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Spotify e Storytel se aproximam, apesar do distanciamento social
PublishNews, Carlo Carrenho, 20/05/2021
Teriam as duas plataformas de assinatura de conteúdos em áudio dado o primeiro passo para um relacionamento mais estável?

Stoytel e Spotify anunciam parceria | Montagem cortesia da Booktugg
Stoytel e Spotify anunciam parceria | Montagem cortesia da Booktugg
A sede da Storytel fica a penas 1,1 km de distância do principal escritório do Spotify em Estocolmo. É verdade que, no meio do caminho, existem três pontes, mas são apenas seis minutos de bicicleta entre um ponto e outro. Portanto, quem mora na capital sueca e está familiarizado com o mercado de assinatura de audiolivros não pode deixar de ter o seguinte pensamento: “O Spotify e a Storytel não deveriam ficar juntos?”

Bem, as empresas ainda estão longe de um compromisso sério, mas na manhã desta quinta-feira (20), anunciaram um acordo de parceria bem interessante. Segundo o comunicado enviado à imprensa, “no fim de 2021, os assinantes da Storytel poderão desfrutar da sua biblioteca de audiolivros no Spotify, vinculando as duas contas”.

“Queremos que todos tenham acessos a grandes histórias e, hoje, a Storytel oferece mais de 500 mil audiolivros em sua base global em 25 mercados”, disse Jonas Tellander, fundador e CEO da Storytel. “A parceria com o Spotify torna a incrível experiência de ouvir um audiolivro mais fácil de acessar para todos os nossos clientes, ao mesmo tempo que aproveitamos a oportunidade de alcançar novos públicos que estão no Spotify hoje”, completou.

“O objetivo do Spotify é ser uma plataforma única para todos os tipos de áudios: música, podcasts, conversas ao vivo e, agora, por meio dessa parceria, também de audiolivros”, comentou Courtney Holt, chefe global de estúdios do Spotify. “Ao atualizar a plataforma de acesso aberto do Spotify, a Storytel será capaz de entregar seus audiolivros premium para seu público usando a melhor plataforma do Spotify, sem deixar de manter o controle direto sobre o relacionamento com seus clientes”, concluiu.

Este pequeno movimento é o primeiro passo para algo maior? É o equivalente a um primeiro encontro que deu certo? Essas perguntas estão sendo feitas por todos no mercado no dia de hoje. Sölve Dahlgren, um dos principais analistas do mercado de livros na Suécia, comentou sobre o assunto no Boktugg: “O que isso significa a longo prazo? É um passo em direção ao acordo que muitos especialistas acreditam ser um cenário provável: que o Spotify compre a Storytel? Ou seria uma maneira de o Spotify atrair ouvintes de audiolivros para que eles descubram que já existe um catálogo desse tipo de conteúdo na plataforma?", se perguntou Dahlgren. Para ele uma coisa é clara: a parceria pode abrir a possibilidade de a Storytel lançar o seu serviço em mais mercados, em locais onde os clientes irão utilizar o Spotify em vez da Storytel. "Existem vários cenários possíveis, sobretudo se lembrarmos que o Spotify está presente em 178 mercados e a Storytel em 25”, analisou.

E o mercado de ações também está reagindo positivamente à parceria. As ações da Storytel dispararam 17% na manhã desta quinta-feira, logo depois do anúncio. É verdade que o valor das ações vinha em tendência de queda nas últimas semanas. Ainda assim, um aumento de 17% é algo fantástico para um mercado de ações pouco volátil como o da Suécia.

É importante lembrar que o Spotify já oferece audiolivros. A plataforma, no entanto, não está preparada para eles. O que acontece hoje é que os agregadores digitais transformam os audiolivros em álbuns e faixas para carregá-los no app. Ou seja, são consumidos como se fossem música, numa experiência terrível para quem os ouve. E essa barreira é tão grande que o enorme catálogo sueco de audiolivros é quase inexistente no Spotify.

Isso está prestes a mudar, já que a plataforma musical decidiu levar os audiolivros mais a sério. Recentemente, contratou Sean McManus, até dia desses um dos principais executivos da Audible, para ser o chefe de audiolivros, lotado na sede nova-iorquina do Spotify. Essa contratação e a parceria recém-fechada com a Storytel são a prova de que as coisas serão diferentes para os audiolivros no Spotify.

E, quem sabe, já estando um tão próximo do outro, no coração de Estocolmo, os executivos das duas plataformas podem eventualmente se esbarrar (stöta på, como dizem em sueco) em um café no meio do caminho entre os dois escritórios. Provavelmente, o encontro aconteceria numa loja do Espresso House, onde você pode ter uma assinatura de café à vontade por 15 euros por mês. Movidas a café por assinatura, as duas empresas suecas podem acabar se casando – ou se tornando sambo, como se diria em sueco.

Carlo Carrenho, editor colaborador do Publishing Perspectives, é consultor editorial brasileiro radicado na Suécia e membro da consultoria Alpine Global Collective.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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