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Biblioteca Nacional e Itaú Cultural retomam a Machado de Assis Magazine
PublishNews, 23/12/2014
Biblioteca Nacional e Itaú Cultural retomam a Machado de Assis Magazine

A Machado de Assis Magazine, a revista que publica excertos de traduções de autores brasileiros para divulgação no exterior, vai voltar a tempo de os textos estarem disponíveis para o Salon du Livre de Paris, que começa dia 20 de março próximo. Essa é uma boa notícia para a divulgação da literatura brasileira no exterior. E há novidades na nova versão da revista. Como o Brasil será homenageado nessa edição do Salon du Livre, além de trechos de tradução em inglês e espanhol, o número da revista trará também traduções para o francês.

Autores, editores e agentes interessados em enviar trechos de traduções para o exame da Comissão Editorial a ser nomeada pela FBN podem preparar o material para enviá-lo logo que o edital seja publicado. A Fundação Biblioteca Nacional e o Itaú Cultural estão finalizando o contrato para a retomada da publicação da Machado de Assis Magazine. A coedição, que será exclusivamente online, publicou cinco números, de 2012 até a Feira Internacional de Livros de Frankfurt, em 2013, e facilitou a venda de direitos autorais no exterior de vários autores brasileiros.

Serão escolhidos até 22 textos entre os enviados por autores ou editores. Os livros cujas traduções forem apresentadas devem ter sido publicados no Brasil, nos gêneros literários de romance, contos e poesia, assim como ensaios relacionados com a realidade brasileira e a crítica literária. Também já foi definido nas conversações entre a Biblioteca Nacional e o Itaú Cultural que cada novo número da revista poderá incluir até quatro trechos de traduções de livros para crianças ou jovens. Essas traduções podem incluir uma ilustração do livro original, além da capa.

As traduções serão examinadas por profissionais qualificados, para garantir que os trechos expressam a qualidade dos originais. Como editor de quatro dos cinco números já publicados, verifiquei que várias propostas apresentavam traduções bem amadoras e, por isso mesmo, foram recusadas. A decisão final sobre o tradutor compete ao editor que adquirir os direitos, até porque o idioma de publicação pode ser distinto daquele da amostra. No entanto, traduções de má qualidade prejudicam não apenas a credibilidade do projeto de difusão da nossa literatura no exterior como, principalmente, prejudicam os autores. Nenhuma editora iria adquirir livros cuja amostra não revelem suas virtudes e possibilidades para a leitura por públicos de outros países.

A publicação da Machado de Assis Magazine é totalmente sem custo para os selecionados, e faz parte das políticas e ações empreendidas pela Biblioteca Nacional e pelo Itaú Cultural para a difusão da literatura brasileira no exterior. O acesso online será livre para todos os interessados, autores, editores e agentes literários. Vale sempre mencionar que as obras adquiridas por editores do exterior podem solicitar a ajuda do programa de Bolsas de Tradução.

A publicação oficial do edital de convocação só poderá ser feita após a formalização do contrato. O atraso se deve muito às exigências de exame minucioso de tudo que atualmente é assinado entre órgãos do Governo Federal e seus parceiros, ainda que, como no caso da Machado de Assis Magazine, o convênio não implique em nenhum dispêndio de recursos pela FBN ou pelo Ministério da Cultura.

Entretanto, como o prazo para as inscrições e seleção do material será curto, para que a revista esteja online antes do Salon du Livre, os interessados já devem preparar as traduções que desejem apresentar.

Na publicação do edital serão listados os documentos que devem acompanhar as inscrições, inclusive autorizações para publicação, currículo dos autores e tradutores e informações de contato para as negociações de direitos autorais para publicação no exterior.

A publicação da Machado de Assis Magazine faz parte do programa de difusão da literatura brasileira no exterior da Biblioteca Nacional, que inclui, além da participação em feiras, as Bolsas de Tradução, viagens de autores nacionais para eventos internacionais e a vinda de tradutores estrangeiros para períodos de estudos e residência no Brasil.

O Instituto Itaú Cultural, por sua vez, mantém há mais de cinco anos o programa Conexões Itaú Cultural – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira, que procura identificar professores, pesquisadores e tradutores dos nossos livros que trabalham fora do país. Os identificados proporcionam informações que são incluídas em um Banco de Dados de acesso público. O conteúdo total das respostas é acessível para pesquisadores e jornalistas interessados, com autorização prévia.

Além do Banco de Dados, o Conexões Itaú Cultural – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira mantém uma extensa coleção de vídeos com entrevistas de autores, professores e tradutores, e uma biblioteca online com textos de difícil acesso ou produzidos especialmente pelos pesquisadores e consultores do Conexões. Também promove encontros com seus participantes, o último dos quais aconteceu em novembro passado, quando foi lançado do livro A primeira aula, em português, disponível gratuitamente em português, inglês e espanhol].

Além do Conexões, o Itaú Cultural construiu e mantém um conjunto de Enciclopédias Virtuais, entre as quais a de Literatura Brasileira, que são importantíssimas fontes de informações sobre a produção artística do país.

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Com este, termina o ano de publicações da coluna no PublishNews. Desejo a todos um 2015 bem produtivo e cheio de realizações, e aguardo críticas e comentários (elogios também, é claro), no blog www.oxisdoproblema.com.br onde são encontrados não apenas os posts aqui publicados, como outros comentários sobre a indústria editorial brasileira e questões de políticas públicas sobre livros, leitura, bibliotecas e acesso à nossa produção editorial.

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial. Mantêm o blog www.oxisdoproblema.com.br. Em sua coluna, Lindoso traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, ele analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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