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Um minuto de silêncio, pela morte dos e-books
PublishNews, Camila Cabete, 12/04/2016
Quando falamos em crescimento ou queda do livro digital, estamos falando em crescimento ou queda dos índices de leitura. Portanto, não é um dado que possamos torcer contra.

Há alguns dias tive acesso a alguns textos a respeito do quão mal vinham as vendas de livros digitais e me vi na obrigação de escrever esta coluna para esclarecer algumas coisas. Então, o título desta coluna é uma mentira, e eu escrevi somente para chamar a atenção dos menos simpáticos ao tema. Estou dando a oportunidade de pararem de ler aqui, logo no início. Agora, mesmo não sendo simpático ao digital, convido que leia e pense a respeito.

Se você resolveu continuar, vamos ao que interessa...

O mercado do livro é um mercado relativamente unido, pois falamos de um mercado onde não gira tanto dinheiro, meio intelectual e de certa forma todo mundo se entende.

No entanto, fiquei horrorizada ao perceber a polarização que um artigo gerou no começo dessa semana. A matéria, publicada pela Folha, falava sobre a estagnação ou até queda no mercado de e-books nos EUA. Pude ver, incrédula, que profissionais do livro comemoraram a decadência (relativa) de um formato de leitura. E olha que o texto se referia a uma só loja e a uma só análise, mas o que senti nas redes sociais foi mais um Fla x Flu no qual, de um dos lados do campo, estava o formato digital. Será que fui tendenciosa na minha análise? Será que entendi errado?

Isso me assusta... É como uma empresa que torce contra seu próprio produto. Tipo, torcendo para não vender, torcendo para o seu conteúdo dar errado, torcendo para um (dos inúmeros formatos) "encalharem". Esquecendo completamente que livro é conteúdo, e que o formato digital é uma forma de chegar em todos os lugares (estamos falando de Brasil: logística muitas vezes ineficiente, dimensões continentais e índices vergonhosos de leitura, certo?).

E mais... Quando falamos em crescimento ou queda do livro digital, estamos falando em crescimento ou queda dos índices de leitura. Portanto, não é um dado que possamos torcer contra, concordam?

Então a onda é polarizar? Desculpe o termo, mas me nego a embarcar nesta onda burra. Para mim, isso é burrice, descaso e conservadorismo. E outra: estamos falando de gente que lê e que deveria fazer uma análise mais crítica do texto, para saber do que realmente ele trata. A impressão que tenho é que algumas pessoas leram apenas a manchete... Só pode. Me nego a acreditar que, lendo criticamente o texto, continuassem tendo a mesma opinião.

Chega de me queixar. Vamos falar em termos práticos. Na minha visão, na visão de quem trabalha na Kobo, o digital cresceu ano passado no Brasil menos do que gostaríamos. Por outro lado, o livro de papel caiu, e caiu bastante. O que vejo com pesar imenso, mesmo eu sendo profissional do livro digital.

Não posso dar dados concretos porque são dados coletados dos meus clientes, que são as principais editoras do Brasil e do mundo. Mas como se trata de uma coluna, só posso contar que acreditem em mim. Estou falando também de minha percepção de mercado.

Estes dados poderiam estar ainda melhores se parássemos de separar o conteúdo do formato e fôssemos mais racionais ao falar disso.

O autor (o bom autor) quer ser lido e os formatos digitais são algo inimaginavelmente gratificantes para ele (o bom autor) que quer ser lido em qualquer lugar, mesmo nas cidades onde não existem livrarias. Captou? Seu livro, a qualquer hora, em qualquer lugar do mundo? Será que isto está claro para os profissionais do livro? Não acho que esteja e volto para reativar a coluna e reacender a discussão.

O lado bom, foi que vi novamente a utilidade do excelente canal de comunicação que tenho aqui. Me vi novamente lutando pelo meu ideal, que não é somente ligado a um formato, mas à democratização da leitura. A coluna renasce das cinzas, pois por um breve momento achei que tinha dado a cabo o meu dever... só que não.

Muito ainda temos a andar, muito ainda a desmistificar o formato digital; e muito a despolarizar. Precisamos entender melhor o mercado e distribuir bem as ações, evitando assim, ficar nas mãos de uma livraria somente, precisamos pensar em marketing para o formato digital, precisamos de criatividade.

Editor, se o formato digital não está indo bem, você é parte disso. Não comemoraria um fracasso. Mas a boa notícia é que pelo menos, estamos segurando a onda das perdas do impresso. E também não vou comemorar isso. Não há o que se comemorar nestes dias, não é?

PS: agora vc vê... até e-books têm haters =/

Camila Cabete (@camilacabete no Twitter e instagram) tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido, além de ser a responsável pelo pós-venda e suporte às editoras e livrarias da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Hoje é a Brazil Senior Publisher Relations Manager da Kobo Inc. e é a parceira da Beatriz Alves no podcast As Desqualificadas pela Central 3.

O LinkedIn da Camila pode ser acessado aqui.

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