Editoras apostam em livros de franquias como estratégia para atrair novos leitores
PublishNews, Beatriz Sardinha, 11/09/2026
Na Bienal do Livro de São Paulo, obras incentivam interação de marcas consolidadas entre gerações

Setores de brinquedos têm ganhado força em meio às feiras de negócios e de vendas de livros — é uma tendência que se mostra nos eventos literários. Neste ano, a modalidade ganhou destaque no espaço do Centro de Convenções da Feira Internacional do Livro de Pequim, na China, mais especificamente com o lançamento da Área de Licenciamento de IP, feita em parceria com a Associação Chinesa da Indústria de Brinquedos. Na Bienal do Livro de São Paulo, que vai até o dia 13 de setembro no Distrito Anhembi, as editoras aproveitam a força mercadológica de propriedades intelectuais consolidadas para promover livros interativos e que abrangem um público amplo.

Essa tendência vai ao encontro com a ideia de pensar a propriedade intelectual não apenas para um formato específico, mas sim para múltiplas plataformas. As editoras consultadas pelo PublishNews enxergam o uso de marcas como aliados para captar novos leitores e buscam ter livros de personagens e histórias que poderiam ser encontradas em lojas de brinquedos e outros itens de entretenimento.

Pouco antes da Bienal, no final de junho, a Book One anunciou uma parceria de licenciamento com a empresa de brinquedos Mattel. A estratégia da editora foi a de lançar, como um de seus carros-chefe na feira de São Paulo, um romance jovem adulto da Barbie.

Editora promoveu encontro de Barbies em seu estande | © Reprodução Instagram
Editora promoveu encontro de Barbies em seu estande | © Reprodução Instagram

O romance Barbie: Mundo dos sonhos, da autora de fantasia Alex Aster, e apresenta uma história inédita da personagem e teve lançamento no Brasil praticamente simultâneo aos Estados Unidos, México e Canadá, no final de agosto. No primeiro domingo da Bienal, a editora promoveu um encontro de fãs, todas vestidas com suas versões de Barbie, para tirar foto na caixa de boneca presente no estande da editora.

Um dos objetivos é aproveitar a publicidade de outros segmentos. Uma pessoa impactada pelo filme da Barbie é atraída por uma boneca numa loja, e vai buscar informações sobre outros produtos, incluindo o livro. "A comunidade se retroalimenta, com uma mesma personagem rodando vários segmentos e pontos de venda", afirma Marcia Batista, Publisher do Grupo Editorial Book One.

No caso da editora Catapulta, o valor de publicar livros da franquia LEGO está em aproximar o universo da leitura de personagens, histórias e temas que já fazem parte do imaginário tanto do público infantil quanto do adulto.

Estande da Catapulta na Bienal do Livro | © PublishNews
Estande da Catapulta na Bienal do Livro | © PublishNews

Carmen Pareras, diretora editorial da Catapulta, relata que a aposta nos livros sobre a famosa marca de blocos está na possibilidade da interatividade própria do brinquedo, e trazê-la para o livro. "Os personagens e elementos presentes nas histórias do LEGO podem despertar o interesse das crianças por construções, veículos, cenários e colecionáveis, ampliando a experiência lúdica. Para a Catapulta, portanto, trazer uma marca reconhecida e querida por diferentes gerações é um estímulo à leitura, à criatividade e aos momentos de convivência em família", diz.

Marcia e Carmen reforçam o trabalho de curadoria editorial na seleção das obras franqueadas, a fim de identificar quais conteúdos têm aderência ao público brasileiro e conversam com a proposta de cada editora.

HarperCollins tem 23 títulos sobre jogo Minecraft | © Reprodução
HarperCollins tem 23 títulos sobre jogo Minecraft | © Reprodução

Na visão de Lara Berruezo, editora da HarperKids, obras de franquias do Minecraft — presentes no segmento infantil do Grupo HarperCollins — podem aproximar jovens leitores dos livros, justamente no momento em que alguns se distanciam da leitura como atividade prazerosa diante das obrigatoriedades da escola. "Às vezes acontece um movimento da leitura virar uma obrigação que acaba distanciando a adolescente da leitura. Então, existe um papel muito importante do associar o livro ao brinquedo, que é associar o livro à diversão, ao momento de brincadeira. Leitura também é um prazer", conta ao PN, no estande da HarperCollins na Bienal do Livro. "Este é um leitor que a gente não está perdendo para o jogo".

[11/09/2026 11:51:08]