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O livro e a COP30: engajamento e compromissos para um futuro sustentável
PublishNews, Luciano Monteiro, 23/09/2025
Livro exerce função essencial no debate ambiental para além das negociações de chefes de Estado

Vista panorâmica da cidade de Belém | © Fernando Frazão/Agência Brasil
Vista panorâmica da cidade de Belém | © Fernando Frazão/Agência Brasil
Em novembro de 2025, Belém do Pará será palco da COP30, a Conferência da ONU sobre o Clima, tema que eu já comentei neste espaço, mas que acredito que seja interessante voltar sob o olhar do engajamento setorial. Pela primeira vez, o encontro acontece na Amazônia — um território que simboliza tanto os desafios quanto as soluções para a crise climática. Problemas logísticos à parte, a expectativa é que governos, empresas, organizações sociais e movimentos da juventude estejam presentes, trazendo compromissos concretos para limitar o aquecimento global e proteger a biodiversidade.

Mas onde entra o setor editorial nessa história? Nossas possibilidades são múltiplas. O livro tem uma função essencial nesse debate: engajar a sociedade, dar voz a diferentes perspectivas e propor compromissos que vão além das negociações entre chefes de Estado.

O setor editorial sempre cumpriu um papel de mediação entre conhecimento e sociedade. A ciência só se transforma em cultura quando circula em linguagem acessível, quando chega às salas de aula, às livrarias, às bibliotecas comunitárias. A COP-30 é uma oportunidade de renovar essa missão: o livro tem – e muito — potencial para ser o elo entre a complexidade da agenda climática e a vida cotidiana das pessoas.

Isso pode vir, por exemplo, de obras que traduzam a linguagem científica para públicos diversos, ou daquelas que sensibilizam e ajudam a formar a consciência para as pautas da sustentabilidade. Mas chega também ao dar espaço a narrativas locais. Povos indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas guardam saberes fundamentais para a preservação da Amazônia. Incorporar essas vozes em catálogos editoriais, coleções e projetos de leitura é uma forma de reconhecer que a sustentabilidade também é cultural e social, não apenas ambiental.

Além disso, programas de leitura, clubes do livro, feiras literárias e até edições digitais podem ser usados como veículos para aproximar cidadãos do debate que vai ocupar o mundo em Belém.

Algumas propostas possíveis passam por ampliar o uso de papel certificado (FSC, PEFC) e redução de plásticos; minimizar o desperdício, melhorar a eficiência energética e a logística. E, ainda, publicar dados de sustentabilidade do setor, alinhados a padrões internacionais (GRI, SBTi, ISSB). Por último, a aposta em obras e projetos que ajudem a sociedade a entender e agir diante da crise climática.

Iniciativas internacionais já apontam caminhos. Na IPA, a Associação Internacional de Editores, a iniciativa Publishing 2030 Accelerator traz um grande painel de compartilhamento de práticas e busca pela neutralidade climática. No Brasil, algumas casas editoriais têm iniciativas pontuais, mas ainda falta um esforço coordenado e setorial. A COP30 pode ser o momento de dar esse passo coletivo.

Um chamado à ação

Belém 2025 será lembrada não apenas pelos acordos diplomáticos, mas também pela capacidade de setores diversos se mobilizarem em torno de uma agenda comum. O livro não é neutro nesse processo. Ele pode ser a voz que traduz ciência em cultura, que transforma dados em histórias, que inspira compromissos em ações reais.

A COP30 será um espaço de pactos. Setores inteiros da economia chegarão a Belém com metas claras. Por que o editorial deveria ficar de fora? Proponho pensar em um “manifesto editorial da sustentabilidade”, com compromissos que unam editoras, gráficas, livrarias e fundações.

Se a Amazônia é o coração do planeta, cabe ao setor editorial ser uma de suas vozes. A COP30 é a chance de provar que o livro não é apenas um produto cultural, mas uma ferramenta estratégica para o engajamento social e para a construção de compromissos duradouros.

Que o setor editorial chegue a Belém com coragem de assumir seu papel. E que, no futuro, possamos olhar para trás e dizer: o livro também ajudou a escrever o capítulo mais importante da sustentabilidade no Brasil e no mundo.

Luciano Monteiro é diretor corporativo global de Comunicação e Sustentabilidade do grupo educacional Santillana, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Grupo de Editores Iberoamericano.

**Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews


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