Sharjah: Publishers Conference abre programação discutindo maneiras de fortalecer o setor
PublishNews, Talita Facchini, 1º/11/2021
Conferência abriu as portas para 561 profissionais da indústria do livro e chamou a atenção para a importância do setor se unir e trabalhar junto para enfrentar os problemas

Primeiro dia da Publishers Conference | Divulgação
Primeiro dia da Publishers Conference | Divulgação

Na manhã do último sábado (31), a Publishers Conference da Feira Internacional do Livro de Sharjah iniciou a sua programação de três dias e abriu as portas para 561 profissionais da indústria do livro.

Organizado pela Sharjah Book Authority (SBA) em parceria com a International Publishers Association (IPA), o evento destacou, em seu primeiro dia, a necessidade do setor se unir e trabalhar junto para enfrentar os problemas – tanto os ocasionados pela pandemia, quanto os que sempre acompanharam o mercado editorial.

Em seu discurso de abertura, Bodour Al Qasimi, presidente da IPA, reiterou seu compromisso em ajudar os editores a saírem mais fortes da pandemia. “A resiliência é parte do nosso DNA. Essa pandemia pode ser considerada um novo capítulo da nossa história e fez com que encontrássemos novas maneiras de pensar o mercado editorial".

Karine Pansa, Bodour Al Qasimi e Ahmed Al Ameri
Karine Pansa, Bodour Al Qasimi e Ahmed Al Ameri
Sobre o trabalho da IPA nos últimos 18 meses, Bodour enfatizou que um dos objetivos da associação é aprimorar a cooperação entre as diversas partes do setor, esforço esse que resultou, por exemplo, no Plano Inspire.

Outra novidade apresentada pela organização foi a criação – junto com outras instituições - do IPA Academy. Segundo Bodour, “a Academia oferecerá masterclasses on-line em vários idiomas para todos os nossos membros, o que ajudará a preencher a lacuna de habilidades e assim ajudar nossos membros a se adaptarem à rápida mudança de leitores e tendências de comportamento do consumidor”, explicou.

Já Al Ameri, presidente da SBA, sugeriu que as contribuições do setor editorial figurem nos planos de desenvolvimento global. “Em 2001, o mundo concordou com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e, em 2015, as Nações Unidas anunciaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030 (ODS). Os setores vitais de crescimento identificados por esses objetivos incluem saúde, educação, serviços e segurança alimentar. Sugiro incluir o setor editorial também nesta lista, pois ele cumpre funções vitais para a vida e o progresso”, disse, e concluiu. “Se acabar com o analfabetismo é o ponto de partida para o desenvolvimento da nação, então o desenvolvimento de habilidades, consciência e imaginação vai garantir que esse desenvolvimento seja contínuo e de longo prazo. A sustentabilidade do setor editorial, então, se torna não um objetivo isolado, mas uma peça-chave no desenvolvimento global”.

Juntos na crise

A primeira mesa do dia, mediada pela brasileira Karine Pansa, vice-presidente da IPA, procurou responder quais são os principais desafios da indústria do livro hoje e como o Plano Inspire tem ajudado a encontrar soluções em diversas situações.

Patrici Tixis, vice-presidente da Feira do Livro Liber e presidente da Federação Espanhola de Guilda de Editores, observou que a pandemia acelerou mudanças no setor e que é preciso ver as coisas de uma nova maneira. “Na Espanha, por exemplo, o comportamento do consumidor já apresentou novos padrões. Em tempos pré-pandêmicos, 85 em cada 100 livros eram vendidos em livrarias e 50 em cada 100 eram vendidos em plataformas de comércio eletrônico. Essa já não é mais a realidade, especialmente porque as livrarias são, provavelmente, a parte mais fraca de nossa cadeia editorial”, lembrou.

Ainda segundo Patrici, com o empurrão da pandemia, as livrarias procuraram parcerias e outras maneiras de se manterem vivas. “Assim, a realidade atual é que nosso mercado de livros cresceu 15% em comparação a 2019”, disse, adicionando ainda que o plano da Espanha agora, é se abrir para mercados globais e que Sharjah é uma peça-chave nessa expansão.

Yuliia Кozlovets, coordenadora do Festival Internacional do Arsenal do Livro em Kiev, na Ucrânia, lembrou que o país já enfrentava muitos desafios desde antes da pandemia e que quando ela chegou, uma das ações foi lançar um programa para escritores ucranianos no exterior. Além disso, Yuliia falou sobre o desafio de realizar um festival literário no “novo normal”. “A presença física das editoras e a presença dos leitores são vitais para as perspectivas de crescimento da indústria, mas um desafio quando se trata de segurança. Um desafio que precisamos contornar”.

Também participaram da mesa Mingzhou Zhang, presidente do Conselho Internacional de Livros para Jovens (IBBY), que falou sobre o impacto da pandemia nos livros infantis e a aceleração da digitalização no setor e Lawrence Njagi, presidente da Associação de Editores do Quênia, que lembrou que o país não estava preparado para os impactos da pandemia e que o Plano Inspire serviu como um guia para superar essas as dificuldades e fazer com que pensassem fora da caixa.

Tags: Sharjah 2021
[01/11/2021 09:00:00]