Faturamento das editoras francesas cai pelo terceiro ano consecutivo
PublishNews, Redação, 02/07/2026
País europeu vê nflação nos preços e uma retração nos hábitos de leitura como fatores para as divergências ano a ano

Livrarias do país já haviam registrado quedas neste ano | © Librairie Galignani
Livrarias do país já haviam registrado quedas neste ano | © Librairie Galignani

As editoras francesas venderam 419,6 milhões de exemplares em 2025, uma queda de 1,5% em comparação aos 426 milhões do ano anterior, segundo dados apresentados na semana passada na assembleia geral anual do Syndicat national de l’édition (SNE), o sindicato dos editores do país. O faturamento caiu de € 2,90 bilhões para € 2,88 bilhões no mesmo período. As informações são do Publishing Perspectives.

Em relação ao paradigma pré-pandemia de 2019, o mercado cresceu 2,8% em valor, mas recuou 3,6% em volume — uma diferença que reflete a inflação nos preços e uma retração nos hábitos de leitura.

Vincent Montagne, presidente do SNE e CEO do grupo de mídia Média-Participations, reclamou: “De nossas 700 editoras associadas, cerca de 500 provavelmente operam no prejuízo. Mais da metade gera um faturamento anual inferior a € 300.000. Como sustentar um catálogo editorial nessa escala?”

O cenário por setores

  • Literatura: O maior segmento, com 25,2% do valor de mercado, cresceu 4,7%, atingindo € 694,6 milhões. O avanço foi impulsionado quase inteiramente pela ficção policial — especificamente pelo fenômeno dos thrillers da autora best-seller Freida McFadden, cujas traduções para o francês geraram um crescimento de 37% nas vendas da categoria em relação ao ano anterior.
  • Quadrinhos e Mangás: Em contrapartida, este subsetor recuou 5%, ficando em € 419 milhões, enfraquecido estruturalmente pelo fim de séries de peso como Demon Slayer e Attack on Titan. O segmento de mangás isoladamente contraiu 10,5% em valor e 13,7% em volume.
  • Livros Didáticos: Impulsionado por reformas curriculares no ensino fundamental, o setor de livros educativos contrariou a tendência de queda e registrou alta de 8,2%, alcançando € 315,9 milhões — embora o SNE tenha alertado que isso reflete ciclos pontuais de programas escolares, e não uma demanda duradoura.
  • Mercado Digital: As receitas digitais caíram 1,2%, totalizando € 275,3 milhões e representando 10% do total de vendas de livros. O segmento profissional e universitário continua a dominar o mercado digital, respondendo por 67,4% do faturamento da categoria.

Infraestrutura de dados

O país vem registrando também algumas transformação na maneira de compilar dados do mercado. Uma plataforma, a Filéas, reúne oito organizações do setor — incluindo o SNE, o SLF (sindicato dos livreiros) e o CPE —, e alcançou 9 mil autores cadastrados e 90 editoras assinantes em 2026.

Uma segunda fase, lançada neste ano, entrega dados de pontos de venda no formato D+1 (no dia seguinte) a partir de uma rede de 700 lojas, além de números de estoque — um avanço operacional significativo para um setor que historicamente depende dos agregados mensais da Nielsen BookData. Os autores acessam a plataforma gratuitamente.

A pressão doméstica mais importante continua sendo o mercado de livros usados. De acordo com dados do Ministério da Cultura francês citados pelo SNE, os livros usados representam agora 21% de todas as compras de livros impressos em volume na França, um aumento em relação aos 13% registrados em 2011. Ao contrário do empréstimo em bibliotecas ou da cópia digital privada, que acionaram estruturas de licenciamento coletivo nas últimas quatro décadas, as vendas de livros usados geram zero receita de direitos autorais para autores ou editoras.

O SNE e o Conseil permanent des écrivains (CPE), conselho representativo dos autores, estão pressionando por um direito de sequência estatutário nos moldes do droit de suite (direito de sequência) aplicado nas artes visuais. O Conselho de Estado confirmou que não existem obstáculos constitucionais na legislação francesa, e o SNE argumenta que a diretiva de direitos autorais da União Europeia de 2001 não impede tal mecanismo. Bruxelas ainda não foi formalmente consultada.

Montagne reconheceu o desafio diplomático: “Estamos trabalhando com homólogos alemães, belgas e espanhóis em uma análise de mercado comparativa para construir uma posição comum a nível da União Europeia”, disse Montagne. “O terreno jurídico está amplamente inexplorado — a jurisprudência existente do Tribunal de Justiça da União Europeia é anterior à diretiva de 2001 —, o que, na verdade, nos dá margem de manobra.”

Em junho, as livrarias do país também já haviam registrado quedas.

[02/07/2026 12:11:26]