
Das antigas salas de rua que movimentavam os centros das cidades aos filmes independentes produzidos hoje com câmeras digitais e celulares, o cinema do Alto Tietê é tema de Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão: no rastro do cinema do Alto Tietê (Sete Veredas Produções), livro do pesquisador Dinho Santoz que será lançado no próximo domingo, 20 de setembro, em Suzano (SP). A publicação, resultado de pesquisa documental, visitas a acervos e entrevistas, percorre a história do audiovisual em seis cidades da região: Suzano, Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Guararema, Poá e Ferraz de Vasconcelos.
O projeto recupera a memória de cinemas como o Saci, Theatro Suzano e Suzano, em Suzano; Parque, Odeon e Urupema, em Mogi das Cruzes; e Ideal, Central e Tupi/Taquá, em Itaquaquecetuba. Entre as histórias encontradas pela pesquisa está a passagem da Companhia Cinematográfica Vera Cruz por Itaquaquecetuba durante as filmagens de Sinhá Moça, em 1953, que tiveram moradores da região como figurantes. O livro registra ainda a recuperação e reativação do cinema de rua de Guararema.
Mas Santoz não se detém nas salas que desapareceram ou sobreviveram. A segunda frente da pesquisa procura identificar quem mantém o audiovisual em circulação hoje no Alto Tietê. Para isso, o autor entrevistou seis realizadores e agentes culturais da região: José Luiz Spitti, Fernandes Júnior (Sidão), Nando Rodrigues, Allan Gonçalves, Renata Abreu e Maiara Silva.
Os depoimentos passam por políticas públicas, formação de público, profissionalização, produção executiva e cinema independente. “O cinema do Alto Tietê nunca foi periférico, foi apenas mal enquadrado”, escreve Santoz, na obra.
Para o autor, aproximar as antigas salas dos realizadores contemporâneos também é uma maneira de discutir a produção feita fora dos centros tradicionalmente associados ao audiovisual brasileiro. “O cinema não pertence a um CEP: ele pulsa onde há desejo de ver e fazer ver. Este livro é, ao mesmo tempo, uma homenagem a essa trajetória e uma provocação para que a região reconheça a força do cinema que produz”, afirma ele no livro.
Autor, pesquisador e editor da publicação, Santoz começou a se aproximar profissionalmente do cinema nos anos 1990, quando estudou com o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão. A pesquisa sobre o Alto Tietê nasceu posteriormente do contato com realizadores de Suzano e ganhou corpo durante e depois da pandemia, a partir de mostras de curtas, encontros com artistas e da descoberta de acervos e histórias locais.
A programação em torno do lançamento começa na quinta-feira, 17 de setembro, às 14h, com o workshop gratuito Cinema e Memória Cultural, ministrado pelo ator, diretor e artista visual Johnnas Oliva no Cineteatro Wilma Bentivegna (Rua Paraná, 70, no Jardim Paulista — Suzano/SP). Oliva é também o autor de Madame Naif (2021), obra utilizada na capa do livro. No mesmo dia, está prevista a disponibilização gratuita da publicação em EPUB3.
No domingo, próximo dia 20, a programação ocorre das 13h às 17h, na Casa Beija-Flor (Av. Rio de Janeiro, 200, e Parque Suzano — Suzano/SP), com a oficina Produção Audiovisual Comunitária, ministrada por Wilson Feitosa, e a exibição do documentário Doc Cine Saci – O que uma cidade perde quando morre um cinema de rua, codirigido por Van Alves e Tiz Juska.
Na sequência, será lançada a edição impressa de Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão, também com distribuição gratuita. Publicado pela Sete Veredas Produções, o livro foi contemplado pelo Edital Fomento CultSP – PNAB nº 46/2024 – Realização de Pesquisa e Publicação de Estudo Cultural.






