
Paralelamente, os fechamentos, que registraram forte alta em 2023 e 2024, estabilizaram-se em 2025. Eles afetam, em sua grande maioria, estruturas criadas nos últimos 10 anos, tanto lojas gerais quanto especializadas. Já as aquisições permanecem em um nível constante, confirmando seu papel essencial na manutenção da rede.
Segundo o CNL, as mudanças ocorrem em um contexto de tensões econômicas e financeiras ligadas ao aumento contínuo dos custos fixos das livrarias, somado a um recuo progressivo das vendas em valor e em volume, além de uma queda acentuada nas vendas no primeiro trimestre de 2026 (-6%).
Estes dados referem-se a livrarias cuja atividade principal é a venda de livros novos, mas que abrangem tamanhos e perfis variados.
O recuo iniciado em 2024 se confirmou em 2025: após 135 aberturas em 2024, o número de criações cai para 83 estabelecimentos, o que representa uma queda de 38% em um ano. Esse número foi praticamente reduzido pela metade em comparação com os anos recordes de 2021 e 2023. No entanto, as criações em 2025 ainda permanecem ligeiramente superiores aos anos anteriores à pandemia.
Essa retração se explica, principalmente, por uma queda ainda mais acentuada na criação de lojas especializadas. As livrarias generalistas representam agora mais de quatro em cada cinco aberturas.
Contudo, as criações continuam se concentrando majoritariamente em municípios pequenos: 56% das aberturas (contra 52% nos últimos quatro anos) ocorreram em municípios com menos de 15 mil habitantes, principalmente em áreas rurais, turísticas ou periurbanas. Essa proporção chega a 71% para municípios com menos de 30 mil habitantes.
Vinte e seis aberturas (31%) receberam apoio financeiro: oito diretamente do CNL por meio de seu auxílio ao investimento, 14 no âmbito de convênios territoriais tripartite (DRAC-CNL-REGIÃO) e quatro se beneficiaram de ambos os mecanismos citados.
Fechamentos estabilizados em um patamar elevado
Após um período de estabilidade de 2017 a 2022, no qual eram contabilizados apenas entre 30 e 40 fechamentos por ano, esse número aumentou fortemente em 2023 (78) e 2024 (90), mantendo-se praticamente no mesmo nível em 2025 (85, incluindo uma parcela crescente de livrarias especializadas, que representam 40%), segundo o relatório do CNL, elaborado para a convenção anual, que foi realizada nestes dias 7 e 8 de junho.
Em 2025, 48% dos fechamentos envolveram livrarias abertas desde 2017, e 38% daquelas abertas apenas a partir de 2021.
Essas porcentagens refletem, mais uma vez, a fragilidade de um número significativo de projetos iniciados nesse período recente, principalmente no contexto de transição de carreira (reconversão profissional). Em 2025, mais de um em cada dois fechamentos ocorreu em municípios com menos de 15 mil habitantes.
Salvo raras e notáveis exceções, a grande maioria dos fechamentos em 2025 envolve empresas que tinham um faturamento moderado, inferior a € 200 mil por ano.
Pela primeira vez em 33 anos, o saldo líquido entre criações e fechamentos é negativo.
Análises
O relatório ainda reitera que as livrarias independentes dependem de três pilares: sua seleção, sua equipe e sua localização física. Esses elementos sustentam seu valor, mas também seus custos. O estoque imobiliza o fluxo de caixa, gerenciar o catálogo antigo exige tempo, recomendar livros requer conhecimento especializado, organizar eventos exige pessoal e estar localizado no centro das cidades expõe os negócios à flutuação do aluguel. Comparadas às plataformas online, que estruturam seu modelo de negócios em torno de diferentes custos fixos, as livrarias físicas têm um ônus econômico maior.
O CNL identifica duas despesas principais: aluguel e folha de pagamento. Esta última tem aumentado constantemente nos últimos três anos devido aos aumentos do salário mínimo, enquanto os salários permanecem modestos no setor. A margem de lucro bruto, descrita como praticamente congelada apesar dos esforços da administração, está cada vez mais insuficiente para cobrir essas despesas. O resultado é uma rentabilidade marginal ou nula e um crescente distanciamento dos bancos.
A disparidade salarial também impacta o futuro da profissão. Os profissionais entrevistados pelo grupo de trabalho que elaborou o relatório alegaram remuneração insuficiente considerando as habilidades, o investimento intelectual e as exigências físicas do trabalho. Eles também mencionaram obstáculos ao recrutamento a longo prazo de jovens livreiros, gerentes, chefes de departamento e potenciais sucessores. O treinamento inicial e contínuo, o conhecimento do catálogo e as habilidades de gestão, portanto, parecem ser questões econômicas essenciais, e não preocupações periféricas, segundo a análise.
Em relação ao fundo de catálogo, a superprodução, a concentração e a polarização das vendas enfraquecem a presença de títulos menos proeminentes, reduzem o tempo disponível para a seleção e aceleram a rotatividade. Os profissionais entrevistados temem que muitos livros e editoras se tornem invisíveis e que a produção criativa seja prejudicada.
A promoção de títulos de fundo de catálogo é tida como uma prioridade fundamental frente à situação, segundo o CNL. "Isso ajuda a aliviar a pressão sobre os novos lançamentos, reduzir as devoluções e apoiar a estabilidade financeira das editoras", diz o relatório. No entanto, o mesmo esforço requer uma distribuição mais direcionada, capaz de adequar melhor as ofertas a cada livraria, e ferramentas que incentivem a redescoberta de catálogos existentes.
Diante da pressão sobre as margens de lucro, a diversificação comercial volta ao debate. Artigos de papelaria, jogos, brinquedos, presentes e itens relacionados já existem em algumas lojas, especialmente em áreas onde faltam ofertas complementares. O relatório, no entanto, destaca as divergências: para alguns livreiros, essas atividades atendem à demanda local e proporcionam a margem de lucro necessária; para outros, elas correm o risco de afetar o núcleo de seus negócios, que se baseia em livros, consultoria e estoque.
O mercado de livros usados é visto com cautela semelhante. A análise o descreve como uma resposta a preocupações econômicas e ambientais, mas com rentabilidade frequentemente limitada e uma identidade de marca mais difícil de manter. Dentre as estratégias observadas, o CNL considera a troca de livros usados por um vale-presente resgatável para a compra de livros novos como a mais relevante.
De acordo com uma análise publicada no site francês Actualitté, a crise no mercado livreiro local cruza-se com uma crise nos hábitos de leitura. O CNL observou um declínio acentuado no número de leitores, no tempo dedicado à leitura e nas práticas de leitura atenta, devido, em particular, à ascensão das mídias digitais. Os livreiros estão percebendo a erosão de segmentos-chave de clientes: crianças muito pequenas, compradores tradicionais e leitores ávidos, que apoiavam tanto os lançamentos quanto os títulos do catálogo antigo. A demanda está se tornando fragmentada, com expectativas mais individualizadas.
Aquisições: um desafio essencial para a sustentabilidade da rede
O número de aquisições (57) recuou muito ligeiramente em 2025, mas permanece dentro da faixa (55 a 65) observada nos últimos sete anos, e continua correspondendo a mais de 80% de livrarias generalistas.
A renovação e o fortalecimento da rede de livrarias dependem, antes de tudo, das aquisições e, por vezes, de transmissões internas de livrarias já existentes. O CNL e a ADELC acompanham esses processos de perto e apoiam aqueles que são estruturantes tanto a nível territorial quanto em termos de diversidade editorial.
Em 2025, no âmbito do seu auxílio ao investimento, o Centro Nacional do Livro informa que apoiou 55 projetos de livrarias, dos quais 22 foram projetos de aquisição.
Números das livrarias francesas nos últimos anos:
- 83 criações de livrarias em 2025 (contra 135 em 2024, ou seja, -38%)
- 85 fechamentos registrados (nível estável em relação a 2024)
- 57 aquisições de livrarias (volume em linha com a média dos últimos anos)
- Mais de 680 criações registradas desde 2021 (um nível historicamente alto, apesar da desaceleração observada em 2025)
- 56% das criações realizadas em municípios com menos de 15 mil habitantes
- 71% das aberturas localizadas em municípios com menos de 30 mil habitantes
- 48% dos fechamentos envolvem livrarias criadas desde 2017
- 38% dos fechamentos envolvem estabelecimentos abertos desde 2021
- 26 criações apoiadas por mecanismos do CNL e convênios territoriais
- 55 projetos acompanhados pelo CNL em 2025, incluindo 22 aquisições de livrarias.
Clique aqui para ver o relatório completo (em francês).







