A aguardada passagem do cometa
PublishNews, Redação, 03/02/2026
Obra de Maria Brant é um romance de formação sobre o complexo processo de luto e uma jornada de autodescoberta

Em 1986, o mundo aguarda a passagem do cometa Halley. No Brasil, a redemocratização está em curso após 21 anos de ditadura militar. É esse o contexto da estreia literária de Maria Brant, um romance de formação sobre o complexo processo de luto e uma jornada de autodescoberta. No período de janeiro a dezembro, O ano do cometa (Fósforo, 160 pp, R$ 84,90) mapeia a dor e a busca pelo significado de assuntos não ditos, mas captados pela percepção infantil de três meninas: Íris, Rosa e Violeta. Íris tem onze anos e, em meio às excentricidades da mãe e ao silêncio do pai, lida com a dor da perda de seu tio Peu. A procura por rastros e explicações se manifesta em detalhes: a cicatriz na testa em código morse, as lembranças do tio surfista e sonhador, os cadernos em cirílico do bisavô astrônomo e os fragmentos de história da família que parecem flutuar entre o que é real e obscuro, assim como os acontecimentos que ainda pairam pela história recente do país. O luto que ronda a família se expressa em Rosa de maneira diferente. O sentimento de não pertencimento, o novo país, o retorno de um exílio que ela não sabia que vivia se refletem num vazio preenchido com a compreensão do ciclo da vida e a superação dos medos — sejam eles de aranhas, do mormaço ou de uma iminente catástrofe nuclear pós-Chernobil.

Tags: Fósforo, romance
[03/02/2026 08:46:39]