Ativista do direito ao livro e à leitura, José Castilho lança obra na Biblioteca Mário de Andrade
PublishNews, Redação, 30/03/2026
‘O poder das palavras e outros poderes — Leituras compartilhadas’ reúne artigos sobre a trajetória do autor e a importância das políticas públicas

José Castilho: décadas de ativismo em prol da leitura | © Arquivo pessoal
José Castilho: décadas de ativismo em prol da leitura | © Arquivo pessoal
Para o professor e filósofo José Castilho Marques Neto, o acesso ao livro, à literatura e à biblioteca é um direito fundamental. E ele não apenas acredita, mas vivencia este princípio. São décadas de ativismo. Essa história está reunida no livro O poder das palavras e outros poderes — Leituras compartilhadas (Selo Emília/ Solisluna Editora), de sua autoria, que será lançado nesta segunda (30), às 18h30, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. O livro, mais um da bem-sucedida parceria , é uma coletânea editada de artigos publicados no jornal de literatura Rascunho.

José Castilho foi um dos criadores, em 2006, do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), vinculado aos Ministérios da Cultura e da Educação. O PNLL é uma política que articula ações para democratizar o acesso ao livro, formar leitores e mediadores de leitura, bem como desenvolver a economia do livro.

Em 2018 foi aprovada a Lei n.º 13.696, que instituiu a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) como estratégia permanente para promover o livro, a leitura, a escrita, a literatura e as bibliotecas de acesso público no Brasil. A PNLE ficou conhecida como Lei Castilho.

No novo livro, Castilho investiga o poder das palavras em um mundo marcado por crises políticas, sociais e civilizatórias. Seus textos transitam entre a análise das ações governamentais e as memórias de sua trajetória na defesa do livro e da literatura, mostrando como as palavras moldam, expandem ou corroem a democracia e orientam as escolhas individuais e coletivas.

Em tempos de fake news e pós-verdades, é urgente uma leitura crítica do mundo. Nesse contexto, a palavra é também instrumento de libertação e defesa da democracia: “A consolidação da cidadania, que, em poucas palavras, quer dizer a possibilidade da ação igualitária no exercício do poder no estado democrático, ela acontece também pela palavra, pelo domínio dessa palavra, pela interlocução qualificada dessa palavra”, explica o autor.

Embora reconheça os perigos do monopólio exercido mundialmente pelas Big Techs, Castilho acredita que as novas tecnologias podem ajudar na formação de leitores: “As tecnologias digitais podem ser um elemento auxiliar de informação e de formação, mas sempre orientada e com curadoria realizada por um ser humano bem formado, portador de honestidade intelectual, moral ilibada e com os olhos voltados para o desenvolvimento integral do ser humano de forma democrática, de forma inclusiva”.

Na trilha de Antonio Candido

O poder das palavras e outros poderes — Leituras compartilhadas tem orelha assinada por Bel Santos Mayer, também um nome reconhecido internacionalmente no ativismo pelo direito ao livro e à leitura. Bel e Castilho se conheceram nos anos 2000 e, desde então, juntam forças para pensar e expandir ações nesse sentido. “Desde que conheci José Castilho chamou minha atenção sua coerência e a incansável disponibilidade para percorrer o país, compartilhando saberes e promovendo o encontro do que, por muito tempo, esteve separado - livro, leitura, literatura, biblioteca, leitores (as), gestores (as), públicos e política cultural - reunidos em torno do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL)”, lembra Bel Santos.

O prefácio é da filósofa, escritora e educadora Eliana Yunes, que reconhece a onipresença de Castilho nas ações que foram empreendidas em nível federal em favor da formação de leitores com letramento cultural crítico. “Castilho entra para a linhagem aberta por Monteiro Lobato, em 1920, depois integrada por Antonio Candido, Magda Soares, Affonso Romano de Sant'Anna, Vera Aguiar, Regina Zilberman, Glória Pondé, Marisa Lajolo, entre outros pesquisadores universitários que, desde os anos 80 do século XX, se engajaram na construção de um país leitor”, ressalta ela.

Bibliotecas centenárias

O livro também traz dados importantes, como os de uma pesquisa que aponta a existência no Brasil de apenas 12 bibliotecas que ultrapassaram os 100 anos. As pioneiras foram as ordens confessionais, como a da ordem de São Bento, em Salvador (1582), e em São Paulo (1598). O poder público só conseguiu implantar a sua mais antiga no século XIX, a Biblioteca Nacional, fundada em 1810 por Dom João VI e originalmente chamada de Real Biblioteca.

Uma biblioteca em particular detém o carinho de José Castilho: a Mário de Andrade, em São Paulo, onde vai ocorrer o lançamento do livro, que celebrou seu centenário em 2025. Ele foi diretor geral da instituição entre 2002 e 2005, quando recuperou áreas cruciais do prédio e idealizou uma grande reforma, introduzindo inovações ao patrimônio que estava bastante deteriorado, à época também realizou mudanças na administração e ações de preservação do acervo, ampliando o acesso ao público. Toda a saga para salvar a biblioteca está no capítulo ‘O que ensinam as bibliotecas centenárias’, uma verdadeira aula de gestão pública.

Lançamento do livro e conversa com autor
Data: 30/03/2026, segunda-feira
Horário: 18h30
Local: Biblioteca Mário de Andrade (R. da Consolação, 94 - República, São Paulo)

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