
O historiador italiano Carlo Ginzburg morreu nesta quarta-feira (17), aos 87 anos, segundo a agência de notícias Ansa. Autor de O queijo e os vermes, entre diversos outros livros, ele ficou conhecido pelo conceito de "micro-história", transformando a maneira de compreender o passado ao dar protagonismo às vozes anônimas e aos personagens frequentemente esquecidos pela história oficial. Sua obra era publicada no Brasil pela Companhia das Letras.
Nascido em Turim, em 1939, filho da escritora Natalia Ginzburg e do intelectual antifascista Leone Ginzburg, percorreu uma trajetória acadêmica de alcance internacional, lecionando em instituições como as universidades de Bolonha, Harvard, Yale, Princeton e UCLA. "Sua reflexão ultrapassou os limites da historiografia, influenciando áreas como a antropologia, a crítica literária, a história da arte e os estudos culturais", diz o comunicado da editora publicado nas redes sociais.
Sua obra acompanha os 40 anos de história da Companhia das Letras: O queijo e os vermes foi o 25º título publicado pela editora, em 1987. Mitos, emblemas, sinais, Relações de força, Os andarilhos do bem e História noturna são alguns dos outros lançados pela casa.
Lilia Moritz Schwarcz, historiadora e cofundadora da Companhia das Letras, tem em Ginzburg uma de suas maiores referências. “Ele era um historiador erudito, inovador, curioso, dono de uma metodologia original para a história e muito divertido. Além de uma pessoa gentil, atenta e sempre muito inteligente. [...] Vai fazer muita falta. Mas seus livros continuarão ensinando — junto com ele”, disse em seu Instagram.
"Com o falecimento de Carlo Ginzburg, perde-se uma das figuras mais importantes do panorama intelectual, cívico e moral italiano. Seus estudos históricos e etnoantropológicos foram e continuarão sendo uma referência essencial para gerações de estudiosos e entusiastas", declarou o ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli.






