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Breviário de uma época
PublishNews, Paulo Tedesco, 22/12/2023
Em novo artigo, Paulo Tedesco lembra que 'nunca é tarde para reagir' e que ainda há muito a ser feito em 2024

E o ano de 2023 se encerra. E se encerra com calorões fora de época Brasil afora. Se encerra com massacres injustificados na Faixa de Gaza. Se encerra com vítimas diárias de armas de fogo nas mãos de quem jamais deveria ter armas de fogo. Se encerra com a pior espécie de neoliberalismo na vizinha Argentina, o neoliberalismo de apressados saque e roubo, como foi do Collor e na Grécia, anos atrás.

Nosso mercado editorial ainda aparenta estar combalido. Ainda temos recuos atrás de recuos, a se ver dados de pesquisas. Ainda se pena nas mãos de multinacionais predadoras e grandes vendedores, como as Americanas, não pagando suas dívidas e entrando em recuperação judicial. E, assim, arrastando o caixa de boas editoras.

Mas não sejamos pessimistas, se o ano se encerra, um novo inicia, neste ciclo do eterno retorno, como bem dizia Mircea Elliade. E a paz retornará também celebrando o primeiro ano do novo governo federal brasileiro. Um ano de reconciliação e de retomadas. Um ano com a Lei Paulo Gustavo começando a impulsionar os pequenos agentes culturais brasileiros. Um ano conquistando a tão sonhada reforma tributária e investimentos em infraestrutura.

Sou da ideia de que nunca é tarde para reagir. Ainda que a reação não se conclua antes da debacle definitiva, ela sempre deitará sementes para o amanhã. E sim, ao contrário da maioria dos países empobrecidos do agora chamado Sul Global, somos uma das únicas economias com números espantosamente grandes, e grandes o suficiente para reverter o quadro de descalabro que uma pandemia, associada a um governo inepto e corrupto como o anterior, deixaram.

É preciso mais do que nunca criatividade, reinvenção. E obviamente, sem capital de investimento, como do fundamental BNDES, nenhum negócio ou cultura prospera. Mas para atrair investimento, além da vontade política dos bancos e agentes, são necessários planos de crescimento, projetos que inovem e enfrentem uma realidade nada favorável a ideias e negócios arraigados em antigos modelos, infelizmente.

O leitor e a leitora amigos podem achar que exagero, ah, o autor deste artigo está em crise, as coisas até que estão andando, não é para tanto. Eu não tiraria a razão de quem pensa assim, não mesmo. Mas só quem viu e acompanhou atentamente ao longo dos recentes quase 50 anos, todas as mudanças, pode falar. O fenômeno digital movido pelo mercado financeiro, para ficarmos num exemplo, tornou-se espécie buraco negro da cultura planetária, absorvendo e devorando tudo o que pudesse, nada lhe escapando.

Os únicos que não deixaram o fenômeno digital tomar conta negativamente de suas culturas, dragando para grandes conglomerados toda e qualquer iniciativa artística, foram aqueles, a exemplo de China e mais alguns, que impuseram limites e barreiras à sanha acionária e predatória. E por este caminho tento encerrar este 2023, com um pedido para lutarmos pelas novas ideias, por mais incentivos públicos ao mundo do livro, e pela regularização das mídias digitais no Brasil. E aqui começo a campanha, pedindo ao leitor sua adesão nos comentários da página: O livro não é caro, caros são os juros da economia. Diga não à exploração dos juros, por mais investimentos na cultura brasileira.

Feliz 2024, que muitas leituras e lançamentos aconteçam.

Paulo Tedesco é escritor, editor e consultor em projetos editoriais. Desenvolveu o primeiro curso em EAD de Processos Editorais na PUCRS. Coordena o www.editoraconsultoreditorial.com (livraria, editora e cursos). É autor, entre outros, do Livros Um Guia para Autores pelo Consultor Editorial, prêmio AGES2015, categoria especial. Pode ser acompanhado pelo Facebook, Twitter, Instagram e LinkedIn.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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