No Ano da Cultura e do Turismo Brasil–China, obra revisita modelo político chinês
PublishNews, Redação, 25/02/2026
Obra propõe leitura da China a partir de suas tradições filosóficas e culturais, em contraponto à análise exclusivamente ocidental e terá evento em março, no Rio de Janeiro

No contexto do Ano da Cultura e do Turismo Brasil–China, oficializado pelo Governo Federal para 2026 com o objetivo de fortalecer laços culturais e o fluxo turístico entre os dois países do BRICS, e da primeira década de atividades do Selo SHŪ, o escritor Evandro Menezes de Carvalho, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), fará um evento sobre o seu livro China: tradição e modernidade na governança do país, de 2024. Será na quinta-feira, 5 de março, às 19h, na Livraria da Travessa Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572 — Rio de Janeiro / RJ).

O livro analisa o modelo político chinês a partir das próprias raízes culturais e filosóficas da China, propondo um deslocamento do debate tradicional no Brasil, historicamente marcado por leituras liberais ou marxistas de matriz ocidental. A obra chegou às livrarias por meio do Selo SHŪ, iniciativa da GoEast Brasil e da Editora Batel em parceria com editoras chinesas para difusão de pensamento científico, filosófico e literário chinês no país.

Com quase cinco anos de vivência na China e mais de dez de estudos, Evandro aborda temas como democracia de processo integral, república, governança baseada na lei e política externa sob uma lente que articula tradição confucionista, pensamento taoísta e uma lógica aditiva característica da cultura chinesa.

“A lógica de pensamento chinesa é inspirada no taoísmo, revelando que os polos contrários se complementam, e que a base desse conceito é a harmonia a partir da diferença”, afirma o autor, no release. Em vez da fórmula binária do “ser ou não ser”, prevalece a coexistência dos opostos: “ser e não ser”, explica, em referência direta ao taoísmo. Essa perspectiva, segundo ele, ajuda a compreender como o país articula elementos do socialismo e do capitalismo em sua estrutura.

O autor sustenta ainda que a proposta chinesa de inserção global se diferencia de modelos de globalização uniformizantes, defendendo a ideia de uma “comunidade de destino comum”, baseada no respeito à diversidade cultural e na autodeterminação das nações.

Ao discutir o conceito de governança, Carvalho argumenta que a filosofia política chinesa busca articular Estado de Direito e “Estado de Virtude”, em diálogo com o confucionismo. Para ele, trata-se de um pensamento sistêmico que se reflete em práticas como a medicina tradicional, o planejamento urbano e a cultura da mediação, que prioriza a prevenção de conflitos.

Recentemente, o Conselho de Estado da China declarou que a “herança histórica” e as “tradições culturais” constituem a base da evolução do sistema político chinês. É a partir desse ponto que o autor propõe a noção de uma nova governança chinesa com características socialistas, defendendo a atualização do debate brasileiro sobre a República Popular da China no século XXI.

Especialista na China

Evandro Menezes de Carvalho é doutor em Direito Internacional pela USP e professor da FGV Direito Rio. Foi pesquisador na Universidade de Shanghai de Finanças e Economia, na Universidade Fudan e na Universidade de Pequim. É membro fundador da World Association of China Studies (WACS) e da Rede Brasileira de Estudos Chineses (RBChina).

Recebeu o Prêmio Amizade do Governo Central da China, a mais alta honraria concedida a estrangeiros no país, e a Cruz do Mérito da Integração Fraterna Brasil–China, outorgada pelo Congresso Nacional brasileiro. Atualmente, ocupa a Cátedra Wutong, da Universidade de Língua e Cultura de Pequim.

Tags: China, FGV, Selo SHŪ, UFF
[25/02/2026 10:31:23]