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Focar no formato da história?
PublishNews, André Palme, 24/03/2022
Em nova coluna, André Palme fala da importância (ou não) dos formatos e nomes dos arquivos de áudio para entretenimento

Esse é um papo que não é novo e nunca fica velho: o formato deveria ser tão valorizado quanto o conteúdo? Não sei, mas sei que volta e meia voltamos pra isso.

Falo disso já faz tempo, primeiro com o e-book e nos últimos anos com o audiobook. Lembro inclusive que escrevi um artigo sobre isso quando a Cosac Naify decidiu picotar parte de seu estoque em 2016, o artigo pode ser conferido nesse link. O artigo basicamente defendia que, como editores e agentes da cultura, não vendemos papel, vendemos histórias.

Vivo essa questão no meu dia a dia e na última semana esse assunto tem sido também pauta de discussões no mercado, fruto do aumento do preço do papel e o quanto isso prejudica as tiragens físicas.

Minha opinião é que o formato é um meio para que grandes histórias cheguem a pessoas, uma ponte e, pra mim, quanto mais formatos melhor. O que potencialmente significa uma oportunidade adicional de impactar um leitor ou um ouvinte.

Mas hoje quero me concentrar no que temos tido de questões no áudio. Principalmente sobre o podcast, que tem sido usado por muita gente para chamar qualquer conteúdo que pode ser ouvido mas não é música.

Ao mesmo tempo que isso facilita o entendimento do que é um conteúdo em áudio - um formato que apesar de não ser novo, virou escolha de entretenimento digital faz pouco tempo -, a gente acaba muitas vezes por considerar que podcasts e audiobooks, por exemplo, estão muito distantes, e isso não poderia ser menos verdade... São todas histórias para ouvir.

Mas isso me faz pensar que podcast no Brasil virou o nome oficial e familiar de tudo que pode ser ouvido mas não é música, algo como o Bombril ou a Gillete do áudio. Já vi conceitos muito diferentes sobre o que é um podcast. Tipo: se tiver propaganda é podcast, se não tiver é audiobook; se é grátis é podcast, se é pago, não... Não concordo com nenhuma delas.

Existem, sim, diferenças de estrutura narrativa e na maneira como você entrega o conteúdo, seriado ou de uma só vez, mas no fundo o ouvinte quer saber mesmo se a história é boa... Se for ele vai ouvir. Até porque um audiobook pode ser ouvido em capítulos e um podcast pode ser maratonado.

De qualquer modo, vou colocar aqui como na indústria temos diferenciado esses conteúdos:

PODCASTS: conteúdos tipicamente mais curtos (em média uma hora) que são dividido em episódios e temporadas. Dentro deste formato existem categorias como mesacast, notícias, ficção, true crime etc. Pode ter uma ou mais vozes.

AUDIOBOOKS: conteúdos mais longos (em média oito horas) para serem consumidos emum único conteúdo, dividido em capítulos. Audiobooks podem ser parte de uma série com mais de um título. Dentro deste formato existem categorias como fantasia, romance, biografias, negócios etc. Normalmente, uma voz.

AUDIODRAMA: conteúdos com mais interpretação, efeitos sonoros e trilhas musicais. São conteúdos que têm duração mais próxima do podcast, com uma ou duas horas. Dentro deste formato existe uma concentração em conteúdos de fantasia e ficção, mas também existem adaptações de peças de teatro e grandes reportagens.

AUDIOSERIES: mais do que um formato, uma maneira de organizar o conteúdo porepisódios e temporadas, bem semelhante a séries em vídeo.

Podcast, Mesacast, True crime, Audiobook, Notícias, Audiodrama, Podcast de Ficção, Audioserie... São muitos nomes! Mas a verdade é que tudo isso é áudio entretenimento. Claro que existem diferenças de narrativa entre uma história de ficção com oito horas de duração e um bate-papo entre três pessoas que dura uma hora. Existem também particularidades de paisagem sonora, sound design etc.

Acho que poderíamos definir que ouvir é mais importante do que o nome técnico do formato, assim como ler é mais importante do que o formato usado para isso. Mas acho que ainda estamos no início dessa jornada por aqui. E essa definição vem muito das plataformas também: o que o Spotify chama de podcast de ficção, a Storytel chama de audiodrama. A rigor, são conteúdos de ficção em áudio.

Esses dias ouvi um podcast com profissionais da indústria. Todos foram perguntados sobre oque entendiam como o futuro do podcast. Todos foram unânimes em dizer que: narrativas mais longas em áudio são uma opção bem interessante. Isto já existe, chama-se audiobook. Mas é interessante perceber como ainda são tratados como mundos diferentes.

Meu sonho de consumo é que a gente chegue em um momento no áudio onde as pessoas coloquem seus fones de ouvido simplesmente para ouvir uma história, independente do formato ou do nome técnico. Porque quando falamos do vídeo, ninguém diz “ah, hoje eu tô de boa, vou ficar em casa vendo um filme feito para o cinema filmado em 4K de curta duração na Netflix”... Você simplesmente diz: vou assistir alguma coisa.

Por isso, da mesma maneira que podemos ajudar os ouvintes a entrar em contato com novas narrativas no áudio desmitificando nomes e formatos, podemos também fazer isso para os leitores com o e-book e o livro físico porque, do mesmo jeito que o áudio, no fim das contas são histórias.

E você, acha que o formato importa mais que o conteúdo? Acha que devemos oferecer o conteúdo no maior leque possível de opções ou não? Acha que nomes populares ajudam na disseminação de um formato e no aumento do seu consumo?

Palme é um executivo da cultura e do entretenimento com +10 anos de experiência na liderança de projetos que envolvem conteúdos multi formatos, tecnologia e streaming; além de empreendedor, professor, mentor e colunista. Nos últimos anos liderou projetos que somam mais de 10 mil horas de conteúdo em áudio, entre audiobooks, podcasts e audioseries.

Atualmente é CMCO (Chief Marketing & Content Officer) no Skeelo e atua também como empreendedor, consultor, professor e podcaster, além de colunista e palestrante.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews

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