira e na José Olympio.

Em 2004, quando Carmen se aposentou, Lucia comprou suas cotas da sociedade e formou com seus dois filhos, Laura e João Paulo Riff, a Agência Riff.

Nesse meio tempo, Lucia Riff testemunhou – e protagonizou – mudanças expressivas no mercado editorial brasileiro e se tornou um player importante no cenário internacional.

Esta trajetória a trouxe para o Sabatina PublishNews, programa mensal de entrevistas que foi ao ar nesta terça-feira (1º) pelas redes sociais do PN. Lucia foi sabatinada pela agente alemã Nicole Witt (MertinWitt), pelo editor André Conti (Todavia) e pelos jornalistas Paulo Werneck (Quatro Cinco Um) e Talita Facchini (PublishNews).

Confira abaixo oito destaques da conversa.

Mudança é a nossa rotina

A conversa começou com Lucia falando das constantes mudanças que presenciou nos últimos 30 anos. Ela apontou como as tecnologias facilitaram o trabalho de agente, sobretudo na conquista de mercados internacionais. Relembrou as suas primeiras feiras internacionais e de como estes eventos fundamentais para o negócio do livro se transformaram ao longo destas três décadas.

Câmbio

Lucia relembrou os anos de hiperinflação para fazer uma analogia com os tempos de hoje, com o dólar em constante alta. “Era completamente alucinante a vida numa hiperinflação e a vida continuou. Não vou dizer que viver com o dólar como está seja fácil, mas a gente vai encontrando caminhos”, disse. Ela pontuou, por exemplo, que os adiantamentos são calculados a partir do preço de capa: “Ele é pensado em reais e daí transformado em dólares”. “Com isso, o nível de adiantamento cai em dólares, no mais, a vida segue como antes”, resumiu.

“Os editores brasileiros são muito respeitados lá fora".

Lucia falou um pouco sobre a reputação de editores brasileiros no mercado internacional. “Os editores brasileiros são muito respeitados lá fora” e ainda têm fama de bons pagadores. Outro aspecto levantado pela agente é a fama de que as edições brasileiras são sempre as mais bonitas.

A venda de direitos de livros brasileiros no exterior

"A venda pra fora é um sonho que a gente compartilha e é muito frustrante quando a gente não consegue realizar esse sonho do autor", disse a agente. Para que isso aconteça, no entanto, Lucia disse que é preciso constância nos programas de apoio à tradução. “O que a gente precisa é de um mínimo de estabilidade e uma coisa de que a gente precisa muito é da bolsa de tradução. Ela tem que ser ampla, generosa e fácil”, disse.

A agente apontou que há uma inconstância no programa realizado pela Fundação Biblioteca Nacional: tem anos que ela funciona, em outros não, e há mudanças constantes nas regras. Segundo Lucia, tudo isso atrapalha muito na venda de direitos para o mercado internacional.

Neste momento da entrevista, Lucia revelou que acaba de vender os direitos de um livro de Lygia Fagundes Teles para a Eslováquia.

O papel do agente

Lucia ressaltou mais uma vez que o papel do agente literário está em constante mudança. Antes, o trabalho era muito mais simples: focava em vender o autor no Brasil, conseguir bons contratos e manter relações estáveis. “Na medida em que as coisas foram evoluindo, foi tudo mudando junto e a agência passou a ter novas demandas: eventos, avulsos da obra, audiolivros, venda para fora, teatro, audiovisual etc”.

“Eu sinto que sou uma agente diferente para cada cliente. Cada um precisa de uma Lucia diferente”, disse sobre o seu modo de trabalhar.

Apesar das mudanças, ela ressalta que uma coisa não mudou: o autor bem representado, que tem uma sintonia fina com o seu agente, assina contratos melhores, ganha mais oportunidades e fica conhecendo melhor o mercado.

Audiovisual

Lucia falou especificamente sobre o fenômeno vivido atualmente: o crescimento do interesse de produtores do audiovisual por obras literárias. “As produtoras estão procurando cada vez mais livros ainda não publicados. Querem que a gente mande livros que ainda estão no prelo”, revelou Lucia.

A agente fez questão de cumprimentar os produtores pelo seu trabalho no período da pandemia. “É um trabalho que a gente tem que aplaudir. Mesmo com todas as dificuldades, sem a Ancine e com a covid, eles estão aí trabalhando e produzindo”, disse.

Autopublicação

Outro tema tratado pela agente foi o da autopublicação. "Eu acho maravilhoso que exista a autopublicação. Quando não havia, chegava a ser cruel. Ela dá uma liberdade e um empoderamento pro autor e isso, em nada, atrapalha o mercado tradicional de publicação”, disse.

Machismo

Paulo Werneck quis saber se Lucia já sofreu no mercado por ser mulher. Lucia ressaltou que vivemos numa sociedade machista, mas garantiu que, no exercício da sua profissão, nunca sofreu isso na pele.

Reconheceu que houve um tempo em que havia muito mais homens sendo publicados e ganhando prêmios, mas que isso tem chegado a um equilíbrio nos dias de hoje. Disse ainda que vê uma preocupação enorme com a diversidade em todos os sentidos e que, no casting da agência, há um balanço interessante entre autoras e autores, com todos brilhando igual. “Sinceramente, acho que isso já foi um grande problema. Hoje, em 2022 não vejo mais como um problema. Posso estar deixando de enxergar alguma coisa”.

Lucia Riff foi a sétima entrevistada do Sabatina PublishNews, que tem apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Metabooks. Antes, o programa recebeu Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza; Marcus Teles, diretor da Livraria Leitura; a deputada Fernanda Melchionna; Marcos da Veiga Pereira, então presidente do SNEL; Marcos Guedes, ex-CEO da Saraiva, e Luiz Schwarcz, fundador e CEO da Companhia das Letras.

Confira a íntegra do Sabatina:


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