
O sol brilhou à noite — A trajetória do líder afro-brasileiro José Vicente (DisrupTalks) é o novo livro de Ricardo Viveiros sobre a trajetória de José Vicente que, além de fundador atua como reitor da Universidade Zumbi dos Palmares (UniPalmares). Recentemente, o livro recebeu evento de lançamento no Conjunto Nacional e fala dos passos tomados por Vicente na luta pela igualdade racial no país.
José Vicente nasceu em Marília, na década de 1960, é doutor em Educação e mestre em Ciências Jurídicas e Administração e fundador da UniPalmares, que surgiu quando as cotas raciais ainda eram tema de acalorado debate. Ainda em 2004, a instituição havia 50% de suas vagas reservadas para estudantes negros.
“O negro saiu das páginas policiais e esportivas da mídia para as editorias de economia, ciência, política. Deixou de ser empregado ou bandido nas telenovelas, para ser protagonista e exemplo”, acentua Viveiros, ao complementar que a biografia trata de um projeto de Brasil esperançoso, "em que todos, independentemente da cor, possam sonhar, estudar, trabalhar e viver com dignidade. Conquistar por mérito próprio a tal da felicidade”, observa Ricardo Viveiros, na apresentação da obra.

PUBLISHNEWS — José, na sua visão, quais são as qualidades que um bom líder precisa ter? E quais foram os eventos da sua trajetória que te trouxeram esse tipo de conhecimento?
JOSÉ VICENTE — Na minha opinião, o líder precisa ter pelos menos três qualidades: determinação, convicção e ousadia. Precisei de muita determinação para enfrentar os obstáculos quase insuperáveis da pobreza, primeiramente, e da descrença dos meus projetos num segundo momento. Tive o amparo da minha convicção quando contra tudo e contra todos mantive firme meu posicionamento e a crença de que aquilo que eu pretendia fazer era possível e eu seria bem sucedido. E fui ousado quando tive coragem de pensar e construir alguma coisa que estava além das minhas possibilidades e mesmo do meu tempo, como o foi a construção da Universidade Zumbi dos Palmares.
PN — Poderia falar um pouco mais sobre a escolha do nome do livro? De que forma ele ilustra suas conquistas e os eventos da sua vida?
JOSÉ — O título do livro é uma metáfora muito esclarecedora, isto é, para todos os obstáculos impossíveis — um menino negro e pobre do fundão do interior, um caipira, em regra, jamais conseguiria colocar de pé um projeto tão ousado do ponto de vista administrativo, econômico, financeiro, politico e técnico. A determinação e a perseverança permitiram superar tudo e transformar o sonho em realidade.
PN — Quais são os principais desafios da educação hoje? Eles são diferentes dos desafios de quando iniciou sua carreira?
JOSÉ —Um dos maiores desafios da educação é que ela seja reconhecida como prioridade nos planos social, cultural e político — e, sobretudo, como uma ação estratégica indispensável para Estados e indivíduos. Falta ainda uma compreensão ampla de que a educação é fundamento do desenvolvimento e do progresso coletivo. Os desafios de ontem e de hoje continuam os mesmos: a dificuldade de consolidar a educação como um bem essencial, que deve ser tratado como prioridade para o bem-estar das pessoas, das instituições e do país.






