Publicidade
Publicidade
Qual é a pegada que uma Bienal deveria deixar?
PublishNews, Luciano Monteiro, 04/09/2026
Talvez uma das perguntas mais importantes que a Bienal nos permita fazer seja justamente esta: como transformar um pico de mobilização em algo permanente?

Bienal do Livro de São Paulo vai de 4 a 13 de setembro de 2026, no Anhembi | © Bienal do Livro de SP
Bienal do Livro de São Paulo vai de 4 a 13 de setembro de 2026, no Anhembi | © Bienal do Livro de SP

Nos próximos dias, todos os olhares estarão voltados para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Durante o evento, milhares de pessoas compram livros, encontram autores, participam de debates e demonstram enorme interesse pela leitura. É uma mobilização impressionante — e que, de certa maneira, expõe também uma das contradições do Brasil.

Nesse curto período, convivem duas imagens do país. De um lado, nossos índices de leitura ainda distantes do patamar desejado, uma rede de bibliotecas insuficiente para cobrir todo o território e as demais dificuldades que conhecemos para transformar o Brasil em um país de leitores. De outro, corredores cheios, encontros disputados, crianças e jovens carregando livros e um interesse genuíno do público pelo maior evento do livro do país.

Talvez uma das perguntas mais importantes que a Bienal nos permita fazer seja justamente esta: como transformar um pico de mobilização em algo permanente?

Aqui, proponho pensar a sustentabilidade da Bienal para além da ótica ambiental. De fato, ao longo das últimas edições, o grande encontro do livro com seus leitores tem avançado estruturalmente em uma agenda verde, incorporando preocupações com energia, resíduos, transporte e emissões como um todo. São avanços importante, necessários e que merecem ser celebrados.

Mas, em um evento dedicado ao livro e à leitura, sustentabilidade também significa formar leitores que continuem lendo, fortalecer bibliotecas, aproximar escolas dos livros e contribuir para uma cadeia editorial diversa, inovadora e economicamente sustentável. É exatamente isso que está presente nas mesas e painéis, na curadoria e na enorme mobilização de editores, livreiros, distribuidores, autores, ilustradores, professores, bibliotecários e mediadores que compõem a cadeia do livro e da leitura.

Em grandes eventos esportivos, fala-se muito de legado. Por que não aplicar a mesma pergunta aos grandes eventos culturais? Cada vez mais, é preciso buscar novas formas de ampliar o alcance dos eventos, deixando marcas na cidade, nas escolas, nas bibliotecas e, principalmente, na formação dos leitores.

Pensar dessa forma nos permite ir além do discurso geral e necessário sobre ESG e tratar a sustentabilidade como capacidade de produzir efeitos que ultrapassem o tempo e o espaço do próprio evento. Uma feira pode durar alguns dias, mas as relações que ela cria, os leitores que mobiliza e as políticas e iniciativas que inspira podem durar muito mais.

Para um futuro próximo, penso que grandes feiras e eventos culturais brasileiros poderiam estabelecer e acompanhar indicadores de legado: novos leitores alcançados, alunos, escolas, professores e mediadores envolvidos, diversidade social e territorial do público e, sobretudo, a continuidade das iniciativas depois do evento. Esses são alguns exemplos do que podemos passar a produzir.

Isso não significa transformar a experiência cultural em uma simples planilha de resultados. Significa reconhecer que um evento da dimensão da Bienal tem uma capacidade extraordinária de mobilização — e perguntar como essa energia pode irradiar para além de seus pavilhões.

Quando as luzes da Bienal se apagam, a sustentabilidade de um grande evento do livro também deveria ser medida pelo que permanece. Uma Bienal verdadeiramente sustentável não é apenas aquela que reduz seu impacto durante alguns dias. É aquela capaz de ampliar seu impacto positivo muito depois que o último visitante vai embora.

Luciano Monteiro é diretor corporativo global de Comunicação e Sustentabilidade do grupo educacional Santillana, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Grupo de Editores Iberoamericano.

**Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews


Publicidade
Leia também
Compreender o que se lê é a porta de entrada para praticamente todas as demais aprendizagens
Nos últimos anos, a sustentabilidade deixou de ser um tema periférico no setor editorial. Mas ainda há um ponto pouco explorado — e decisivo: o livro sustentável não começa na editora, nem na gráfica
A eliminação abrupta do shrink, sem redesenho logístico adequado, pode gerar efeitos ambientais indiretos indesejados
Em um país de desigualdades estruturais, medir acesso ao livro e à leitura não é um detalhe técnico: é um termômetro do desenvolvimento social e educativo
É nesse espírito que se insere o painel 'Sustentabilidade em cada página: o livro como ponte entre conhecimento e clima', promovido pela CBL, em parceria com a OEI, em Belém
Publicidade

Mais de 13 mil pessoas recebem todos os dias a newsletter do PublishNews em suas caixas postais. Desta forma, elas estão sempre atualizadas com as últimas notícias do mercado editorial. Disparamos o informativo sempre antes do meio-dia e, graças ao nosso trabalho de edição e curadoria, você não precisa mais do que 10 minutos para ficar por dentro das novidades. E o melhor: É gratuito! Não perca tempo, clique aqui e assine agora mesmo a newsletter do PublishNews.

Outras colunas
Talvez uma das perguntas mais importantes que a Bienal nos permita fazer seja justamente esta: como transformar um pico de mobilização em algo permanente?
Espaço publieditorial do PublishNews destaca guia para entender o ciclismo em alto nível
Programa reproduz a conversa do primeiro encontro da iniciativa idealizada por Eliete Cotrim, gerente comercial da Editora 34, e Mônica Carvalho, fundadora da Livraria da Tarde
O episódio da semana recebe Jorge Sallum, Antonio Hermida e Bruno Mendes para discutir oportunidades com programas de código aberto
Todas as sextas-feiras, uma nova tirinha de Estevão Ribeiro
Eu não sei se escrevo para viver ou vivo para escrever.
Ivana Arruda Leite
Escritora brasileira

Você está buscando um emprego no mercado editorial? O PublishNews oferece um banco de vagas abertas em diversas empresas da cadeia do livro. E se você quiser anunciar uma vaga em sua empresa, entre em contato.

Procurar

Precisando de um capista, de um diagramador ou de uma gráfica? Ou de um conversor de e-books? Seja o que for, você poderá encontrar no nosso Guia de Fornecedores. E para anunciar sua empresa, entre em contato.

Procurar

O PublishNews nasceu como uma newsletter. E esta continua sendo nossa principal ferramenta de comunicação. Quer receber diariamente todas as notícias do mundo do livro resumidas em um parágrafo?

Assinar