
Quatro anos depois da morte do designer gráfico e ilustrador Elifas Andreato (1946-2022), um personagem que passou décadas indo e voltando da sua prancheta finalmente será conhecido pelos seus leitores. Às vésperas da Copa do Mundo 2026 e no ano em que o artista completaria 80 anos, a Palavras Educação lançará Deizinho: um menino do Brasil, livro inédito sobre futebol, infância e sonho social concebido por Elifas ainda nos anos 1980 e concluído postumamente por sua filha, a artista plástica Laura Huzak Andreato.
O lançamento será realizado no próximo sábado, 30 de maio, às 16h, na Livraria da Vila Moema (Av. Moema, 493, no Planalto Paulista — São Paulo / SP), com bate-papo entre Laura e o público.
Com 40 páginas, o livro acompanha Deizinho, um menino apaixonado por futebol que sonha vestir a camisa 10 da seleção brasileira. Entre brincadeiras, dúvidas e descobertas, a narrativa roda como uma bola por assuntos como infância, desigualdade social e amadurecimento, refletindo sobre os caminhos possíveis para crianças que enxergam no esporte uma esperança de transformação de vida.
A história começou a ser imaginada por Elifas logo após a Copa de 1982. Filho de trabalhadores rurais e criado em meio à pobreza, o artista projetou no personagem parte das experiências de sua própria infância. O projeto permaneceu décadas em elaboração e deveria ter sido lançado originalmente em 2022, também ano de Copa, mas acabou interrompido pela morte de Elifas, em março daquele ano.

Após o falecimento do pai, Laura encontrou versões do texto, anotações, estudos e ilustrações do personagem, incluindo o primeiro desenho de Deizinho, datado de 1983. A partir desse material, decidiu concluir o projeto em parceria com a editora.
“A minha maior surpresa foi descobrir a quantidade de trabalhos e o tempo que meu pai dedicou ao projeto do Deizinho”, afirma Laura Huzak Andreato no release disparado à imprensa. “Meu pai teve uma infância pobre e a história de Deizinho dialoga com isso. O livro é um recorte dos meninos brasileiros. Ele vê no sonho de ser jogador de futebol algo bonito e, ao mesmo tempo, triste, pois é uma maneira de o personagem buscar uma melhora na condição social de sua família.”
Editor da Palavras Educação, Cândido Grangeiro lembra que o livro atravessou décadas acompanhando a trajetória de Elifas. “Deizinho ficou anos indo e vindo na prancheta de Elifas. Em meio à pandemia, meses antes de sua morte, combinamos que esse menino finalmente viria a público, se tornaria livro. O lançamento de Deizinho, concluído por sua filha, a Laura, é uma justa homenagem ao Elifas”, declara, no comunicado.
Conhecido por suas mais de 400 capas de discos da Música Popular Brasileira, além de trabalhos em jornais, revistas, teatro e literatura infantil, Elifas Andreato marcou a cultura brasileira por uma produção ligada à memória do povo, à música e aos direitos humanos. Deizinho é uma justa homenagem familiar e editorial para que o nome de Elifas continue bem vivo.







