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Evolução editorial, do ponto de vista de um ‘homem paleolítico’
PublishNews, Paulo Tedesco, 23/07/2021
Em nova coluna, Paulo Tedesco celebra a pós-modernidade, simbolizada, na sua opinião, pela impressão por demanda

Oficialmente comecei no mundo gráfico no ano de 2005, na extinta e bem conhecida, à época, Gráfica e Editora Nova Prova, de Porto Alegre. Antes, porém, tive boa experiência nos EUA. Lá, por quase cinco anos, colaborei com revistas e jornais da comunidade brasileira na Flórida. Cuidava justamente da rotina de criação e impressão gráfica, além de sempre escrever colunas com regularidade. Sim, esse vício do escrever me é quase paleolítico.

Sou da pedra lascada, não há dúvida. Mas, a minha pedra era a dos fotolitos, sua revelação, o corte e a montagem. E depois os tradicionais corre-corre com erros ou problemas durante o processo de impressão. Mas é bom dizer que migrei ao meu neolítico e ao meu moderno quando passei pelos disquetes, CDs e finalmente a tal CTP [sigla para computer to plate, favor não confundir com a categoria de livros científicos, técnicos e profissionais]. Essa última, que literalmente iniciava um mundo novo, ao receber direto dos computadores da pré-impressão as informações para uma chapa de zinco, que seguia rápida para as impressoras.

Mas não me demorei na modernidade, pois a pós-modernidade se avizinhava e a impressão digital em máquinas digitais, para não mais só gerar provas de livros, mas para imprimir livros, acontecia poucos anos depois de que me iniciara no mundo gráfico.

E dessa impressão digital, com acabamentos (leia-se cola e eventualmente costura), que é bom falar, falar e celebrar. Gente, que coisa fantástica é esse momento! Podemos imprimir um único exemplar e podemos também imprimir 50 ou 100 ou 200, e por aí vai, a custos módicos e qualidade das melhores.

Pode parecer bobo para o editor experimentado, que vive de cifras enormes, agora, para o pequeno editor e para quem se autopublica, ou mesmo para quem precisa para uma determinada situação (relatórios financeiros e estratégicos ou alguma ópera e seus antigos livretos, por exemplo), a impressão em baixa tiragem de qualidade e preços acessíveis, é, sem dúvida, uma benção.

E de benção poderíamos falar também sobre a impressão por demanda ou unitária, na sigla em inglês, o POD. Que também é da casa da pós-modernidade editorial, e que, até onde sei, nas economias mais robustas de consumo livreiro, como a Comunidade Econômica Europeia, a impressão por demanda está refazendo o mapa das vendas de lançamentos e projetos editoriais até das grandes editoras.

De minha parte ainda não encerrei carreira, nem poderia, as contas sempre chegam, não adianta. Mas eu celebro esse momento incrível e porque a bibliodiversidade pede momentos como esse: em que a memória e a produção intelectual de muitos pode não somente ser preservada com a impressão em papel, como igualmente fazer páreo com o livro digital, o conhecido e-book, que veio, este, inequivocadamente para tomar conta do pedaço. Isso, nop encanto, é uma outra história, para outra coluna.

Paulo Tedesco é escritor e consultor em projetos editoriais. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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