Luiza Romão escreve sobre futebol no seu primeiro livro infantojuvenil
PublishNews, Redação, 27/05/2026
Obra conta com imagens criadas por Silvia Nastari, com ilustrações digitais e elementos fotográficos se combinam em colagens originais

Luiza Romão | © Duda Portella
Luiza Romão | © Duda Portella

A poeta Luiza Romão faz um bom uso de suas memórias como torcedora no infantil Ontem vi meu pai chorar (Quelônio), o seu primeiro livro para crianças. A obra acompanha Gigi, menina que tenta entender por que o pai desaba em lágrimas ao ouvir uma partida de futebol pelo rádio, enquanto escuta de todos os lados que não é bem vinda naquele universo.

O lançamento será realizado no domingo, 7 de junho, às 15h, no Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141— São Paulo / SP). Na mesma semana, Luiza participa d’A Feira do Livro, no Pacaembu, em uma mesa sobre as dimensões afetivas do futebol e a participação feminina no jogo tanto dentro das quatro linhas como na torcida e na literatura.

Com ilustrações e colagens de Silvia Nastari, o livro se inspira em documentos, cenários, fotografias e jornais da época. Apaixonada por futebol, Luiza Romão cresceu assistindo a jogos no Estádio Santa Cruz, em sua cidade natal, Ribeirão Preto. Depois de se mudar para São Paulo, passou a frequentar as arquibancadas do Palmeiras, o seu time do coração. A vivência nos estádios foi fundamental para construir a história de Gigi.

“No começo, a Gigi se espanta ao ver o pai aos prantos e tenta descobrir o que aconteceu. Não é muito fácil. Toda vez que ela tenta encontrar respostas, alguém diz que futebol “não é assunto de menina”. Além disso, o livro também discute como nossa sociedade, desde muito cedo, ensina os homens a reprimir suas emoções. Isto está presente nas famílias, nas rodas de amigos, nos espaços de formação. Neste contexto tão enrijecido, o futebol se torna um dos poucos momentos em que é permitido chorar, se abraçar, gritar. Assim, convidamos as leitoras e leitores a pensarem o quanto o futebol é ‘assunto de menina’ e como o choro não deve ser um tabu”, conta a autora, no release.

Assim, o esporte fortalece o vínculo entre pai e filha e entre Gigi e outras meninas, agregando novos olhares para a masculinidade e as trocas afetivas na infância. A obra traz à tona um fato histórico importante: a proibição do futebol de mulheres por quase quarenta anos no Brasil. A orelha de Ontem vi meu pai chorar foi escrita por Aira Bonfim, historiadora, ativista e especialista na história social do futebol feminino brasileiro.

Conexão com futebol

Ontem vi meu pai chorar aborda vínculos familiares, o espaço escolar e o acesso de meninas e mulheres ao esporte. Indicado para crianças a partir de cinco anos em leitura compartilhada com um adulto, o livro também convida leitores iniciantes do Ensino Fundamental.

Outros trabalhos de Luiza também reforçam seu amor pelo esporte, como a co-curadoria da exposição ¡Cancha Brava! Futebol sudamericano en disputa, realizada pelo Museu do Futebol em 2025; a orelha de Rostos cobertos, corações à mostra: futebol, autonomia e luta zapatista (Editora Autonomia Literária); o prefácio da antologia de crônicas do Museu do Futebol (2024); e a publicação de textos sobre o esporte nas revistas Tinta Libre (Espanha), Revista E (SESC) e Quatro Cinco Um. Atualmente, Romão desenvolve doutorado sobre futebol, voz e literatura latinoamericana na Universidade de São Paulo.

[27/05/2026 08:43:02]