
Apesar de serem estatisticamente maioria entre leitores no Brasil, mulheres ainda enfrentam obstáculos para conquistar reconhecimento em premiações e espaços de destaque. Ao PublishNews, Mônica Carvalho afirma que a iniciativa busca mudar esse cenário. Ela conta uma história de que ela e Elite, durante um evento com palestras do mercado editorial, perceberam que as mesas da programação tinham sempre poucas ou até nenhuma mulher como panelista. Depois disso, sentadas num café, começaram a listar as mulheres presentes nas editoras do mercado. "Começamos a listar quem eram essas mulheres e não tinha fim. Somos muitas mas estamos muito nos bastidores ainda", diz.
Eliete compartilha com o PN sua crescente percepção de que o mercado editorial não vinha escutando o suficiente as mulheres que fazem parte dele. Ela comenta que tem participado de muitos encontros em que a força masculina sempre é representada nas falas, enquanto a força e a fala da mulher ficam no segundo plano: "Eu fiz uma mesa na Feira da Rocha com a Ana Lima Cecilio e me deu um start. Porque eu falei naquela mesa e eu me ouvi, e fazia muito tempo que eu não me ouvia", afirma.
A partir disso, ela conta que passou a prestar mais atenção na forma como as falas dessas mulheres eram ouvidas nos eventos e convenções do mercado do livro. "Cheguei à conclusão de que a gente ouve pouco da mulher, de um modo geral, dentro do nosso mercado. Sei que são homens que estão à frente, nada contra o que os homens falam, tá? Mas a gente está deixando de ouvir essa mulher que sempre foi colocada como coadjuvante".
As idealizadoras pensaram o projeto a partir de um olhar otimista, enxergando um aumento de oportunidades, com mais mulheres em cargos destacados nas casas editoriais brasileiras, além de muitas delas encabeçarem a abertura de livrarias de rua e de feiras de destaque no calendário literário. "Hoje, essas mulheres estão contando suas próprias histórias e têm um protagonismo cultural. Na minha visão, esse olhar feminino pode desafiar o controle cultural do passado", conta Eliete.
Leitura entre as mulheres da população
Segundo resultados da pesquisa Retratos da Leitura, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), publicados em 2024, 49% das mulheres e 44% dos homens são leitores. E as pessoas que mais influenciam o gosto pela leitura são as mães ou responsáveis do sexo feminino. Em 2025, o Panorama do Consumo de Livros, da Nielsen BookData, apontou que as mulheres foram 62% daqueles que compraram mais de dez livros naquele ano. Já neste ano, a mesma pesquisa destacou o protagonismo das mulheres pretas e pardas no consumo de livros, representando 30% do total de consumidores de livros e metade das mulheres que compram livros. As mulheres pretas e pardas da classe C formam atualmente o maior grupo consumidor do país.
Para além da presença entre compradoras de livros, Eliete comenta que é necessário ouvir mais a que as mulheres que trabalham com a influência deste mercado estão dizendo. O Painel do Consumo mostra que 56% dos consumidores de livros costumam fazer compras em geral (ou seja, não apenas de livros) por meio das redes sociais. As mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% das consumidoras e 26% do total de consumidores de livros que compram por essas plataformas.
Agenda de encontros

- 18 de agosto de 2026 | 19h | Bate-papo entre Beatriz Bracher (atuação pela Editora 34 e Chão Editora) e Maria Fernanda Rodrigues (jornalista e colunista), na Livraria da Tarde
- 24 de setembro | 19h | Bate-papo entre Cecilia Arbolave (Lote 42), Florência Ferrari (Ubu) e Luciana Gi (Bibla), na Livraria da Tarde






