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O banqueiro dos livros
PublishNews, Leonardo Neto, 17/09/2020
Waldir da Silveira, diretor do Banco de Livros do Rio Grande do Sul, está no PublishNews Entrevista dessa semana

Na juventude, Waldir da Silveira foi um guerreiro. Ainda muito jovem, foi “hóspede do governo”, como ele diz, eufonizando o período em que esteve preso nos porões da Operação Bandeirante (Oban), organização que reunia as principais forças de repressão do governo militar da segunda metade da década de 1960. Ele fazia parte do Movimento Secundarista e de um grupo de teatro amador da Zona Norte de São Paulo, quando foi preso e levado para a Oban, onde foi torturado como forma de confessar o que não tinha feito. Os militares estavam atrás de quem colocou fogo nos prédios das emissoras de TV Record e Bandeirantes.

Pouco tempo depois, ele entra na Universidade Anhembi para cursar Comunicação Social. Ali conhece um dos diretores da Ática, que o convida para trabalhar como divulgador escolar. Começava ali, em 1972, a história de Waldir no livro. A sua trajetória o trouxe para o PublishNews Entrevista, programa que quer compor um arquivo da memória editorial brasileira.

A história na Ática leva Waldir, em 1987 a Porto Alegre, onde ainda hoje é o distribuidor da editora de didáticos para o estado do Rio Grande do Sul. E foi na capital gaúcha que Waldir criou o seu maior legado.

Depois de servir como presidente da Câmara Riograndense do Livro por dois mandatos, é convidado pela Federação das Indústrias do RS para formar o Banco de Livros do Rio Grande do Sul, fundado em 2009. “Há 11 anos, ele [o livro] se tornou a finalidade da minha vida, um dos meus objetivos maiores da vida”, disse na conversa que teve com André Argolo.

Nestes 11 anos, o Banco já arrecadou mais de 1,5 milhão de livros que serviram para montar 900 espaços de leituras em hospitais, postos de saúde, presídios, creches, rodoviárias, catamarãs, ônibus, táxis... “Onde precisa, nós estamos”, disse.

Mas o que mais emociona Waldir é o efeito do Banco de Livros em presídios. Além dos espaços de leitura instalados nestes locais, para atender tanto os apenados quanto as famílias em dias de visitas, o Banco de Livros faz uma espécie de concurso de redação entre os presos e seleciona alguns textos para compor a coleção Vozes de um tempo, que já está no quinto volume. “É uma coisa linda. É um resgate que me emociona muito. É uma demonstração de cidadania”, disse orgulhoso. Os livros ganham apresentações de nomes consagrados da literatura como Lya Luft e Jorge Furtado.

Uma das salas de leitura instalada pelo Banco de Livros do Rio Grande do Sul | © Divulgação
Uma das salas de leitura instalada pelo Banco de Livros do Rio Grande do Sul | © Divulgação
Na conversa com Argolo, Waldir contou ainda de ações realizadas em hospitais, onde voluntários leem livros para doentes. “A literatura está funcionando como recuperação. Estamos colocando muitos livros nos hospitais para doentes lerem ou ouvirem e isso está funcionando muito bem em termos de ajuda na recuperação”, disse.

No fim da entrevista, Waldir fez um apelo para que essa experiência do Banco de Livros do Rio Grande do Sul possa se multiplicar por outros estados brasileiros: “Imagina quantos livros parados não existem no Brasil? Estamos criando leitores para o futuro e abrindo espaços para as pessoas comprarem novos livros. Vamos agitar essa ideia”.

O Banco de Livros recebe doações de pessoas físicas ou jurídicas e, graças ao apoio de transportadores, pode recolher livros em todos os estados brasileiros. Interessados em entrar em contato com o Banco de Livros para fazer doações podem escrever para Neli Miotto, a bibliotecária responsável pelo projeto, no e-mail neli.miotto@bancossociais.org.br.

O PublishNews Entrevista é um oferecimento do #coisadelivreiro, consultoria em marketing e inteligência de negócios para o mercado editorial. Além de estar disponível no canal do PublishNews no YouTube, este episódio está disponível em áudio também pelas plataformas digitais: Spotify, iTunes, Google Podcasts e Overcast.

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