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Buenos Aires, a política entre a promoção da leitura e a criatividade
PublishNews, Bernardo Gurbanov, 04/05/2018
Bernardo Gurbanov foi para a Feira do Livro de Buenos Aires e fala de se promover a leitura de forma criativa

Desde sempre, a Feira Internacional do Livro se Buenos Aires começa sob a influência do clima político do país. 

Nos anos turbulentos da década de 1970 e durante os posteriores governos democráticos dos 80 e 90 a presença do presidente da república era uma tradição intocável para inaugurar o evento. Até o ditador Jorge Rafael Videla comprovadamente incinerador de livros, deu o ar da sua graça enquanto o clima de terror e censura sobre as editoras e os meios de comunicação imperava.

Com o aprofundamento dos conflitos sociais e econômicos no início do Seculo XXI e ainda a incessante degradação da imagem dos políticos locais, os sucessivos presidentes começaram a delegar a representação nos Ministros da cultura. 

Desta vez, tanto o Ministro da cultura do país como o da cidade (Buenos Aires é uma cidade autônoma) nem sequer conseguiram pronunciar seus respectivos discursos pois foram interpelados por uma criativa manifestação de estudantes que tomou conta da Sala Jorge Luis Borges com seus cânticos de protesto contra o projeto de lei que prevê o fechamento de 29 centros de formação docente e sua substituição por uma universidade de nome UniCABA que pretende reorganizar o sistema de educação superior. 

Perante a incessante gritaria dos manifestantes, o ato de inauguração foi encerrado abruptamente, com um quase imperceptível corte de fitas por parte das autoridades da Fundação El Libro, organizadora do evento.

Felizmente, a força cultural da feira superou as interferências e autores consagrados prevaleceram na preferência do público sobre as intempestivas manifestações políticas. O peruano e Nobel de Literatura, Mário Vargas Llosa, o escritor e jornalista integrante da Real Academia Espanhola, Arturo Pérez-Reverte, o americano e Prêmio Pulitzer de 1996, Richard Ford e a romancista e dramaturga francesa Yasmina Reza, vencedora do Prêmio Molière apresentaram seus novos livros em salas lotadas de fiéis leitores e suas expectativas.

Enquanto o público invadia os estandes, lá fora na estação do metrô Plaza Itália na porta da feira, um casal afinado interpretava My life is going on, música de abertura da série La casa de papel.

Detalhe: A plataforma da estação (vide foto) foi transformada em palco, ilustrado pelo desenho d'O Jogo da Amarelinha, recriando a capa do célebre livro de Júlio Cortázar.

Ah como é bom, muito bom constatar que a promoção da leitura, quando criativa, pode se transformar em obra de arte impactando as emoções e perdurando na memória afetiva das pessoas.

Pessoal, ainda dá tempo! Até 14 de maio a 44ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires bem que pode ser visitada como se fosse uma enorme casa, reservatório de tesouros literários que podemos descobrir mergulhando no fascinante mundo dos livros de papel.

Bernardo Gurbanov é presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e proprietário da Editora Letraviva. Para conhecer mais sobre sua história livreira e de vida, leia aqui mesmo no PublishNews matéria A saga dos livreiros Gurbanov na Argentina e descubra porque ele é nosso argentino brasileiro predileto.

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