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'Audiobooks' & 'livres audios': no fim, o crime compensa
PublishNews, Carlo Carrenho, 22/03/2019
Uma breve comparação de dados sobre o consumo de audiolivros na França e no Reino Unido

Oliver Beldham apresenta dados sobre o mercado de audiolivros no Reino Unido, durante a Quantum Conference em Londres | © Lima Andruška
Oliver Beldham apresenta dados sobre o mercado de audiolivros no Reino Unido, durante a Quantum Conference em Londres | © Lima Andruška
Em tempos de Brexit, um olhar comparativo dos mercados do livro da França e do Reino Unido pode ser bastante interessante. E uma feliz coincidência de eventos nas últimas duas semanas permite uma visão analítica de mercado de audiolivros nos dois países. Na Conferência Quantum, que aconteceu no último dia 11, durante a Feira de Londres, o executivo Oliver Beldham, da Nielsen, fez uma apresentação sobre “O Mercado de Audiolivro em 2018” onde trouxe dados bastante interessantes sobre o mercado bretão. E, nesta semana, foi divulgado na França a nona edição do Barômetro do Livro Digital, iniciativa das organizações Société Française des Intérêts des Auteurs de l’Écrit (Sofia), Syndicat National de l'Édition (SNE) e La Société des Gens de Lettres (SGDL).

Um dos slides apresentados por Oliver Beldham, da Nielsen, na Quantum Conference
Um dos slides apresentados por Oliver Beldham, da Nielsen, na Quantum Conference

Entre os dados apresentados pela Nielsen sobre o audiolivro no Reino Unido, destacam-se:

  • Crescimento de 3,5% em valor dos audiolivros consumidos no período de 12 meses até novembro de 2018, se comparado aos 12 meses anteriores. No mesmo período, o mercado geral inglês teria crescido 0,4%, apontando aumento relevante do market share dos livros para ouvir.
  • Em volume, as vendas de audiolivros cresceram 13% ano a ano e 128% se comparadas a 2014.
  • A venda de audiolivros em formato físico vem declinando, enquanto todo o crescimento do áudio vem do formato digital e de streaming, o que resulta em 76% dos livros consumidos serem neste formato.
  • O consumo via assinaturas já é utilizado hoje por 45% dos compradores de audiolivros ingleses.

Já a pesquisa francesa é bastante focada em entender o consumidor de audiolivros:

  • Entre a população acima de 15 anos, 14% já escutaram um audiolivro e outros 7% têm a intenção de fazê-lo. Na faixa de 15 a 24 anos, o primeiro número sobe para 21%.
  • Ainda assim, trata-se de um mercado emergente, pois 51% dos usuários franceses de audiolivros não ouviram nenhum livro no último ano.
  • O hábito tampouco está muito alastrado: só 5% dos usuários da França ouviram mais que 20 livros no último ano; e apenas 24% deles escutaram um livro no último mês enquanto 70% leram um livro físico.
  • As bibliotecas públicas francesas têm um papel crucial no consumo de audiolivros, pois enquanto 34% dos usuários preferem comprar audiolivros digitais, uma parcela semelhante, de 30%, prefere emprestá-los em bibliotecas. O empréstimo entre particulares ficou com 17% da preferência, enquanto a compra de audiolivros físicos alcançou apenas 14%, coincidindo com a tendência apresentada no mercado inglês.

De forma mais direta, podemos comparar os aparelhos preferidos pelos audioleitores franceses e ingleses. No Reino Unido, por exemplo, 71% dos usuários utilizam seus smartphones, 36% seus tablets e 28% seus laptops, e nos últimos dois anos há forte tendência de crescimento dos smartphones em detrimento dos outros dois. Em seguida aparecem iPods com 15%, aparelhos automotivos com 16%, e-readers com 12%, assistentes digitais com 11% e wireless speakers com 10%.

Já na França, 43% do usuários utilizam seus smartphones, 33% seus tablets e 31% seus laptops, o que não é um cenário muito diferente do Reino Unido. E 10% dos audioleitores franceses também já utilizam assistentes digitais para ouvir seus livros.

Outra comparação mais direta que pode ser feita entre os dois países europeus refere-se aos gêneros consumidos pelos usuários. Na França 30% dos audioleitores ouvem romances policiais, seguidos por romances contemporâneos com 23%, romances clássicos com 22%, livros de ensino secundário com 13% e audiolivros de história com 13%. No Reino Unido, romances policiais e thrillers também são o gênero mais consumido, escutado por 18% dos usuários. A seguir vêm ficção geral com 13%, infantil com 12%, ficção científica e fantasia com 8% e psicologia popular com 3%.

Finalmente, a pesquisa apresentada pela Nielsen traz um dado curioso. Quando os usuários ingleses foram questionados sobre o que eles não gostavam nos audiolivros ou o que os impedia de consumi-los mais, 21% deles apontaram o fato de não gostarem da voz do narrador e 20% reclamaram do preço. Mas o mais interessante é que 19% simplesmente declararam preferir os livros tradicionais. Seria no mínimo divertido saber qual seria este número na França.

Carlo Carrenho é o fundador do PublishNews. Formado em Economia pela FEA-USP, especializou-se em Edição de Livros e Revistas no Radcliffe Publishing Course, em Cambridge (EUA). Atualmente é advisor da Ubook, Meta Brasil e da BR75. Como especialista no mercado de livros, já foi convidado para dar palestras e participar de mesas em países como EUA, Alemanha, China, África do Sul, Inglaterra e Emirados Árabes, entre outros.

É co-coordenador do curso MBA Book Publishing, da Casa Educação em São Paulo, depois de coordenar por diversos anos o curso de pós-graduação da FGV-RJ sobre o negócio do livro. Sempre atento aos novos modelos de negócio e às mudanças tecnológicas, Carlo possui um de seus focos na questão dos livros digitais e segue com afinco o que acontece no setor digital no Brasil, tanto que é autor do capítulo brasileiro do livro Global eBook: a report on market trends and developments.

Carlo é paulista, morou no Rio, e atualmente vive em Estocolmo. É cristão, mas estudou em escola judaica. É brasileiro, mas ama a Suécia. Enfim, sua vida tende à contradição. Talvez por isso ele torça para o Flamengo e adore o seriado Blue Bloods.

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