
O jornalista e escritor Fernando Molica é o vencedor do Prêmio Sabiá de Crônicas 2026, concedido pela Revista Rubem aos melhores livros publicados no ano anterior. O autor foi premiado por Meninos que brincaram na lua (Tinta Negra), o seu décimo livro e primeiro do gênero literário.
"Ganhar prêmio é sempre muito bom, mas o Sabiá de Crônicas tem algo muito especial: o fato de ser concedido por um grupo que, além de publicar a revista Rubem, dedicada ao gênero, faz um grande trabalho de catalogação e pesquisa. E ganhar na estreia é ainda mais gostoso", festeja Molica em conversa com o PublishNews.
"Eles gostam muito de crônica e conhecem a fundo. São tão ligados ao gênero que, ao criarem o Sabiá, fizeram também uma escolha retrospectiva e deram prêmios para os livros que consideram os melhores desde 1874", acrescenta o carioca, para quem "crônica é algo muito bom de ler e de escrever - apesar de seu compromisso com o tempo presente, algo expresso no nome do gênero, consegue dialogar com outras épocas e com pessoas de diferentes formações e culturas, conversa com o presente e manda recados para o futuro".
Com mais de 40 anos dedicados ao jornalismo, Molica diz que se sente "colega de ninho e de voos" ao lado de autores como os legendários Olavo Bilac, Júlia Lopes de Almeida, João do Rio, José Lins do Rego, Fernando Sabino, Rachel de Queiroz, Marques Rebelo, Carlos Heitor Cony, Antônio Maria e muitos outros, além dos autores em atividade, entre eles Xico Sá, Antonio Prata, Humberto Werneck, Martha Medeiros, Ruy Castro, Julián Fuks e Luiz Antonio Simas.

Na avaliação dos editores da Rubem, na ativa desde 2012, o livro sobressaiu mesmo diante de obras de cronistas já consagrados. "O livro nos chamou a atenção por ser uma estreia muito vigorosa, com uma boa variação de temas e abordagens, além de um excelente manejo da escrita, muito por causa da sua origem no jornalismo. Ao ler o seu livro, sente-se que ali está um cronista de fato, não alguém que juntou uns textos e chamou de crônica porque não tinha outro nome melhor. O espírito das crônicas do Fernando é parente muito próximo daquele que animava nossos cronistas clássicos. Premiá-lo é reconhecer a trajetória histórica do gênero e, ao mesmo tempo, seu contínuo diálogo com a vida contemporânea", detalha o editor Henrique Fendrich ao PublishNews.
Henrique conta que ele e o sócio, Anthony Almeida, criaram o Prêmio Sabiá em 2025 porque sentam que as premiações tradicionais não davam a devida atenção à crônica. "Algumas nem a tinham como categoria, outras a misturavam com o conto e algumas, mesmo tendo uma categoria para a crônica, premiam livros de outros gêneros, como se a crônica fosse uma categoria de 'miscelânea', que aceita tudo o que não cabe nas outras", explica ele, contando que a dupla fez um exercício de imaginar quem teriam sido os vendedores do prêmio em anos anteriores, desde o José de Alencar, em 1874.
"Tanto o Anthony como eu somos cultores e pesquisadores do gênero, então já temos naturalmente uma predisposição a descobrir cronistas e falar sobre eles para o mundo. Assim foi que criamos um histórico de premiados e começamos a premiar os melhores de cada ano", alinhava, deixando claro que a premiação é apenas simbólica pois vem sendo realizada pelos dois, sem estrutura nem vínculos com o mercado editorial. A boa repercussão nas redes sinaliza que havia, de fato, uma lacuna. "Isso nos animou a criar uma edição voltada só para estreantes e agora também uma só para cronistas falecidos. A gente mesmo corre atrás desses livros para ler e avaliar, ou seja, não depende de inscrição", explica o editor.
Organizado em sete blocos temáticos, o livro vitorioso combina variedade de assuntos com unidade de olhar. A escrita de Molica aposta na simplicidade e na fluidez, explorando episódios ordinários com um registro que alterna humor, melancolia e observação social. A crônica que dá título ao livro sintetiza esse movimento ao extrair dimensão poética de um acontecimento histórico a partir de uma perspectiva íntima.
Com o resultado, Molica passa a integrar a lista simbólica de vencedores do prêmio, que inclui alguns dos escritores citados por ele na entrevista, criadores do peso de Rubem Braga, Fernando Sabino, Clarice Lispector, Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Luis Fernando Verissimo e Paulo Mendes Campos.
A revista Rubem anunciará em breve novas premiações voltadas à produção recente do gênero. Vêm aí o Prêmio Andorinha de Crônicas, dedicado a autores já falecidos, e o Prêmio Bem-te-vi de Crônicas, voltado a estreantes. Acompanhe aqui no PN!







