
Desenhar primeiro o vazio e só depois pensar nos elementos que vão ocupá-lo. É dessa inversão que parte o arquiteto e urbanista Marcos Malamut em Paisagismo espaçoceptivo – Percepção, corpo e a construção do lugar (independente, 2025) que chega à segunda edição, revista e ampliada, onze meses depois da primeira. Com 304 páginas, a obra sistematiza uma abordagem desenvolvida pelo autor a partir de mais de três décadas de atuação profissional e 15 anos de docência.
No sábado, 19 de setembro, Malamut vai participar da Plantarum Summit, em Campinas (SP), onde apresentará a palestra Homo spatialis – Da herança cultural ao projeto do futuro. O encontro quer abordar algumas das questões discutidas no livro, entre elas as relações entre corpo, percepção e projeto dos espaços.
O termo “espaçoceptivo” foi criado pelo próprio Malamut para aproximar as ideias de espaço e percepção. O método coloca a experiência de quem ocupa um lugar no centro do projeto: em vez de começar pela escolha de espécies ou pela composição dos elementos, propõe pensar primeiro o vazio, entendido como o campo onde a vida acontece, e só depois aquilo que vai qualificá-lo e estruturá-lo.
“Da experiência ao vazio, do vazio à matéria, o inverso da tradição”, escreve o autor, no release enviado à imprensa.
A abordagem nasceu também da experiência de Malamut em sala de aula. Ao ensinar profissionais que já tinham formação e prática, o arquiteto percebeu que a maneira como enxergava o projeto não era necessariamente compartilhada pelos alunos.
“O que era evidente para mim não era evidente para quase ninguém, nem mesmo para quem já tinha formação e ofício. Simplesmente não estávamos olhando para o mesmo objeto”, afirma, em nota.
Dividido em três partes, Paisagismo Espaçoceptivo começa pelos conceitos de percepção relacional e vazio habitável; passa por temas como fenomenologia do corpo, arquitetura dos sentidos, paisagem e memória, sintaxe espacial e tempo narrativo do percurso; e termina com uma parte voltada à aplicação do método, com orientações para diagnóstico, partido conceitual, desenho dos vazios e especificação de vegetação. O volume traz ainda glossário e referências e estabelece diálogos com áreas como psicologia ambiental, fenomenologia, teoria do design e neurociência da percepção.
Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Malamut é especialista em Plantas Ornamentais e Paisagismo e autor também de Paisagismo: projetando espaços livres (2011).






