
A artivista e comunicadora visual Tai Yawara foi destaques da lista de vencedores do 37º Troféu HQMIX, considerado o “Oscar dos quadrinhos brasileiros”, que divulgou a lista completa dos vencedores de sua edição 2025 esta manhã. Nativa de Mairi (Belém-PA), Tai tem Bacharel em Moda pela UNAMA e é Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Ela foi reconhecida como Melhor Publicação de Aventura/Terror/Fantasia e Publicação Independente Edição Única, além de receber o troféu de Novo Talento – Roteirista da premiação. A cerimônia de entrega da premiação está prevista para a terça-feira, 10 de dezembro, às 19h, no Teatro Raul Cortez, dentro do Sesc 14 Bis (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – São Paulo / SP), com apresentação do padrinho do prêmio, Serginho Groisman, e trilha do DJ MZK.
A obra que rendeu destaque nas três categorias a Tai é Onde habita o medo, de 2024, sobre a história do menino que vive 'desventuras encantadas' na Amazônia: "Kauê é um menino introspectivo que sempre visita seus avós em uma ilha às margens do rio Amazonas, mas a tranquila vida dos habitantes desse vilarejo é tomada pelo pânico quando crianças começam a desaparecer. Ele decide descobrir o que está por trás desse mistério e se une (contra sua vontade) aos moradores da vila Tainara, Lucas e Moema. Eles passam por desventuras encantadas e assustadoras em uma jornada de respeito e escuta à sabedoria dos anciões e retomada da espiritualidade de seu povo", diz a sinopse da história em quadrinhos premiada.
O PublishNews quis saber o que a Tai Yawara está lendo e eis a sua resposta:
"Recentemente li Ideias para adiar o fim do mundo (Companhia das Letras), do Ailton Krenak. É um livro muito potente que fala sobre o nosso conceito de humanidade, totalmente antropocentrado, que criou uma civilização que acreditar ser desenvolvida, mas vive no cativeiro do capitalismo que destrói almas.
Enquanto mulher indígena em retomada no contexto urbano, me vi muito nas palavras de Ailton, ao experienciar o vazio que é a existência contemporânea, movida unicamente pelo consumo e desconexa da espiritualidade e do que nos foi ensinado que é natureza. Não atoa estamos tão doentes, nos mais diversos sentidos.
Ao mesmo tempo que essas reflexões críticas importantíssimas sobre a humanidade são feitas, Ailton nos acolhe e os guia rumo a futuros possíveis. Ele vai contra a ideia apocalíptica da desesperança e de fim do mundo e nos ensina sobre como suspender o céu e a importância do sonhar e do realmente viver.
Em temos onde vemos Inteligências Artificiais dominando um mundo que se alimenta de artificialidade e superficialidade, Ailton Krenak nos mostra a importância de sermos contra-coloniais, que existem mundos que acolhem nossa pluralidade e que apesar de exigir dedicação, é possível adiar o fim do mundo e não é preciso temer o fim", escreveu para o PN, em março.






