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Por que amamos as distribuidoras digitais
PublishNews, 15/07/2015
O dia-a-dia digital não é mega ultra fácil. As editoras que não possuem uma força tarefa, por favor, pense com carinho nas distribuidoras.

Estamos em um momento bem engraçado, no mercado de e-books brasileiro. Por um lado, o mercado inteiro sentindo o peso da crise, o peso dos cortes das compras governamentais (livros físicos). Por outro lado, as vendas dos e-books estabilizaram e apresentam um leve crescimento. Claro que o valor da venda digital vem sem as agruras dos estoques e dinheiro empatado em consignação. Mas acho que este assunto é velho e nas colunas anteriores gastei muitos teclados ao tentar explicar o quanto o digital pode ser "salvador". Vamos voltar ao hoje.

O quadro é bem interessante: mais de 40 mil e-books publicados e sendo comercializados, as plataformas de autopublicação bombando, as grandes editoras lançando simultaneamente em diversos formatos (até em áudio). Dentro das editoras as coisas não mudaram muito... O "setor digital" continua contando com uma ou duas pessoas. Algumas editoras até eliminaram esta figura misteriosa da folha de pagamentos, com intuito de distribuir as funções entre os funcionários "normais" da organização.

Como as pessoas que me conhecem sabem, e as que me leem também, sou otimista. Estas mudanças já eram esperadas e seguem um curso natural de arrumação nas editoras. O e-book não deve ter um tratamento diferenciado e isolado. Mas com as saídas das pessoas responsáveis fica um grande vácuo operacional, sentido principalmente por nós, livreiros digitais.

O dia-a-dia digital não é mega ultra fácil: precisa de acompanhamento di-á-rio. Só para citar algumas das responsabilidades ao se administrar um acervo digital, temos a subida do conteúdo (epub, capa e metadados), atualização de preços, agendamento de promoções e ações, consertos de arquivos defeituosos, agendamento de pré-venda... Isso tudo multiplicado pelo número de lojas que você atende. É aí que entram as queridas figuras dos distribuidores digitais. As editoras que não possuem uma força tarefa, ou precisam de uma curva de aprendizado da equipe para este novo produto, por favor, pense com carinho nas distribuidoras. Hoje contamos com nomes nacionais e internacionais, que vieram para somar o negócio. A qualidade dos metadados e dos arquivos melhorou consideravelmente com a ajuda dos distribuidores. Ao contratar o serviço deles, você contrata uma consultoria e um setor responsável para gerir seu acervo digital... E o melhor de tudo, atendendo várias livrarias de uma vez. Eles ajudarão na parte mais chata, que é a operacional, sobrando tempo para pensar no que realmente interessa: vendas, ações de marketing e merchandising, análise de dados com BIG DATA, pensamento em inovação e pesquisa do cliente.

O mercado de digitais, repito pela trocentézima vez, é uma realidade. O setor no educacional continua se arrastando, o operacional das editoras deixa a desejar e o market share das livrarias e editoras tende a se concentrar, mostrando um mercado nada maduro e sustentável. Sem uma administração eficiente do operacional, como crescer? Não tenho a menor autoridade para falar aqui de gestão de negócios, mas tenho aprendido bastante. Mesmo estando no básico nesta disciplina (minha formação e experiência é puramente editorial), já me parece algo totalmente óbvio, porém não óbvio para o nosso mercado.

Quando eu era pequena lá em Barbacena eu achava que os diretores sabiam de tudo... Mas eles são humanos e a criptonita deles é a falta de informação. E os membros da direção que não possuem um canal aberto de informação, são suicidas. Portanto, se você é do setor digital, vê dificuldades e não luta para que esta informação chegue à direção de sua editora, você está cometendo um harakiri e deixando uma granada na empresa, pronta a explodir com baixos resultados, diminuição de market share e zero na nota de inovação. Editoras são empresas como outra qualquer e não é por se tratar de livros que somos especiais e mais inteligentes.

Camila Cabete (@camilacabete no Twitter e instagram) tem formação clássica em História e foi responsável pelo setor editorial de uma editora técnica por alguns anos. Entrou de cabeça no mundo digital (em 2009) ao se tornar responsável pelos setores editorial e comercial da primeira livraria digital do Brasil, além de ter feito pós-venda e suporte às editoras e livrarias da primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil. Hoje é a senior country manager da Kobo Brasil e é a podcaster e idealizadora do Disfarces Podcast.

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** Os textos trazidos nessa coluna não refletem, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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