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Temos que aprender sobre livros
PublishNews, Paulo Tedesco, 23/06/2021
Paulo Tedesco, depois de um tempo ausente, reassume a sua coluna no PN falando sobre novos formatos do livro

Hoje, saber ler ou mesmo ter acesso a bibliotecas não basta. É preciso saber mais: mais sobre o livro, sobre como e o que ler, sobre como e porque também publicar, e como e porque se envolver com o mundo editorial.

É urgente, portanto, que saibamos e compreendamos, não somente os valores da ancestralidade do objeto livro e da leitura, como devemos nos atualizar sobre os dilemas e as possibilidades mais atuais para o leitor. Para quem precisa ou sabe que irá precisar do livro, como este é entendido na atualidade, o aprendizado é essencial.

Temos, afinal, diferentes e múltiplos formatos de acesso ao conteúdo, que até pouco era restrito basicamente ao papel. E serve para todo o tipo de veículo conhecido. Jornais, revistas, folhetins, livros de qualquer formato e tipo e, por incrível que pareça, até bulas farmacológicas e receitas para medicamentos de uso controlado, entre outros.

O curioso para os antigos, e me incluo nesses, é que na nova era do digital há uma espécie de desdobramento dos formatos de acesso ao conteúdo. Não basta mais publicar um artigo de opinião num blog ou website e depois juntar tudo num livro. É preciso também desdobrá-lo em redes sociais, em ambientes e grupos digitais dentro de WhatsApp e Telegram. E, para isso, se faz necessário o aprendizado na manipulação dos tais ambientes, e de como fazer a tal “arte” para publicar da melhor e mais eficaz maneira.

Mas é bom ir um pouco mais adiante e falar também de outros formatos de acesso ao conteúdo como o audiolivro, que se tornou febre em alguns mercados. E ir além: por que não os assistente virtuais como Alexa, Siri e o Google? Todas elas ampliam as possibilidades do livro e são grandes facilitadores não só para se ouvir livros narrados, como ainda interagir com eles, encurtando de vez o caminho entre o ouvinte-leitor e o conteúdo dos livros e seus desdobramentos.

Ainda, e não menos óbvio, temos que estender o assunto para livros com os sistemas Braile e o SW (sign writing), este muito indicado para quem domina a língua brasileira de sinais (Libras) e precisa do sistema para e comunicar. Associar o livro com a linguagem SW com vídeos digitais e no Braile com audiodescrição pode ser explosivamente bom para o leitor e a editora. E reforço aqui o caso do SW, que considero revolucionário e ainda pouco explorado, afinal a versão gráfica da linguagem de sinais realizada com as mãos, é uma poderosa ferramenta para a definitiva inclusão do leitor surdo-mudo. Não à toa, dia após dia, o sistema vem ganhando espaço entre os profissionais preocupados com a inserção do mundo surdo ao cotidiano.

Portanto, a distância entre escrever um livro à mão e recolher os frutos da leitura, não está mais limitado a folhas de papel, caneta, carbono, editor e a tipografia e seus acabamentos, tampouco à divulgação do livro por e-mails e opiniões críticas em veículos de comunicação tradicionais, e ainda menos à espera pela leitura iluminada de alguém famoso que projete uma obra.

Tem muita novidade no caminho até o leitor e é urgente aprender ao menos um pouco sobre tudo e o quanto antes, pois deixar o legado dessa geração da virada do milênio é mais do que construir cidades e monumentos, é registrar de maneira duradoura e com o maior alcance possível a impressionante transformação que vivemos.

Paulo Tedesco é escritor e consultor em projetos editoriais. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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