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Mea Culpa - Administrando minhas expectativas!
PublishNews, 26/06/2014
As ideias digitais muitas vezes se mostram tão simples… Mas na hora de colocar em prática, cadê a tecnologia?

Minhas últimas colunas foram bem diretas na arte de cobrar atitudes criativas por parte das editoras e desenvolvedores. E tivemos alguns bons resultados, não por minha influência, mas por questão de inconsciente coletivo (?!). A Livraria Cultura levou uma premiação por conta da ação Not a stupid cover e várias editoras abraçaram ações promocionais com as principais lojas de e-books no Brasil. Mas venho nesta coluna fazer o mea culpa. Mea culpa de lojista: temos limitações técnicas. E claro, a Amazon também tem, a Apple também e por aí vai.

As ideias digitais, por serem digitais, muitas vezes se mostram tão simples… Mas na hora de colocar em prática, cadê a tecnologia?

Quer ver um bom exemplo? A assinatura do exemplar pelo seu escritor favorito. Alguém aí me diz uma tecnologia que possa substituir? Bom, as que eu já ouvi ou testei, sério, não me convenceram. Tenho escritores que adoro, que li em digital e na hora de pedir uma lembrança, uma prova de que estive com ele, fui lá e comprei o livro impresso. Não teve jeito.

Além desta limitação, os contratos de direitos autorais também nos limitam. Para qualquer ação de merchandising, existe a cláusula de pagamento sobre o preço de venda. E se não for uma ação com valor a ser pago? E o valor de ter seu e-book dentro de milhares de gadgets, e de ter os leitores “tagueados” no nome do autor/editora/categoria, qual é o preço? Podemos explicar que as pessoas que têm seus nomes “tagueados” receberão sugestões sempre, de acordo com estas indicações. Ou melhor, se você baixou um e-book determinado numa livraria digital, esta por sua vez, imaginará e tentará descobrir qual será sua próxima leitura. E sempre levará em consideração o estilo do que acabou de ler. Por isso vivo recebendo livros eróticos nas minhas sugestões… TIVE que ler 50 tons para ver qual é… hihi. E depois Anais Nin, Megan Maxwell, enfim, ossos do ofício… Conseguem ver que não temos ainda como precificar isso. Mas ao mesmo tempo enxergamos como isso é valioso.

O importante, neste momento, é entender que tem coisas que não conseguimos antecipar. Não rola de virarmos adolescentes antes da infância. Por conta disso tenho feito um longo trabalho comigo mesma na arte de administrar minhas próprias expectativas.

O mercado é um bebê que estamos aprendendo a identificar sua personalidade, estamos educando para conseguir um bom “cidadão” em idade adulta.

E esta educação não passa somente pelas ações promocionais, mas também nas melhores práticas das lojas, editoras e autores. Todas estas discussões entre Amazon/Hachete e UK que estamos acompanhando, nada mais são que um grande aulão de como será o futuro. Basta saber quem cederá e conseguimos discernir direitinho o que virá, como as coisas serão em um futuro próximo. Como o princípio do karma: nós teremos exatamente o que merecermos, por aceitarmos ou não qualquer imposição/negociação.

Camila Cabete (@camilacabete no Twitter e Instagram) tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital (em 2009) ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, além de ter feito pós-venda e suporte às editoras e livrarias da primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Hoje é a senior country manager da Kobo Brasil e é a podcaster e idealizadora do Disfarces Podcast.

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** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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