
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo se encerrou neste domingo (13) com 760 mil visitantes ao longo de dez dias no Distrito Anhembi — segundo a organização, o maior público de sua história. O público supera as 722 mil pessoas que participaram da edição de 2024. Em pesquisa realizada com os expositores, a Bienal registrou aumento de 57% na média diária de faturamento em relação a 2024. Mesmo com o sucesso, o evento enfrentou alguns problemas neste ano: especialmente as filas enormes nos banheiros femininos nos dias mais cheios e o episódio em que um homem mascarado, simulando um personagem de dark romance, tirava fotos com mulheres em poses sugestivas.
Realizada entre 4 e 13 de setembro, a Bienal 2026 contou com uma programação noturna exclusiva para o público adulto e ampliou a iniciativa de cashback. O evento ocupou 87 mil m² de área total, 28% a mais do que em 2024, com corredores mais amplos. Do total de visitantes, mais da metade do público teve acesso gratuito.
Resultados comerciais dos expositores
A Companhia das Letras encerrou sua participação com resultados que superaram todas as expectativas da editora. Em comparação com a última edição do evento, o grupo registrou um crescimento de 67% em faturamento e de 55% em volume de exemplares vendidos.
“Essa foi a Bienal de todos os recordes batidos, mas também a Bienal da esperança, pela presença maciça de jovens que tomaram as ruas da feira para si, com entusiasmo e amor pelos livros”, comenta Luiz Schwarcz, CEO e fundador da Companhia das Letras, em nota. “A Bienal está cada vez maior, mais diversa e vibrante, e é uma alegria crescer junto com ela. Os resultados nos deixam muito felizes, mas o mais especial é ver a força desse encontro entre livros, autores e leitores”, afirma Mariana Figueiredo, diretora executiva de marketing da Companhia das Letras.

Mais de 50 autores da casa estiveram no evento e participaram de bate-papos e sessões de autógrafos. Segundo a editora, o maior destaque da Bienal foi Raphael Montes, que lançou no evento seu novo thriller erótico A estranha na cama. O livro, que mal acaba de chegar às livrarias, foi o número 1 em vendas no estande da editora, mas outros oito títulos de Raphael Montes ficaram entre os 15 mais vendidos. Romances para o público jovem, mangás e ficção nacional e internacional foram outros destaques da casa no evento.
Segundo a diretora de marketing e vendas da HarperCollins Brasil, Daniela Kfuri, o grupo terminou o evento com um resultado duas vezes e meia maior que o de 2024. "O que mais nos chamou a atenção foi ver a quantidade de livros, autores e opções diferentes dentro dos livros de ficção encontrando seu espaço e despertando o interesse dos leitores", avalia a executiva — para ela, a ampliação do catálogo em diferentes segmentos, como a literatura jovem, religiosa e infantil, contribuiu diretamente no resultado. "Para nós, é sempre muito importante construir um catálogo capaz de acompanhar diferentes interesses e momentos de leitura, com livros que tragam conhecimento, reflexão e ferramentas para o dia a dia."
O Grupo Editorial Record já tinha mais de 170 mil exemplares vendidos até o domingo (13), um aumento de 76% em suas vendas em relação ao mesmo período na última edição. Entre os livros que mais se destacaram nesta edição ficam Verity, de Colleen Hoover, Quando, de Carla Madeira e Meu mafioso favorito, de Babi. A. Sette. Nesta edição, as obras nacionais venderam aproximadamente 30% a mais. Os autores de maior peso na soma total de vendas foram Colleen Hoover, Sarah J. Maas, Holly Black, Freida McFadden e as brasileiras Carla Madeira e Babi A. Sette. Segundo a casa, parte do sucesso foi motivado pela maior movimentação noturna no evento e por iniciativas de cashback nos ingressos.

Para a Globo Livros, esta também foi a melhor Bienal de São Paulo da história, com um crescimento de 100% em relação à edição de 2024. "Mais do que o resultado comercial, é muito gratificante perceber a identificação do público com os nossos livros e o carinho com os nossos autores", avalia o diretor da Globo Livros, Mauro Palermo. "A presença de Hannah Bonam-Young e Bal Khabra, duas autoras internacionais muito queridas pelos leitores brasileiros, tornou esta edição ainda mais especial e foi um grande sucesso. Encerramos a Bienal extremamente felizes e satisfeitos com tudo o que vivemos. Agradecemos à organização pelo excelente trabalho e por proporcionar um evento dessa dimensão, capaz de mobilizar e reunir milhares de pessoas em torno dos livros e da literatura."
A Intrínseca registrou um aumento de 85% no faturamento em relação à edição de 2024 realizada em São Paulo. Com duas concorridas sessões extras de autógrafos e a proximidade do painel de SenLinYu, que lotou a Arena Cultural neste sábado (12), Alchemised despontou como um dos livros mais vendidos no estande da editora. O grande interesse dos leitores por fantasias se confirma com a presença de outros títulos do gênero, como A guerra da papoula, da autora sino-americana R. F. Kuang, entre os best-sellers. As comédias românticas seguiram em alta. Os leitores lotaram o estande da editora para comprar os livros de Lynn Painter — com seis títulos na lista e que atraiu uma multidão de fãs no primeiro final de semana — e de Sarah Adams. Além desses gêneros, o suspense e o terror conquistaram o público da casa: a série japonesa Não mexa, que critica a hipervigilância em uma sociedade cada vez mais imersa nas redes sociais, e O massacre da família Hope ocuparam as primeiras colocações entre os mais vendidos durante os dez dias de Bienal.
"A Bienal do Livro se supera a cada ano, em tamanho, resultados e encantamento dos leitores. Mas, sem dúvidas, a novidade do ingresso noturno nesta edição transformou ainda mais o evento. Vimos o pavilhão se renovar de pessoas num horário que o público começava a voltar pra casa e tivemos o estande cheio até o último minuto. Soma-se a isso ainda a vantagem do cashback do valor do ingresso que fez a diferença para muitos leitores e movimentou ainda mais as vendas", avalia a gerente de marketing da Intrínseca, Vanessa Oliveira.
A Rocco teve faturamento 121% acima da Bienal de São Paulo de 2024 e 37% acima da última edição do Rio, em 2025, o que torna essa edição a maior de todos os tempos para a editora. O ranking dos 10 mais vendidos comprova a força das jovens autoras da casa, e das autoras em geral, já que todos as obras são de escritoras.

A Sextante e a Arqueiro encerram sua participação na Bienal com um crescimento de 82% em relação à edição anterior realizada na capital paulista, em 2024. Para o sócio-diretor Marcos da Veiga Pereira, os números refletem não apenas a força dos livros, mas também a conexão com o público: “Foi uma edição histórica da Bienal de São Paulo. Vimos diariamente os leitores lotando nosso estande em busca de seus livros e autores”, afirma.
O Grupo Autêntica bateu a meta de vendas estabelecida para esta edição com folga. Ao longo dos dez dias de feira, o faturamento do Grupo superou o total arrecadado em toda a edição paulista de 2024 em 84%, com o tíquete médio 16% maior, e ultrapassou em mais de 160% o resultado da Bienal do Rio de 2025. Os resultados consolidam 2026 como a melhor participação da história do Grupo na feira paulista.
“Os números confirmam que a estratégia comercial que desenhamos para a Bienal deu certo. Superar o resultado de toda a edição de 2024 e bater a nossa meta mostra que acertamos tanto na curva de produtos quanto no reforço de estoque e equipe nos dias de pico. Encerramos com a confiança de que o Grupo Autêntica consolidou sua presença como uma das forças comerciais da feira”, avalia Fred Indiani, diretor de Negócios do Grupo Autêntica.
Pela segunda vez, o Grupo esteve presente com a marca Gutenberg, estratégia que busca reforçar a conexão com o público jovem, adolescentes e jovens adultos, que costuma representar a maior parcela do consumo nas bienais. Layout, cores, banners, brindes e a presença constante de autores em sessões de autógrafos ajudam a explicar por que o estande não parou de receber público ao longo de toda a feira. “O sucesso que vemos aqui na Bienal é reflexo direto do trabalho de curadoria que fazemos há anos com o catálogo da Gutenberg. Autoras como Paula Pimenta e Stephanie Garber já são parte da vida de leitura de milhares de jovens, e ver esse público chegar ao estande em busca não só dos lançamentos, mas de toda a trajetória dessas autoras, mostra que estamos formando leitores fiéis, não apenas vendendo um título isolado”, avalia Flavia Lago, editora da Gutenberg.
A Paulus registrou 95% de aumento nas vendas em relação à edição de 2024, com mais de 13 mil títulos vendidos. Entre os destaques de vendas estiveram Café com Nossa Senhora e A Catequista do Amor: espiritualidade catequética em Teresinha de Lisieux. Para o diretor de Difusão da PAULUS, padre Guilherme Silva, a participação na Bienal reforçou a importância da presença física do livro e da aproximação com os leitores. “A Bienal nos permitiu estar próximos do público, apresentar nosso catálogo e, sobretudo, criar experiências que mostrassem que o livro vai além do objeto físico. Ele é uma porta de entrada para o conhecimento, para a reflexão, para a memória e para o encontro com diferentes histórias e ideias. A participação da PAULUS também reafirmou nosso compromisso com a formação humana e com a difusão da literatura e da cultura”, afirmou.
A Editora Mostarda também celebrou os resultados obtidos na 28° Bienal. De acordo com balanço parcial, a editora registrou um crescimento de 50% nas vendas até o momento, impulsionado pela forte adesão dos leitores a títulos de seu catálogo infantil e infantojuvenil. Segundo Pedro Mezette, CEO da Mostarda, um ponto observado no desempenho da feira é a consolidação do conjunto das obras da juíza e autora Flávia Martins de Carvalho. “Seus diferentes títulos registraram presença expressiva e consistente ao longo do evento, refletindo o interesse do público por temas de representatividade, cidadania e direitos humanos”.
Com um crescimento de 32% nas vendas em relação à edição anterior, a VR Editora celebrou sua melhor Bienal da história, impulsionada pelo aumento de público. O estande destacou-se pela presença massiva de autores nacionais e pelo apelo de convidados internacionais, com uma lista de destaques liderada por Império do vampiro, As palavras não ditas, Diário de um Banana 1, Uma maldição para Samantha e Max Medroso.
Para o fundador da Matrix Editora, Paulo Tadeu, não é fácil montar um evento desse porte e alcançar uma resposta tão popular, com tanta gente circulando. "No estande da Matrix, tivemos um aumento percentual de 30% em vendas só no primeiro fim de semana, então acredito que o balanço final deve ser ainda maior. Também colhemos ótimos resultados com nossos autores: foi a edição em que tivemos a maior participação deles em mesas de debate e em sessões de autógrafos. Foi, portanto, um sucesso total para nós!"
Já na Cortez Editora, houve uma queda de aproximadamente 5% nas vendas em relação à edição anterior. "Foi uma edição bastante movimentada, especialmente com a presença de visitantes mais jovens, que circularam muito pelas principais editoras. Sentimos falta de um movimento maior no período da noite e, principalmente, da presença de professores, que são um público muito importante para a nossa linha editorial e para a Cortez", explica a diretora comercial da casa, Elaine Nunes. "Outro ponto que impactou diretamente as vendas foi a grande quantidade de estandes trabalhando com saldões e descontos muito agressivos. Isso acabou tornando a concorrência ainda mais acirrada e dificultando nossas vendas. De maneira geral, vejo como muito positivo o movimento e a renovação do público, especialmente entre os mais jovens. Acho que temos aí uma oportunidade importante para as próximas edições, pensando em ações que também consigam aproximar mais professores e fortalecer a presença desse público tão estratégico para nós."
Bienal rumo aos 60
“Esta edição histórica mostra a força da Bienal como um grande encontro cultural e também como um importante motor para toda a cadeia do livro. Receber 760 mil visitantes, com uma presença tão expressiva de jovens e famílias, e registrar uma forte procura pelos livros mostra o enorme interesse pela leitura quando criamos oportunidades para esse encontro. A maior Bienal do Livro da nossa história é também uma celebração dos leitores, dos autores e de todo o setor”, afirma Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Como Convidado de Honra, a Espanha levou à Bienal o projeto “Confluências”, com um estande de 500 m², 50 autores convidados e uma programação dedicada à diversidade de sua produção literária, sob a curadoria da escritora Marta Sanz. A participação ampliou o intercâmbio cultural e editorial entre os dois países, reunindo autores, editores, profissionais do setor e leitores.
A Bienal também ampliou seus esforços na agenda de sustentabilidade, de acordo com a organização. A edição contou com a destinação adequada dos resíduos gerados, utilização de energia proveniente de fontes renováveis e maior uso de materiais recicláveis na montagem e na estrutura do evento. Além disso, foi oferecida uma operação de transporte gratuito entre o metrô e o Distrito Anhembi.
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo em números*:
- 760 mil visitantes
- 87 mil m² de área total
- 75 mil m² de área expositiva
- 269 expositores
- 800 autores, sendo 91% brasileiros
- 3,65 milhões de livros ofertados
- 57% de aumento na média de faturamento dos expositores em relação a 2024
- R$ 20 milhões em vales-livro
- +52 mil estudantes beneficiados
- +154 mil servidores da rede municipal beneficiados
- + 2 mil servidores e colaboradores da Secretaria Municipal de Cultura de SP
- 5 dias com ingressos esgotados
*Dados divulgados pela organização do evento.
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo é apresentada pelo Itaú Unibanco, tem o Skeelo como patrocinador master e o patrocínio de Chambril, Chamex, Claro, Mercado Livre e Pólen, um produto Suzano. O evento conta ainda com o oferecimento da Prefeitura de São Paulo e o apoio de BIC, Colgate, Faber-Castell, Sura e TecHub.






