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E toca o telefone 13
PublishNews, Marisa Moura, 03/03/2021
Marisa Moura dá continuidade à saga da funcionária misteriosa que atende o telefone na agência literária fictícia

Há pouco mais de seis anos, Marisa Moura iniciou a série de crônicas E toca o telefone, na qual uma misteriosa funcionária de uma agência literária atende o telefone da empresa. Do outro lado da linha estão os mais diversos perfis de autores: os consagrados, os aspirantes, autores que procuram por dicas, soluções, autores irritados e até editores cujo ego é maior do que o império que ele construiu. Na crônica dessa semana, quem liga para a agência é uma autora ansiosa e que espera uma resposta dos editores sobre o seu livro.

— Agência...

— Oi. Que bom que foi você quem atendeu. Tudo bem por aí?

— Tudo e você como está?

— Nervosa. Histérica. Preocupada. Ansiosa.

— Epa. Que houve? Alguma problema de saúde?

— Não. Pode me ouvir?

— Sempre posso. Conta tudo.

— Você sabe que passei 12 meses escrevendo meu último livro, não sabe?

— Claro. Participei quase linha a linha dele.

— Exagerada.

— Tem razão, foi capítulo a capítulo. E não gostei nada nada que você deixou ele trair a mocinha do livro.

— Já falamos muito sobre essa traição. Estou preocupada com a resposta das editoras. Estou quase tendo um treco no coração.

— Por que?

— A agente me falou que as editoras já estão com o meu inédito.

— E?

— E! Como assim! Ninguém respondeu ainda. E já deu tempo de lerem o texto mais de 20 vezes. É um texto de 150 mil caracteres com espaço. Um livro de no máximo 200 páginas.

— Desde que quando os editores estão com seu inédito?

— UMA SEMANA! Fala se não é muito tempo?

— A sua semana tem cinco ou sete dias?

— Quem não entendeu fui eu agora.

— Pensa comigo. Se tem sete dias, você pensa que editor trabalha de fim de semana também. Se tem cinco dias, para você o editor trabalha de segunda a sexta. Entendeu?

— Bom, mesmo cinco dias, daria para ter lido cinco vezes. Uma vez por dia.

— E você acha que só tem o seu texto para ler na editora?

— Você está muito chata hoje. Tchau. Bipe. Bipe.

— Ai, ai, ai essas escritoras... Sempre elas.

A formação de Marisa Moura começou pela graduação em Letras na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, onde assumiu sua paixão pela literatura, da criação à produção. Marisa sentia necessidade de aprofundar-se em Marketing Cultural para Literatura Brasileira, o que fez no mestrado da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). Com a ideia fixa de trabalhar com literatura brasileira, abriu a sua agência, a Zigurate, em 1994 e não parou mais. Sua coluna reflete sobre o trabalho do agente literário, um profissional atuante nas negociações de direitos autorais internacionais e nacionais e já presente no mercado editorial

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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