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Cultura e democracia, agora é a hora
PublishNews, Paulo Tedesco, 22/03/2022
Em nova coluna, Paulo Tedesco propõe defesa do bem público e da liberdade intelectual em tempos de eleição e pandemia

Quando a democracia funciona, a exemplo de empresas, entidades e órgãos públicos, todo o resto também funciona. Se houver no comando um cargo eletivo, ou seja, onde se é eleito por um determinado período de tempo para gerenciar ou governar, a responsabilidade, me parece, é ainda maior, afinal a governança diz respeito a algo que não é seu, e que pertence àqueles que o elegeram, e que continuarão no mesmo lugar quando da alternância no poder. Quem sai sempre deixa um legado.

Esse compromisso é algo maravilhoso da democracia, e, precisamente por isso, quando há golpes, quando há mudanças bruscas e totalmente à revelia dos eleitores ou daqueles com poder da escolha, a vida de todos é colocada em risco. E fica fácil perceber um mundo à deriva, nesse caso, sempre sujeito à lei do mais forte e ao malandro da ocasião, o que abre as portas ao caos e à violência em todos os níveis de um país ou simplesmente de uma entidade.

O Brasil, portanto, passou e ainda passa por uma infeliz frequência de golpes e contragolpes. A intenção deste artigo, porém, é pedir a união e a boa articulação do mundo editorial e da cultura como um todo, mas, sobretudo, pedir a consciência de que a hora é essa. Agora é a hora de nos articularmos para a defesa da boa cultura e da educação de qualidade, como deve ser e como pauta política nesse 2022 de eleições quase gerais, ainda em meio à pandemia, que promete perdurar pelo menos até 2023.

Estamos inarredavelmente num impasse. É nítido. A onda conservadora retrógrada que tomou o poder nas últimas eleições não apresentou nenhuma solução de monta para a vida dos brasileiros. Pelo contrário, enterrou perspectivas, liquidou estatais e, pior, desarticulou as principais conquistas educacionais e culturais que resistiam ao longo dos anos. Somente a transformação do Ministério da Cultura em uma mera secretaria, por si, é um desastre e tanto.

Não há necessidade de mais pautas e linhas do que a defesa do bem público e da liberdade intelectual, como motes para o setor da cultura e do editorial. A defesa do bem público e dos órgãos essenciais à superação do desastre atual e da liberdade intelectual, pressupõe ser contra a censura, contra o ódio e o preconceito. Mas, principalmente ser a favor da bibliodiversidade e do incentivo à educação pública e gratuita, para que os sonhos e os desejos de todos sejam bem acomodados e respeitados, sem discriminação nem atropelos no comando do grande aparato governamental brasileiro.

Paulo Tedesco é escritor, editor e consultor em projetos editoriais. Desenvolveu o primeiro curso em EAD de Processos Editorais na PUCRS. Coordena o www.editoraconsultoreditorial.com (livraria, editora e cursos). É autor, entre outros, do Livros Um Guia para Autores pelo Consultor Editorial, prêmio AGES2015, categoria especial. Pode ser acompanhado pelo Facebook, Twitter, Instagram e LinkedIn.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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