
Revisando o formato dos antigos bestiários, a autora segue pegadas felinas deixadas ao longo da história econômica do Ocidente para revelar uma animalidade no coração do marxismo. O livro chega às prateleirads na sexta-feira, 9 de janeiro próximo, marcando a estreia de La Berge no mercado editorial brasileiro.
Na orelha da obra, o antropólogo Jean Tible sintetiza o espírito do ensaio: “Em tempos de apocalipse climático e fascismo rampante, comunismo interespécies”. A partir dessa chave, La Berge constrói um arco histórico que atravessa mais de mil anos — da pré-história do capitalismo, passando por suas fases colonial e imperial, até as revoluções burguesas que o sustentaram e as revoluções comunistas que a ele se opuseram. Nesse percurso, demonstra como os gatos foram compreendidos, reiteradamente, como criaturas de viés libertário.
“Esta é menos uma história radical de uma única espécie que uma história de como os felinos e os humanos transformaram uns aos outros em seres radicais — radicalmente progressistas e radicalmente conservadores”, escreve a autora, ao articular economia política, história cultural e estudos animais. O livro explora, por exemplo, o papel simbólico dos leões — cuja bravura foi frequentemente exaltada por reis e imperadores — e a presença dos gatos selvagens em instituições financeiras, além de mapear como os felinos também inspiraram lutas, partidos e movimentos políticos.
Ao longo do ensaio, La Berge revisita conceitos centrais do pensamento de Karl Marx (1818-1883) e argumenta que os felinos ocupam um lugar relevante na maneira como marxistas imaginaram a economia. Ao perguntar o que humanos e animais devem uns aos outros em um cenário de crise ecológica global, Marx para gatos se insere diretamente nos debates contemporâneos sobre ecossocialismo. Neste bestiário radical ilustrado, a luta de classes surge, em última instância, como uma colaboração entre espécies.
Professora de inglês na City University of New York, Leigh Claire La Berge é autora de Wages against artwork e Fake work: how I began to suspect capitalism is a joke — nunca traduzidos para o português. Em Marx para gatos: um bestiário radical, Leigh consolida uma trajetória intelectual que cruza crítica literária, teoria marxista e reflexão sobre o capitalismo tardio — agora apresentada, pela Boitempo, ao público brasileiro.






