Saraiva acompanha Cultura e também pede recuperação judicial
PublishNews, Redação, 23/11/2018
A dívida informada à Justiça é de R$ 674.698.227,29

A Saraiva protocolou, no início da manhã desta sexta-feira (23), o seu pedido de recuperação judicial (RJ) no Foro Central Cível de São Paulo. No documento, depois de fazer um amplo e detalhado histórico de sua atuação desde a fundação, em 1914, até o movimento recente de fechar 19 lojas e demitir 700 funcionários, a Saraiva alega que a “crise que assolou o país nos últimos anos, aliado à tendência mundial de queda do mercado de livrarias físicas, comprometeram” o seu resultado no curto e no longo prazo, “bem como na sua capacidade de investimento e geração de valor, fatos estes que acabaram por levar a Saraiva à incapacidade de honrar com suas obrigações no tempo e modo acordados”.

Com o pedido de RJ, a Saraiva quer, ainda de acordo com o documento protocolado na Justiça, “viabilizar a superação de sua crise econômico-financeira, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores (atualmente, são aproximadamente 3 mil empregados) e dos interesses dos mais de 1.100 credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica do país”.

A dívida informada à Justiça é de R$ 674.698.227,29. Entre os maiores credores, considerando apenas as editoras, estão a Moderna (R$ 19.775.399,71), Editora Schwarcz / Companhia das Letras (R$ 18.638.315,67), Record (R$ 18.241.167,49) Saraiva Educação (R$ 18.019.617,60), GEN (R$ 15.615.151,12), Intrínseca (R$ 13.258.421,97) GMT / Sextante (R$ 9.026.372,67), Panini (R$ 8.355.502,96), Planeta (R$ 8.315.369,83), Grupo A (R$ 7.393.546,70) e Rocco (R$ 7.003.081,76).

Contexto

A série histórica Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro demonstrou que nos últimos 12 anos, o setor editorial brasileiro encolheu 21% e perdeu R$ 1,4 bilhão do seu faturamento real. O estudo aponta ainda uma corrosão severa do preço médio do livro. Considerando somente as vendas a mercado e trazendo a valores de 2017, o preço médio do livro caiu de R$ 26,74 para R$ 17,77, perda real de 34% nos últimos 12 anos. Nesse quesito, chama a atenção o subsetor de Obras Gerais, no qual o preço médio, já corrigido pela inflação, caiu 44%.

Outro estudo, o Painel das Vendas de Livros no Brasil, realizado pelo SNEL e pela Nielsen, aponta que o varejo vem se recuperando nos últimos meses e crescendo acima da inflação desde fevereiro de 2017. Mas, pelo menos para os dois principais players do setor no Brasil, isso não foi ainda suficiente para debelar as suas mazelas.

A Saraiva se mexeu, reescalonou as suas dívidas, diminuiu de tamanho, fechando 19 lojas e demitindo 700 funcionários recentemente, mas nada disso surtiu o efeito esperado. Tentou, junto a seus credores uma recuperação extrajudicial, medida menos drástica para a qual a empresa precisaria ter apoio de pelo menos 66% dos seus credores. O que não aconteceu depois de o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) dizer preferir a transparência da RJ.

Agora, assim que o juiz responsável acatar o pedido de recuperação, será nomeado um administrador judicial e a Saraiva terá 60 dias úteis para apresentar seu plano de recuperação judicial que deverá conter discrição pormenorizada dos meios de recuperação a ser empregados e seu resumo, demonstração de sua viabilidade econômica e laudo econômico-financeiro e de avaliação de seus bens e ativos.

Durante o período de RJ, ficam suspensos todas as ações ou execuções contra a empresa e a Saraiva terá que apresentar relatórios mensais à Justiça demonstrando o cumprimento do plano estabelecido.

**Matéria atualizada às 11h27

[23/11/2018 09:40:00]