
Morreu nesta segunda-feira (15), aos 87 anos, a mulher que ajudou o Brasil a ler e compreender Mário de Andrade (1893-1945). A professora emérita e pesquisadora Therezinha Apparecida Porto Ancona Lopez, que assinava Telê Ancona Lopez, foi uma das maiores especialistas na obra do escritor e uma figura central dos estudos sobre o modernismo brasileiro.
Ao longo de décadas de atuação no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP), Telê contribuiu decisivamente para a pesquisa, a preservação e a difusão do seu legado. Discípula de Antonio Candido (1918-2017), ela construiu uma trajetória marcada pela pesquisa acadêmica, pela formação de pesquisadores e pela defesa dos arquivos literários como patrimônio fundamental para a produção de conhecimento e a preservação da memória cultural do país.
No IEB, instituição à qual esteve ligada durante grande parte da vida, produziu estudos, ensaios e edições críticas que ampliaram a compreensão da obra de Mário de Andrade e do Modernismo brasileiro. O seu trabalho ajudou a consolidar o instituto como um dos principais centros de pesquisa dedicados à cultura e à literatura brasileiras.
Em nota, o IEB destacou que a trajetória intelectual da pesquisadora “se confunde com a própria história dos estudos dedicados a Mário de Andrade e ao Modernismo brasileiro”. A instituição ressaltou ainda a sua atuação como professora e orientadora, lembrando a generosidade com que acolheu estudantes e jovens pesquisadores ao longo de décadas.
"A única morte é o esquecimento. E a professora Telê jamais será esquecida. Seu trabalho seguirá vivo nas páginas que escreveu, nos arquivos que ajudou a revelar e nas muitas pessoas que ensinou pesquisar e pensar o Brasil", diz a postagem.
Lilia Schwarcz postou que Telê "é uma dessas intelectuais que não apenas interpretaram uma obra, mas ajudaram a constituir o próprio campo de estudos. Particularmente, sempre fui recebida com o rigor generoso que era uma marca da Telê diante de todos os projetos. Assisti palestras participei de bancas e congressos e Telê sempre sincera e erudita".
Além da contribuição acadêmica, Telê foi uma voz importante na defesa dos arquivos literários brasileiros, entendidos por ela como instrumentos essenciais para a preservação da memória cultural e para a formação de novas gerações de pesquisadores.







