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Entre mortadelas, coxinhas e o Novo Código de Processo Civil
PublishNews, Henderson Fürst, 13/04/2016
Em sua coluna, Henderson Fürst analisa como o Fla x Flu em torno do Novo Código de Processo Civil pode estimular o mercado de livros jurídicos

Eu avisei, meus caros, eu bem avisei! O Brasil tem alto risco-opinião O Brasil tem alto risco-opinião. É altamente recomendável que se faça um seguro-opinião caso queira ter uma sem risco de ser atacado, ainda que virtualmente.

Os brasileiros puderam sentir na pele (e na timeline) os problemas de ter opinião. É quase a terceira lei de Newton, com algumas adaptações às condições tupiniquins extremistas: para cada opinião manifestada, outra contrária virá com ainda mais força!

Nunca vi tantos juristas brotarem das cinzas dos bytes aos comentários acerca do impeachment, e olha que estamos falando de um país que tem mais da metade das faculdades de direito do mundo!

Os historiadores do futuro classificarão os movimentos de 2016 entre coxinhas e mortadelas, aludindo ao modo como cada qual chama o lado oposto. É curioso, aliás, o modo como é possível classificar tudo em “ou-ou”. Ou é isso, ou aquilo outro! Preto ou branco. Não há 50 tons aqui, a não ser para os movimentos repressores, estatais ou não, que adoram estapear manifestantes.

Bom, no mundo jurídico, como é de se esperar, o clima não é muito diferente. Há um certo clima de Fla x Flu para todos os debates que acontecem – em tese, os cinco anos de graduação em direito ensinam a não desfazer amizades por uma discussão jurídica ou política qualquer (veja bem, em tese).

Vocês podem imaginar que, apenas acerca do impeachment, há opiniões para todos os gostos – algumas, inclusive, tiradas da cartola, e não da constituição.

Mas, enquanto as opiniões jurídicas coxinhescas e mortadelescas afloram em torno do debate político, algum tempo antes ela rodeava o novo Código de Processo Civil. Nos extremos, era possível ouvir de oráculos do fim dos tempos a profetas de um mundo melhor. Depois se iniciou um poker jurídico acerca da entrada em vigor do novo código. Claro que temos um espírito de porco para deixar tudo para a última hora, então a boa parte da torcida estava torcendo por uma prorrogação, que não aconteceu.

E, assim, iniciamos novos tempos no Direito. Um código desses tem a capacidade de tornar obsoleta mais de 70% de uma biblioteca jurídica multitemática, tamanho os impactos.

Sim, estamos falando de mais de 943.577 advogados (se tudo der certo, ou seja, se não rolar uma epidemia de reprovações nas provas da OAB, em 2016 completaremos um milhão de advogados inscritos), mais de 800 mil alunos inscritos nas 1.306 faculdades de direito do país – mais que as +-1.100 que temos no resto do mundo– além de juízes, promotores, defensores e analistas que precisam revisitar tudo o que sabem de processo civil e suas implicações em outras áreas!

Minha timeline tem tantos debates acontecendo acerca dessas implicações que sequer teve espaço, nem mesmo por um átimo, para saber o que aconteceu no BBB desse ano por meio dos clamores populares.

Bom, com isso tudo, ao menos no Fla x Flu jurídico, surge um bom momento no mercado editorial: para cada “partida”, muitos livros são (ou deveriam ser) lidos. Não apenas para pedaladas fiscais, mas pedaladas hermenêuticas, desbravaduras processuais e tantas outras.

Assim, num momento de crise econômica e empobrecimento cultural, que diretamente afetam o mercado editorial, surge uma esperança – um aquecimento, ainda que discreto, de coxinhas, mortadelas, livros de/para coxinhas/mortadelas e, certamente, livros de processo civil!

Nas horas ocupadas, Henderson Furst é editor jurídico do Grupo Editorial Nacional; nas horas livres, flautista, escritor e mestre cervejeiro. Bacharel em Direito pela UNESP, mestre e doutor em Bioética pelo CUSC, com pesquisas no Kennedy Institute of Ethics, Georgetown University, e doutor em Direito pela PUC-SP, Henderson também é professor de diversos programas de pós-graduação em Direito, tal como PUC-Campinas e Academia Brasileira de Direito Constitucional. Advogado, foi editor jurídico da Thomson Reuters/Revista dos Tribunais e da Editora Saraiva. Atua nas linhas editoriais de obras universitárias, profissionais e acadêmicas, bem como projetos especiais, educação a distância e periódicos científicos. Sua coluna analisa o mercado jurídico-editorial, suas tendências, notícias, peculiaridades, bem como a cultura artística e etílica que envolve o segmento. Voltada a bibliófilos jurídicos, profissionais do mercado editorial (jurídico ou não), autores, leitores e curiosos de plantão, será publicada quinzenalmente para que o leitor não se enjoe do colunista e tampouco se esqueça dele. Comentários, críticas e sugestões podem ser enviados para seu e-mail hendersonfurst@gmail.com ou via Facebook. A opinião do colunista não representa a de qualquer instituição científica ou profissional a qual seja vinculado.

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