
A escritora argentina Samanta Schweblin venceu a primeira edição do Prêmio Aena de Narrativa Hispano-americana com o livro de contos O bom mal (Fósforo, 2025) entrando para um grupo restrito de autores premiados com distinções literárias de 1 milhão de euros.
Criado pela gestora espanhola de aeroportos Aena, o prêmio nasce com ambição de impacto — tanto pelo valor quanto pelo escopo, voltado a obras em espanhol e nas línguas cooficiais da Espanha. A iniciativa prevê ainda o pagamento de 30 mil euros para cada finalista.
Porém, foi justamente essa origem fora do circuito editorial que gerou ruído. Segundo o jornal português Público, o anúncio causou “desconcerto” no setor, pouco habituado a ver uma grande empresa fora do mercado do livro criar uma premiação dessa magnitude.
Não é um incômodo trivial: prêmios literários com cifras milionárias são raros e costumam estar associados a instituições consolidadas, como o Nobel de Literatura ou o Prêmio Planeta. A entrada do Aena nesse território redesenha, ao menos simbolicamente, o mapa das grandes distinções.
O livro premiado reforça marcas conhecidas da obra de Schweblin. Em O bom mal, personagens vulneráveis e profundamente humanas têm suas vidas transformadas de modo irreversível quando confrontadas com situações inquietantes que irrompem onde menos se espera: em plena ordem cotidiana. A narrativa trafega entre o bem e o mal, com culpa, incerteza e uma profunda ambiguidade moral, marcas já reconhecíveis na obra da autora argentina.
A vitória coloca Samanta Schweblin à frente de uma lista de finalistas que inclui Ahora y en la hora (Alfaguara), de Héctor Abad Faciolince; Marciano (Randon House), de Nona Fernández; Los ilusionistas (Anagrama Narrativas Hispânicas), de Marcos Giralt Torrente, e Canon de cámara oscura (Seix Barral), de Enrique Vila-Mata.






