Revista serrote publica textos de Pier Paolo Pasolini, Emmanuel Carrère e Garth Greenwell
PublishNews, Redação, 11/05/2026
Nova edição de revista de ensaios do IMS será lançada no dia 22 de maio, às 20h, no IMS Paulista

A 52ª edição da serrote, revista de ensaios do Instituto Moreira Salles (IMS), chega em maio às livrarias e à loja online do IMS. A edição terá lançamento especial na serrote ao vivo, no dia 22 de maio (sexta), às 20h, no IMS Paulista (Av. Paulista, 2424 — São Paulo / SP), com entrada gratuita. Os ensaios desta edição da serrote transitam entre a sensibilidade diante da dor alheia, a culpa, a História, a arte e as obras de escritores como James Baldwin, Annie Ernaux e Édouard Louis. Além de contar com textos de autores contemporâneos como Emmanuel Carrère, Garth Greenwell e Lauren Oyler, a edição inclui ainda um ensaio visual de Manuel Messias e cinco textos inéditos em português de Pier Paolo Pasolini. Entre os colaboradores brasileiros deste número, estão Cristiane Costa, Paulo Tavares e Cássio Loredano.

Importante intelectual europeu, atuando como cineasta, escritor e crítico, Pier Paolo Pasolini (1922–1975) teve papel relevante no debate público italiano entre as décadas de 1960 e 1970, com seu posicionamento antifacista. Os cinco textos desta edição da serrote vêm de sua coluna publicada entre 1960 e 1965 na revista Vie Nuove, ligada ao Partido Comunista Italiano, e integram o livro Le belle bandiere, ainda inédito no Brasil. As ilustrações são de Mario Schifano, destaque da arte italiana do pós-guerra.

Já Emmanuel Carrère, renomado escritor francês e autor, entre outros, de O adversário e Ioga, está presente na serrote #52 com A vida de Julie. No ensaio, aborda a relação da fotógrafa Darcy Padilla com um jovem casal, soropositivo e socialmente vulnerável, acompanhado por ela ao longo de anos. O texto constrói um retrato delicado dos vínculos que emergem entre dor e afeto. O ensaio é ilustrado por imagens feitas por Padilla. Publicado originalmente na revista francesa 6Mois, em 2021, o relato evidencia a força narrativa de Carrère.

Seguindo o tom político, a edição apresenta o ensaio inédito de Cristiane Costa, jornalista e professora titular da Escola de Comunicação da UFRJ. Intitulado O livro vingador, o texto aborda o massacre de Canudos e as diferentes obras que buscaram estabelecer uma “verdade” sobre a guerra que, em 1897, dizimou grande parte da população local, na Bahia. Cristiane analisa, ainda, a tentativa do Exército brasileiro de reescrever a narrativa do conflito, em um esforço para atenuar os métodos violentos descritos em Os sertões, de Euclides da Cunha.

O escritor norte-americano Garth Greenwell, no ensaio Apaixonado pelo abismo, revisita o romance O quarto de Giovanni, de James Baldwin. A partir da relação ao mesmo tempo delicada e conflituosa que leitores queer estabelecem com a obra, investiga como a homofobia e o pessimismo ali presentes podem operar como formas de afirmação. “Minha esperança é que isso possa conduzir a um entendimento mais complexo do papel da afirmação na arte, por meio de uma compreensão mais densa de como a arte nos ajuda a viver”, escreve. Greenwell é autor de O que te pertence e pureza (Todavia).

Ainda na linha da literatura, Élvio Cotrim escreve, a partir de uma experiência pessoal, no ensaio O valor da vergonha, sobre a politização da vergonha nas narrativas autoficcionais de Annie Ernaux, Didier Eribon e Édouard Louis.

Já Paulo Tavares, no ensaio A pólis-floresta, escreve sobre a sabedoria arquitetônica dos povos indígenas. Tavares revisita os primórdios da arquitetura para encontrar, nas sociedades ancestrais da Amazônia, os sinais de que a cidade pode ser tecida a partir da natureza, em vez de em oposição a ela. O texto é ilustrado pelo artista Gustavo Caboco, que participará do lançamento da revista na serrote ao vivo.

Esta edição traz também duas menções honrosas do 8º concurso de ensaísmo serrote, de 2025. Fernanda Lima da Silva, com o ensaio Reescrever este canavial, e Mayane Batista, com Máquinas de fazer máquinas. Os ensaios acompanham os trabalhos visuais de Letícia Lampert e Claudio Tozzi, respectivamente. O ensaio visual desta edição é dedicado a Manuel Messias (1945–2001), artista sergipano radicado no Rio de Janeiro, ainda pouco reconhecido em vida. Sua produção — marcada por xilogravuras e pinturas — evidencia as injustiças e os problemas estruturais do Brasil, como o racismo, a desigualdade social e a invisibilização. A série apresentada é Via Sacra (1979).

Também estão presentes os ensaios A caricatura essencial, de Cássio Loredano, sobre as caricaturas de Antônio Nássara, e Minhas opiniões perfeitas, de Lauren Oyler, que reflete sobre o Goodreads e a popularização dos sistemas de classificação nas redes sociais.

A serrote #52 reúne ainda trabalhos de diversos artistas que acompanham e dialogam com os ensaios ao longo da publicação, como Luiz Zerbini, Raimundo Rodriguez e Leonilson. Quem ilustra a capa é a artista Julia Jabur, acompanhada da folha de rosto de Veridiana Scarpelli.

[11/05/2026 10:31:03]