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Futuros Compostos | Fragmento do panorama demográfico e comportamental: Ficção Cristã
PublishNews, Lu Magalhães, 22/10/2024
Em média, temos 286 igrejas para cada 100 mil habitantes; não chega a ser uma surpresa o crescimento do subgênero

Autora e booktuber Odileia Brito, do canal Leya com Propósito |© Arquivo pessoal
Autora e booktuber Odileia Brito, do canal Leya com Propósito |© Arquivo pessoal
A análise dos caminhos emergentes da produção e do consumo de literatura não pode ser dissociada, na minha percepção, de um olhar lançado em direção à compreensão de questões demográficas e comportamentais territoriais. A leitura de futuros, inclusive, está muito atrelada a esse tipo de reflexão fundante, adotando essa ferramenta de investigação. Com esse norte, eu me propus a pensar sobre um movimento que enxergo como um fragmento do panorama contemporâneo em forte ascensão: a Ficção Cristã.

Primeiro, os dados. A pesquisa Global Religion 2023, conduzida em 26 países, aponta o Brasil – ao lado da África do Sul – como o primeiro colocado de um ranking sobre a crença em Deus ou força superior: nove em cada 10 brasileiros, 89%; a maior parte dos que possuem uma religião se denominam cristãos (70%). E uma informação adicional do Censo 2022, que foi objeto de críticas pelo recorte da comparação: o país tem 580 mil estabelecimentos religiosos, de todos os tipos; 264 mil instituições de ensino; e 248 mil de saúde. Em média, temos 286 igrejas para cada 100 mil habitantes.

Isto posto, não chega a ser uma surpresa o crescimento da Ficção Cristã. Em 2024, a Feira de Ficção Cristã e Cultura levou mais de 20 editoras à Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo; a edição do ano passado, em Belo Horizonte, contou com apenas duas. De acordo com a Nielsen BookScan, a participação de títulos cristãos no mercado editorial nacional saltou de 1,6% (2019) para 3,3% em 2023.

Em uma entrevista ao jornal O Globo, em julho deste ano, o editor Daniel Faria falou sobre o volume crescente de originais que chega ao Mundo Cristão e elogia o profissionalismo das autoras – as mulheres são a maioria. Instigada por saber mais sobre o assunto, conversei com uma jovem autora e booktuber Odileia Brito, do canal Leya com Propósito.

Segundo Odileia, a Ficção Cristã – braço literário que abriga os subgêneros da literatura com livros que carregam preceitos cristãos – é o caminho que percorre dentro do meio literário desde 2018, seja como leitora, seja como autora. “Hoje, eu me sinto feliz, criando conteúdo que conversa comigo de forma íntima e real, sem ferir meus preceitos cristãos. Essa literatura não substitui a Bíblia, que é o nosso manual de fé, mas pode e é um instrumento de evangelização. Essa proximidade acontece, primeiramente, com a identificação com os personagens e suas vivências, fazendo tanto que você mergulhe na história quanto acabe olhando para si. E esse é o espaço para que a fé aja no interior”, conta.

A autora conta que tem recebido muitos testemunhos dos leitores do seu livro De tal maneira, falando do quanto se identificaram com os sentimentos e pensamentos da protagonista; do quanto ouviram o sussurrar de Deus com elas durante a leitura. Na opinião dela, esses relatos têm crescido porque a própria Ficção Cristã tem tido mais e mais leitores.

“Inegavelmente a Ficção Cristã tem crescido nesses últimos anos e alcançado novos espaços. E, isso se dá muito pelo trabalho coletivo de anos de autores e leitores que tomaram para si a missão de tornar o gênero conhecido. E uma vez descoberta e propagada em todos os meios, os espaços sido preenchidos e se ampliado cada vez mais”, aponta, acrescentando que esses livros são um presente do Senhor para leitores e autores.

Vale ressaltar que antes do carimbo de Ficção Cristã existir, diversos autores já tinham uma produção consistente; C.S. Lewis, como a obra As crônicas de Nárnia, é reivindicado pelos leitores e autores do gênero como um dos grandes expoentes.

*Lu Magalhães é fundadora do Grupo Primavera (Pri, de primavera & Great People Books), sócia do PublishNews e do #coisadelivreiro. Graduada em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), possui mestrado em Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos). A executiva atua no mercado editorial nacional e internacional há mais de 20 anos.

**Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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