O que estou lendo: Helena Duncan
PublishNews, Monica Ramalho, 04/02/2026
"São histórias das quais não se consegue sair sem saber o que vai acontecer. Irrespiráveis. A tensão, a originalidade e a força da escrita impulsionam a leitura até o fim", resume a autora de Niterói

"Acabei de ler O bom mal (Fósforo, 2025), uma coletânea de contos da Samanta Schweblin, autora argentina contemporânea que muitos críticos consideram herdeira de Julio Cortázar. Ela é uma contista sensacional, com um lado sombrio e, ao mesmo tempo, gracioso. O primeiro conto que li foi O olho na garganta e não só não consegui parar de ler como fui atrás de outros livros dela. A leitura veio por indicação de uma oficina que faço com a escritora Noemi Jaffe.

Li muito rápido, porque são histórias das quais não se consegue sair sem saber o que vai acontecer. Irrespiráveis. A tensão, a originalidade e a força da escrita impulsionam a leitura até o fim. A técnica da Schweblin torna as situações possíveis e reais, mesmo dentro de um clima fantástico.

Os contos constroem uma atmosfera sombria, cheia de silêncios e conflitos. O livro deixa o leitor em um estado de ansiedade contínua e, ainda assim, é possível enxergar amor e beleza.

Como meu primeiro romance publicado, O manual do monstro, também traz dilemas éticos e situações angustiantes, muitas vezes em um clima sombrio e com questões existenciais, gosto de pensar que há pontos de contato entre os dois textos. O que posso garantir é que Samanta Schweblin é uma autora contemporânea cujo estilo me inspira muito.

Recomendo O bom mal por ser uma leitura provocadora e fascinante. Samanta constrói uma narrativa refinada e, ao mesmo tempo, acessível. É um livro de impacto e, como acontece com todos os bons livros, exige um tempo de assimilação depois da última página".


* Helena Duncan é jornalista, empreendedora e diretora de comunicação da Ímã Conexões com Propósito, empresa que fundou com as irmãs Zélia Duncan e Ana Vitória Surreaux a fim de conectar causas sociais e marcas, com o objetivo de criar legado e gerar impacto positivo. Helena estreou nas letras com O manual do monstro (Interseção Design de Histórias, 2025).

[04/02/2026 09:33:54]