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Responsabilidade social corporativa no mercado editorial
PublishNews, Luciano Monteiro, 24/07/2025
Estabelecer parcerias com ONGs especializadas em meio ambiente e questões sociais pode trazer resultados significativos

Colaboração entre editoras e ONGs é uma estratégia que pode reforçar compromisso com as pautas sociais e ambientais | © Freepik
Colaboração entre editoras e ONGs é uma estratégia que pode reforçar compromisso com as pautas sociais e ambientais | © Freepik
Não é novidade que o setor editorial brasileiro, como formador de opinião e cultura, possui um enorme potencial para contribuir significativamente com a construção da agenda nacional para o enfrentamento dos desafios sociais no país e até com a mitigação dos riscos climáticos. Afinal, é um setor que tem os instrumentos para formar e sensibilizar a sociedade. Livros e conteúdos editoriais têm uma influência direta na formação de valores, opiniões e comportamentos da sociedade. Mas como podemos ir além?

A colaboração entre editoras e organizações não-governamentais (ONGs) é mais uma estratégia que pode reforçar nosso compromisso com as pautas sociais e ambientais, capaz de ampliar o impacto positivo que é gerado pelo livro e leitura, através da conscientização, educação ambiental e promoção da justiça social.

Em um cenário global marcado por emergências climáticas crescentes e profundas desigualdades sociais, o papel das empresas tem sido cada vez mais questionado e reavaliado. A responsabilidade social corporativa, em suas muitas dimensões e portes adequados ao tamanho de cada empresa, geralmente nos oferece uma maneira concreta de exercer mudanças efetivas.

Para as companhias que atuam no setor editorial, essa reflexão ganha uma dimensão especial. Estabelecer parcerias com ONGs especializadas em meio ambiente e questões sociais pode trazer resultados significativos. Há bons exemplos em diversas partes do mundo.

No Brasil, parcerias entre editoras e instituições ambientais resultaram em publicações educativas e ações de sensibilização voltadas ao público infantil e juvenil. Há ações sobre consumo consciente, materiais didáticos específicos abordando sustentabilidade e mudanças climáticas integrados ao currículo escolar. Na área social, existem ótimos exemplos de apoio a bibliotecas comunitárias ou formação e mediação de leitura. Há ainda programas de voluntariado corporativo, levando nossos colaboradores a conhecer e atuar de forma mais próxima aos públicos que precisam ser atendidos.

Para estabelecer colaborações eficazes e sustentáveis, é essencial que as empresas e ONGs definam objetivos comuns claramente alinhados com suas missões institucionais. Isso inclui identificar os impactos desejados pela parceria, sejam eles sociais, ambientais ou educacionais; garantir o alinhamento ético e de transparência entre as organizações parceiras; e desenvolver projetos alinhados.

No enfrentamento das questões sociais, essas parcerias podem promover a inclusão em sentido amplo, ao alcançar públicos com menor acesso à educação e cultura. Essas parcerias tendem a gerar capacitação de populações vulneráveis, contribuir para sua autonomia econômica e social, além de levar a leitura a comunidades com pouco acesso à cultura e educação formal.

Essas colaborações também trazem benefícios estratégicos importantes para as editoras, como o fortalecimento reputacional, a conquista de maior confiança e fidelidade dos consumidores, o acesso a novas audiências e a oportunidades para inovação e aprendizado organizacional, decorrentes da interação com especialistas das ONGs.

Contudo, existem desafios que precisam ser considerados, como garantir a sustentabilidade financeira dos projetos, desenvolver métodos claros de mensuração dos resultados e impactos para assegurar transparência e eficácia das ações, e garantir o engajamento interno e externo das equipes e lideranças das empresas parceiras.

As parcerias entre editoras e ONGs ambientais e sociais representam uma oportunidade única para potencializar o impacto positivo no Brasil. Através dessas colaborações, é possível não apenas contribuir para a mitigação dos riscos climáticos e o enfrentamento das desigualdades sociais, mas também fortalecer o papel do setor editorial como agente de transformação social e ambiental, promovendo uma sociedade mais justa, consciente e sustentável.

Luciano Monteiro é diretor corporativo global de Comunicação e Sustentabilidade do grupo educacional Santillana, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Grupo de Editores Iberoamericano.

**Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews


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