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Microsoft e Barnes & Noble juntas na batalha pelo mercado digital
Publishnews, Carlo Carrenho, 30/04/2012
Carlo Carrenho fala sobre a parceria entre as duas grandes empresas voltada para a leitura digital.

Canso de ouvir no Brasil que a Barnes & Noble está falindo e indo pelo mesmo caminho que a falecida Borders. E isto está longe da verdade, como já expliquei em Não Confunda Barnes & Noble com Borders. É claro que a revolução digital que vem se impondo ao mercado editorial tem afetado a maior rede livreira do mundo e sua situação está longe de ser confortável. Mas a verdade é que a Barnes & Noble tem reagido com dignidade e sucesso, tendo, por exemplo conquistado um market share de 22% do mercado de eReaders com seu Nook, avançando sobre a até então intocável fatia da Amazon (dados da pesquisa The Rising of E-reading, da Pew Internet).

Hoje, um anúncio conjunto da megalivraria e de outra gigante de Seattle, a Microsoft, deve ter calado os mais catastróficos: "Barnes & Noble e Microsoft formam parceria estratégica para desenvolver experiências de leitura digital de nível mundial para consumidores".

Sob o anúncio pomposo, o que vai acontecer de fato é a formação de uma nova empresa, subsidiária da Barnes & Noble, onde a Microsoft terá uma participação de 17,6% após uma ingestão de US$ 300 milhões. A nova empresa vai acolher sob suas asas não apenas a divisão do Nook, mas também os negócios ligados à educação e ao mercado universitário da livraria. O efeito mais imediato da parceria será o desenvolvimento de um aplicativo Nook para o Windows 8, próxima versão do sistema operacional da Microsoft que funcionará em tablets e PCs. Um efeito menos imediato, mas extremamente relevante, está ligado à inclusão do negócio educacional na parceria, pois trata-se do desenvolvimento de uma plataforma tecnológica top de linha para a distribuição e gerenciamento de materiais educacionais digitais para alunos e professores.

William Lynch, CEO da Barnes & Noble, enfatizou durante o anúncio por webcast esta manhã, que graças ao apoio da Microsoft será possível “desenvolver uma plataforma robusta para materiais didáticos”. Fica claro então que, a princípio, o papel da Microsoft será o de desenvolvimento tecnológico e de disseminação global da plataforma do Nook.

Na prática, o anúncio de hoje muda muita coisa no mundo dos livros digitais. Em primeiro lugar, marca a entrada da Microsoft em um jogo que ela parecia ignorar. A grande verdade é que toda a tecnologia de e-reading até agora foi desenvolvida praticamente sem nenhuma participação da empresa de Bill Gates. A chegada da outra gigante de Seattle desequilibra bastante as forças no mercado de e-books. Se antes tínhamos as megaempresas Amazon, Apple e Google, seguida pelos menores Barnes & Noble e Kobo, agora a rede de livrarias passa a brincar de igual para igual com os três maiores. É interessante observar também que, se antes a Barnes & Noble tinha uma briga mais direta com a Amazon, por serem ambos varejistas de livros, agora surge outra briga mais direta, desta vez com a Apple, na medida em que o Nook passa a andar de mãos dadas com o Windows.

Perguntado no webcast como a parceria afetaria a plataforma Android do Nook, Lynch explicou que não mudaria nada neste momento, uma vez que “o foco do acordo está na liberação de experiências de leitura para centenas de milhões de estudantes e leitores que usam Windows”, e não na tecnologia dos atuais aplicativos.

Espere um pouco. Centenas de milhões? Os EUA têm apenas 300 milhões de habitantes e o Nook só está presente por lá (apesar dos boatos, nem na Inglaterra a plataforma foi lançada ainda). Ou seja, uma grande internacionalização do Nook faz parte da estratégia que está criando a nova subsidiária da Barnes & Noble. E isto faz todo o sentido. Enquanto Google, Apple e Amazon possuem atuação global, e até a Kobo promulga suas aspirações mundiais a todo o momento, a Barnes & Noble era a única ainda presa a um único mercado consumidor. E apesar de ter tido um grande sucesso na obtenção de conteúdo internacional, especialmente graças ao excepcional trabalho de Patricia Arancibia, sua diretora de conteúdo internacional, a verdade é que a loja da Barnes & Noble só existe nos EUA.

Com a Microsoft, a Barnes & Noble tem a possibilidade de globalizar sua plataforma de forma rápida e descomplicada. Para o mercado brasileiro e mundial, portanto, mais importante do que a separação do negócio digital da Barnes & Noble em uma subsidiária, mais importante do que ter o negócio educacional sob este mesmo guarda-chuva e mais importante do que a força da tecnologia da Microsoft, está a internacionalização da plataforma Nook, que agora poderá chegar a todos os pontos do planeta onde a empresa de Bill Gates esteja presente.

Carlo Carrenho, editor colaborador do Publishing Perspectives, é consultor editorial brasileiro radicado na Suécia e membro da consultoria Alpine Global Collective.

** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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