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Seja um autor jurídico – leia aqui como!
PublishNews, Henderson Fürst, 02/02/2018
Em sua coluna Henderson Fürst dá sete dicas para quem quer escrever livros jurídicos

Todo editor traz consigo as mais curiosas histórias possíveis já vivenciadas por um reles mortal. Dentre essas histórias, talvez as mais curiosas estejam relacionadas ao recebimento e aprovação de originais.

Um querido amigo colunista no PublishNews (que terá sua identidade preservada vez que não o consultei antes) já diria uma célebre máxima: não há limites éticos para aprovar originais. Pois bem, isso é válido para editores e... autores! Sim, com a redução da quantidade de títulos lançados, as táticas autorais para aprovação de originais estão cada vez mais arrojadas, embora nem sempre mais eficientes.

Apenas para ilustrar isso, eu já recebi oferta de livro para publicação no banheiro de uma festa de congresso acadêmico – infelizmente o aspirante a autor não conhece as regras de boas práticas do mercado editorial e menos ainda as de uso do urinol, aquele resquício medieval na sociedade contemporânea. Uma colega recebeu originais após uma colisão no trânsito, quando trocava cartão com o motorista com quem havia colidido, que subitamente mudou de humor ao ver seu cartão de editora e começou a falar de sua monografia da especialização. Outro colega estava numa animada conversa no Tinder quando seu crush combinou um encontro e, para sua surpresa, o que ela carregava no encontro? Isso mesmo, um livro engavetado que gostaria de publicar. E até mesmo nas rodadas de conversa que o PublishNews organizou na Flip de 2017, quando se abria para perguntas do público, em vez de perguntas o que se ouvia eram várias propostas de livros! A propósito, meu aniversário está chegando, e já está virando clichê me dar os parabéns com um original anexo como presente de aniversário...

Com isso, resolvi escrever esse breve artigo com algumas orientações práticas para quem gostaria de ser um autor jurídico – e, com algumas adaptações, talvez isso possa ser útil para outros públicos.

O autor é o principal ativo de uma editora – não existe editora sem autor! Então seguem algumas dicas para ajudar autores e editores:

1) Não venda vento

É bastante comum o autor novato ter receio de enviar seu material à editora. Todo editor já experimentou a desagradável situação em que o autor invoca um termo de confidencialidade, reunião em sala à prova de som e transmissão de ondas eletromagnéticas para não vazar a ideia inédita de livro ou de conteúdo que o aspirante autor traz consigo.

Não é possível avaliar um projeto editorial apenas pela sombra dele narrada pelo autor. É preciso se deparar com o conteúdo, com a ideia, com o texto. E o autor precisa confiar que uma editora séria respeita o autor e sua criação, e que a reputação da editora quanto a tal respeito é seu mais precioso bem perante o mais importante ativo dela: o autor.

Mesmo assim, se por alguma mania persecutória você não confia em mostrar seu original, registre-o antes, mas não fique testando o editor num eterno mostro-não-mostro. Não é o mistério que se faz acerca de seu projeto que irá torna-lo mais atraente.

2) Quem deve entrar em contato com o editor?

Diferente de outros mercados, não é comum no editorial jurídico a figura do agente literário, que dentre outras missões apresenta o projeto mão-na-luva ao editor e faz a negociação e auxilia com ideias de marketing etc.

No editorial jurídico, a prática é o próprio autor entrar em contato com o editor, numa relação mais direta e próxima. Naturalmente que alguns autores, devido à sua apertada agenda, possuem assistentes que cuidam das coisas cotidianas editoriais do autor, mas mesmo os autores jurídicos mais famosos e ocupados da República falam diretamente com seus editores jurídicos ao menos para discutir um novo projeto, ou a nova edição, ou novas ações com a obra.

Assim, se você é um aspirante a autor jurídico, soará estranho (e será pouco produtivo) se o assessor de imprensa ou algum assistente entrar em contato com o editor, pois ele não é um agente literário para dar informações editoriais sobre a obra, e tampouco conhece de Direito para falar do conteúdo do livro.

3) O que enviar ao editor?

Todo original chega com a promessa de que é muito interessante, inovador, venderá muito e tem a certeza de que o editor irá adorar. Evite isso!

Ao enviar seu original, inclua o texto completo (releia o tópico 1 se você ainda tem receio de enviar seu material ao editor), uma síntese de seu currículo e uma carta de apresentação. A carta de apresentação é importante e igualmente ignorada. Nela, o autor não apenas se apresenta e fala como e porque escreveu o livro, mas também explica o tema do livro, sua relevância e importância. Embora os editores leiam muito e tenham uma cultura jurídica razoável, não pretendem ser uma enciclopédia e saber com profundidade todos os temas jurídicos – são humildes o suficiente para buscar ajuda com professores nas diversas áreas para entender o que se passa, tendências etc. Nessa carta o autor ajudará o editor a compreender seu livro, onde se localiza no mundo das ideias jurídicas, qual o público leitor do livro, quem são os concorrentes, quais os diferenciais daquele livro em relação aos concorrentes, quais os meios que o autor possui para falar com o público ao qual escreveu etc.

Caso o seu livro ainda esteja no plano do projeto, ou ainda sendo escrito, você precisa enviar o sumário, o prazo que concluirá a escrita, quantas páginas pretende escrever e ao menos uma amostra significativa do conteúdo (um capítulo chave, por exemplo).

Não tente conseguir uma aprovação apenas falando o tema do livro. Isso diz muito pouco aos editores. Desconfie, aliás, de editorial que aprova na orelhada, sem uma conversa mais profunda ou sem ver qualquer coisa do livro.

4) Como enviar ao editor?

Vivemos tempos modernosos. As redes sociais facilitaram bastante o contato com os editores, de tal modo que não é incomum receber originais pelo inbox do facebook, whatsapp, linkedin, contato inicial pelo instagram, telegrama e toda sorte de plataforma de comunicação.

O e-mail ainda é a melhor forma, pois dá para organizar as mensagens, salvá-las, colocar em pastas por autor etc. As plataformas acima não permitem isso. Mais ainda: não te avisam que tem uma pendência ali, facilmente se perdendo sua mensagem no meio de tantas outras. Assim, opte por enviar e-mail.

IMPORTANTE: ao enviar e-mail, não precisa avisar por whatsapp/facebook/instagram que enviou e-mail. É redundante e cansativo. Mandou o e-mail? Pronto. Espere confirmação de recebimento do editor. Aliás, isso é válido para a vida em todas as suas esferas – não entendo o que leva alguém enviar e-mail e depois enviar uma mensagem avisando que enviou e-mail!

Para facilitar a vida dos novos autores, listei aqui os e-mails de recebimento de originais de algumas editoras jurídicas:

Casa do Direito: original@editoraletramento.com.br

Del Rey: editorial@editoradelrey.com.br

Empório do Direito: emporiododireito@gmail.com

Empório Modara: editora@emporiomodara.com

Grupo Editorial Nacional: comiteeditorial@grupogen.com.br

Juruá: publiqueconosco@jurua.com.br

JusPodivm: novosautores@editorajuspodivm.com.br

Livraria do Advogado: livraria@doadvogado.com.br

Lumen Juris: editorial@lumenjuris.com.br

Manole: publiqueseulivro@manole.com.br

Saraiva: conselhoeditorial@somoseducacao.com.br

Thomson Reuters/Revista dos Tribunais: aval.livro@thomsonreuters.com

Tirant: editora@tirant.com.br

5) Fui rejeitado, e agora?

Não é o fim do mundo! Cada projeto editorial possui a editora que possui o perfil adequado para editá-lo, e provavelmente o seu projeto não se encaixou no perfil da editora ao qual enviou. Embora não seja perceptível claramente aos autores, cada editora possui uma linha editorial, que corresponde à atuação perante um público específico que consegue atingir por meio de seus canais de vendas e marketing. Assim, se sua obra não tem o perfil do canal de comunicação ao público que habitualmente a editora atua, ela será rejeitada ainda que o livro seja maravilhoso. Isso porque, por melhor que seja o livro, a editora não conseguirá demonstrá-lo ao público ao qual ele se destina e, assim, ele ficará escondido – e todo autor e editor quer que o livro seja lido!

Ainda que não seja muito claro aos autores jurídicos, há diversos perfis de público leitor jurídico, e são raros os livros que servem para todos eles, da mesma forma que são poucas editoras que atuam com todos os perfis de leitores jurídicos. É preciso estudar bem o mercado para compreender em qual linha editorial seu livro se encaixará para potencializar suas chances de aprovação.

Não se ofenda com a rejeição de um livro. Não fique emputecido com o editor. Não fale mal da editora por conta de uma rejeição. Isso diz mais sobre o autor do que a editora. E não desista, pois em algum momento o projeto encontrará uma casa editorial adequada para ele.

6) Fui aprovado, e agora?

Parabéns! Espero que seu livro seja lido, relido, citado e influencie o pensamento jurídico contemporâneo para tornar nossa ciência melhor!

Antes disso acontecer, você precisará perguntar ao seu editor: qual o prazo de edição (editoras tem uma agenda de programação, não é porque o livro foi aprovado que amanhã estará nas livrarias), qual o processo editorial (cada editora tem uma forma diferente de produzir o livro), quando será o melhor momento de lança-lo (não vale a pena lançar livro universitário depois do volta às aulas, por exemplo), quais os termos contratuais (não publique sem ter um contrato de edição assinado!), como você pode fazer para melhor divulgar o livro no lançamento e nos meses seguintes, e tire todas as dúvidas que você tenha –e o mundo dos livros é um mundo fantástico, complexo e que você tem pouca vivência por enquanto, não tenha receio de fazer perguntas!

7) Finalmente

Desejo todo o sucesso à sua carreira de autor! Que você possa inspirar novas críticas ao Direito e fomentar um mundo melhor com a ciência que construímos! Mais ainda, que o livro não te traga apenas leitores e fama, mas também amigos, debates e felicidade!

Nas horas ocupadas, Henderson Furst é editor jurídico do Grupo Editorial Nacional; nas horas livres, flautista, escritor e mestre cervejeiro. Bacharel em Direito pela UNESP, mestre e doutor em Bioética pelo CUSC, com pesquisas no Kennedy Institute of Ethics, Georgetown University, e doutor em Direito pela PUC-SP, Henderson também é professor de diversos programas de pós-graduação em Direito, tal como PUC-Campinas e Academia Brasileira de Direito Constitucional. Advogado, foi editor jurídico da Thomson Reuters/Revista dos Tribunais e da Editora Saraiva. Atua nas linhas editoriais de obras universitárias, profissionais e acadêmicas, bem como projetos especiais, educação a distância e periódicos científicos. Sua coluna analisa o mercado jurídico-editorial, suas tendências, notícias, peculiaridades, bem como a cultura artística e etílica que envolve o segmento. Voltada a bibliófilos jurídicos, profissionais do mercado editorial (jurídico ou não), autores, leitores e curiosos de plantão, será publicada quinzenalmente para que o leitor não se enjoe do colunista e tampouco se esqueça dele. Comentários, críticas e sugestões podem ser enviados para seu e-mail hendersonfurst@gmail.com ou via Facebook. A opinião do colunista não representa a de qualquer instituição científica ou profissional a qual seja vinculado.

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