
Com 56 páginas, Pois ia brincando… convida leitores de todas as idades a um mergulho em um universo no qual a palavra se apresenta como som, jogo e revelação. A sonoridade ocupa lugar central nos poemas, que exploram rimas inesperadas e termos pouco usuais para desdobrar sentidos e provocar reflexões sobre a vida em sociedade, a convivência e a solidariedade.

O livro foi pensado a partir da escuta e da oralidade das crianças, que têm a audição e os demais sentidos menos poluídos. “A língua e linguagem da criança é mais pura, no sentido germinário dos primeiros sentidos, dos primários sabores, as primeiras frutas, as primeiras cores. É de minha natureza atentar para a sonoridade de tudo, cotidianamente exercito isso, sou brincalhão e sempre voltado para o achado, o humor, o riso e a musicalidade das coisas”, comenta Gil ao PublishNews.
As ilustrações de Mariana Zanetti dialogam diretamente com os versos e ampliam suas possibilidades de leitura. “Usei a mesma técnica em todas as ilustrações: aquarela líquida, lápis de cor aquarelável e água sanitária. A escolha dessa técnica é que ela, por si só, já é um convite à brincadeira e à experimentação e isso era o que os poemas do Gil pediam”, afirma a artista ao PN.
Para ela, a criação visual do livro foi, ela própria, um exercício lúdico. “Ao criar formas um pouco aleatórias com a aquarela líquida, é possível a partir delas criar mundos, usando a água sanitária para ‘apagar’ fragmentos dessas formas e o lápis de cor para uni-las e dar significados. Tudo precisa ser feito de forma um pouco rápida e isso também estimula a experimentação. Eu me diverti muito fazendo essas ilustrações!”, diz Mariana.
Gil acredita que o papel da poesia está sempre em branco e precisa ser ocupado diariamente. “Se o mundo está acelerado e visual, também a poesia pode ser igualmente acelerada e visual, desde que conduza a criança, ou quem quer que se disponha, a reflexão, num sentido mais zen e contemplativo”. O livro da dupla segue esse caminho.






